
O Caminho Para a Felicidade
Capítulo 3
Nos dias seguintes, Ana Paula não voltou para casa. Ela ligou uma vez, dizendo que estava ocupada com os preparativos para a fertilização e cuidando do Dr. Roberto. Eu não discuti.
Em silêncio, comecei a desfazer nossos planos. Liguei para o buffet, para a igreja, para a florista. Cancelei tudo. Depois, fui até a gráfica e peguei de volta todas as caixas de convites de casamento que ainda não haviam sido enviadas.
Meus amigos me ligaram, confusos.
"Lucas, que porra é essa? Você pirou? Cancelar o casamento?"
"Não cancelei. Apenas troquei a noiva" , respondi, sentindo um gosto amargo na boca.
Eles riram, achando que era uma piada.
"Boa, cara! Mas sério, o que aconteceu com a Ana Paula?"
"Ela está ocupada tendo um filho com outro cara."
Eles ficaram em silêncio, sem saber o que dizer. Ninguém acreditou em mim. Para todos, eu era o cachorrinho de Ana Paula, o homem que a amava mais do que a si mesmo. A ideia de eu tomar uma atitude era impensável.
Uma semana depois, Ana Paula apareceu no nosso apartamento. Ela parecia exausta, com olheiras profundas.
"Lucas, o Dr. Roberto faleceu esta manhã."
Eu não disse nada. Apenas assenti.
"O funeral é amanhã. Eu sei que nosso casamento estava marcado para o mesmo dia, mas... teremos que adiar. Obviamente."
Eu olhei para ela. No passado, uma notícia como essa teria me levado a uma discussão, a questionar o adiamento, a brigar por atenção. Mas agora, eu apenas sentia um vazio.
"Tudo bem."
Minha calma a surpreendeu. Ela me encarou, os olhos semicerrados, como se tentasse decifrar o que havia de errado.
"Você não está chateado?"
"Não. Eu entendo."
Ela pareceu relaxar, talvez aliviada por não ter que lidar com um drama.
"Obrigada, Lucas. Significaria muito para mim se você fosse ao funeral. Como meu noivo."
A palavra "noivo" soou como uma piada de mau gosto.
"Claro. Estarei lá."
No dia seguinte, no funeral, a vi de longe. Ela não estava ao lado da família enlutada como uma amiga, mas ao lado de Pedro, como se pertencesse àquele lugar. Ela segurava a mão dele, sussurrava palavras de conforto em seu ouvido, o corpo dela inclinado na direção dele.
Eles pareciam um casal de luto pelo pai dele.
Eu fiquei no fundo da capela, um estranho observando uma cena íntima. A dor que eu sentia antes havia se transformado em uma indiferença gelada. Eu não sentia mais ciúmes, nem raiva. Eu não sentia nada.
Eu olhava para ela, a mulher que eu amei por anos, e via apenas uma desconhecida. A conexão que um dia nos uniu havia se rompido para sempre. E eu estava em paz com isso.
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