
O Caminho Para a Felicidade
Capítulo 2
A um mês do nosso casamento, Ana Paula, minha noiva, olhou para mim e disse com uma calma assustadora que precisava ter um filho com outro homem.
"Lucas, é o último desejo do Dr. Roberto. Ele está morrendo."
Eu fiquei parado, tentando processar a informação. Dr. Roberto foi seu professor na faculdade de medicina, uma figura paterna para ela. Mas isso não fazia sentido.
"Um filho? Com quem? Com o Dr. Roberto?" , minha voz saiu trêmula.
"Não seja ridículo" , ela respondeu, impaciente. "Com o filho dele, o Pedro. Por fertilização in vitro. O Dr. Roberto quer ver um neto antes de morrer."
Eu senti o chão sumir sob meus pés. Pedro. O filho mimado e manipulador que sempre orbitou a vida de Ana Paula. E ela estava me pedindo para aceitar isso, um mês antes de nos casarmos.
"Você está louca? Não. Absolutamente não."
"Eu não estou pedindo sua permissão, Lucas. Eu estou te informando. Eu devo isso a ele."
A frieza em sua voz me quebrou. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, uma mistura de choque, raiva e uma dor profunda. Eu me sentia um idiota.
"E nós? E o nosso casamento? Nossos futuros filhos?"
"Podemos adiar o casamento. Isso é mais importante agora."
Ela não demonstrou nenhuma emoção ao me ver chorar. Pelo contrário, seu celular tocou e ela atendeu imediatamente.
"Pedro? Onde você está? Estou indo."
Ela pegou a bolsa e saiu, me deixando sozinho com minhas lágrimas e o coração em pedaços. Foi então que a ficha caiu. Nosso relacionamento sempre foi assim. Eu correndo atrás, amando por dois, enquanto ela estava sempre distante, com outras prioridades.
Eu me joguei no sofá, sentindo o peso de anos de dedicação unilateral. A porta se fechou e o silêncio da casa me sufocou. Eu sempre justifiquei a frieza dela com sua dedicação à medicina, mas a verdade era mais simples: ela não me amava. Não como eu a amava.
Meu celular vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido. Uma captura de tela de uma conversa entre Ana Paula e Pedro.
Pedro: "Ele concordou?"
Ana Paula: "Ele vai concordar. Não se preocupe, vamos dar esse neto ao seu pai."
A imagem me atingiu com a força de um soco. Eles já tinham combinado tudo pelas minhas costas. A conversa que tivemos foi apenas uma formalidade, uma encenação.
Uma raiva cega tomou conta de mim. Senti uma pressão no peito, uma dificuldade de respirar. Eu não podia mais viver assim, sendo o último na lista de prioridades dela, sendo um obstáculo a ser contornando.
Em um impulso de desespero e fúria, abri minhas redes sociais e fiz uma postagem pública, uma que eu sabia que ela veria.
"Cansado de ser segunda opção. Procuro uma esposa. Disposta a casar em um mês. Alguém se candidata?"
Era patético, eu sei. Um ato de um homem quebrado. Mas eu não me importava. Eu só queria que a dor parasse.
Meu celular tocou quase que instantaneamente. Era um número que eu não via há anos, mas que reconheci. Sofia Mendes. Minha amiga de infância.
"Alô?" , atendi, a voz ainda embargada.
"Eu vi sua postagem" , a voz dela era suave e calma.
"É uma piada, Sofia. Esquece."
"Eu não acho que seja uma piada. Eu aceito."
Eu fiquei em silêncio, chocado. "O quê?"
"Eu caso com você, Lucas. Daqui a um mês. Só tenho uma condição."
"Qual?"
"Muda meu nome no seu celular para 'Esposa' ."
Eu não sabia se ria ou chorava. Era a coisa mais absurda que eu já tinha ouvido. Mas, naquele momento, naquela escuridão, a voz dela foi a única luz.
"Ok" , eu disse, sentindo uma estranha calma tomar conta de mim. Abri minha lista de contatos e fiz a alteração. "Pronto. Esposa."
"Ótimo" , ela respondeu, e eu podia sentir um sorriso em sua voz. "Agora descanse, marido. Nós temos um casamento para planejar."
Ela desligou. Eu olhei para o nome na tela. "Esposa" . Talvez, apenas talvez, aquilo não fosse o fim. Talvez fosse um novo começo.
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