
O Caçador de Feras indomáveis
Capítulo 2
Os olhos dela deixavam claro o quanto ela estava arrependida de o ter confrontado.
Lentamente ela deixou os braços erguerem-se para o alto.
Novamente o ar deixava seus pulmões.
" Por favor, não apague agora Constância."
O caçador não podia avisar-lhe que estava na mira de um predador tão sagaz quanto o primeiro. Caso contrário ela mesma se deixaria levar.
"PODIA TER DEIXADO ELA SER DEVORADA! QUE MULHER IDIOTA! COMO VOCÊ FOI ENTRAR NISSO LEÔNIDAS!"
Juntou o resto de paciência que ainda tinha, e vociferou por entre dentes, enquanto o animal caminhava lentamente em posição de atacar a bela mulher.
- Venha ... lentamente ... na minha direção! - Falou de modo que Constância pudesse ouvi -lo.
Ela estava realmente apavorada. O caçador agora poderia mesmo ser bem pior que a primeira fera.
- Tudo bem! Abaixe isso!
Ele fez sinal para que ela mantivesse a boca fechada. Lentamente ela foi até ele. Os seus passos eram cautelosos.
"Por que eu tive de insultá-lo?"
Leônidas manteve o rifle empunhado a altura do ombro dela. O predador percebeu o caçador com a sua mira, mas calculava a distância da sua presa.
Assim que, Constância estava há 20 passos do caçador, o animal em toda a sua maestria correu para alcançá-la.
" Mas que droga!"
Leônidas não sabia dizer se conseguiria acertar o animal a tempo, contudo não tinha um plano B.
O animal saltou sobre Constância enquanto Leônidas disparava.
Os olhos de Constância transparecem tudo o que ela não queria sentir agora. Todo o seu corpo paralisou ao sentir o que a atingiu.
Sentiu-se cair por sobre uma mistura de folhas secas e areia negra.
Seus olhos avistaram a floresta, constatou que estava longe de todos e de tudo, ninguém nem mesmo poderia procurar por ela, ninguém viria até ela, por que era assim que seria sempre .
Leônidas acompanhou o último movimento do animal numa dança estranha, as garras dele estavam bem perto de rasgar o ombro da mulher, contudo ela não percebeu a fera, mais uma vez fera e mulher estavam em sincronia quanto a vida e a morte diante dos seus olhos.
A cena era perturbadora, mas ele já estava acostumado com aquele dilema, matar ou morrer, sempre foi sua regra de sobrevivência. Nada mudaria.
Aproximou-se primeiro do animal, era um enorme leopardo, conferiu se ele ainda estava vivo. O disparo acertou o peito do predador.
Olhando para a mulher, ergueu-se para ir até ela, era a vez de conferir se ela estava muito ferida.
" Se ela está inconsciente significa que ela está gravemente ferida."
Estreitou bem os olhos para uma varredura completa, a floresta estava cada vez mais escura, por este motivo teve de curvar-se a poucos centímetros do corpo dela.
Levantou um pouco as mangas compridas do seu casaco. Os seus antebraços eram cobertos por uma faixa de tecido negro.
Apenas as suas mãos eram livres e grosseiras. Deixou o rifle ao lado do corpo assim como a bolsa de pele que trazia transpassada as costas.
Levou a mão direita próximo ao nariz e lábios da mulher. Percebeu que a respiração dela estava irregular.
Passou as suas mãos sobre os bolsos do seu casaco de pele. Encontrou um fósforo. Olhou para o corpo do animal mais uma vez, logo depois, encarou a mulher.
" Vamos estar juntos por esta noite."
Recolheu alguns galhos secos e acendeu uma fogueira não muito grande, apenas o suficiente para assustar os outros predadores. Armou o rifle novamente.
Foi até o animal novamente, ele o arrastou para mais longe dali.
Pegou uma faca toda em prata, despejou um pouco de bebida que trazia sempre nas suas caçadas e derramou sobre a faca.
Começou a retirar pouco a pouco a pele do animal, lhe seria útil naquele momento, não deixaria o seu casaco para uma desconhecida grosseira deitar sobre ele.
Terminado dispensou o animal para dentro da floresta.
Constância lentamente retornou a si. Abriu os olhos perturbada com a dor que sentia em seu ombro. Instintivamente levou suas mãos onde estava queimando.
A escuridão e o silêncio da floresta eram cada vez mais aterradoras, exceto pela luz que crepitava ali de uma fogueira bem arrumada com poucos galhos, próxima o suficiente para que ela não sentisse calor.
Sabia que de algum modo, o caçador havia preparado tudo. Confusa com as atitudes do homem que antes tentou lhe matar, e agora a estava salvando, buscou apenas manter-se quieta, assim recuperaria-se e fugiria logo.
Tentou erguer-se, mas seu corpo estava fraco demais, suas pernas cederam. Buscando alguma coisa que a ajudasse, avistou a bolsa de pele que o caçador trazia com ele. Arrastou-se até ela, com um pouco de esforço conseguiu alcançar a alça, arrastando a bolsa até ela.
"Agora posso devolver o favor de quase matar-me!"
Abriu a bolsa, mas para a sua decepção, não havia nada.
- Preciso sair logo daqui!
Soltando a bolsa ao seu lado, remexeu o corpo para retornar à posição anterior, contudo sentiu algo frio e afiado na sua garganta.
Sentiu o homem puxar a bolsa para ele.
Ela estava de costas para ele, ainda sentada sem forças e ele a sua costas. A centímetros um do outro.
- Agora sabe o quanto idiota eu sou!- A voz dele era firme e viril como ele.
Constância sentiu um arrepio correr por todo o seu corpo. A lâmina ainda estava pressionada contra sua jugular. Reunindo toda a coragem resolveu tentar sua sorte.
- Parece querer terminar o que começou ainda pouco!
Leônidas apertou a lâmina uma vez mais.
- Sim! Odeio deixar trabalhos inacabados!
Ela engoliu em seco, as mãos apertavam o seu coração. O braço queimava. Fechou os olhos e esperou. Sentiu a lâmina afastar-se e em seguida rasgar a parte da sua blusa na altura do seu ombro.
Leônidas, sem avisá-la, perfurou fundo a ferida que ali estava. Constância gritou em resposta à dor que tomava conta dela agora.
" Quem é você? Seu idiota grosseiro?"
Os seus olhos pesaram. Uma nuvem escura tomou conta dos seus olhos. O caçador era a sua última imagem.
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