
O Beta Me Rejeitou, Então Reivindiquei o Rei Dele.
Capítulo 2
Ponto de Vista de Helena:
Um suspiro coletivo varreu a multidão. Os Anciãos começaram a gritar perguntas, suas vozes um zumbido caótico em meus ouvidos, mas eu não dei atenção. Virei as costas para a cerimônia, para os sussurros, para o olhar de pena do Rei Alfa, e fui embora.
Deixei os terrenos sagrados, ignorando os chamados para que eu voltasse. Encontrei um carro por aplicativo que levava membros da alcateia para a cidade humana próxima, Campos do Jordão, e entrei, minha mente uma lousa em branco de dor. No meio do caminho, um propósito frio e duro se instalou em minhas entranhas.
— Dê a volta — eu disse ao motorista. — Leve-me para a Ala dos Curandeiros.
A Ala dos Curandeiros era o hospital da alcateia, um lugar que sempre cheirava a ervas secas e antisséptico. Não parei na frente. Fui direto para os quartos privados nos fundos, meu coração batendo em um ritmo furioso.
Eu a encontrei no último quarto. Marina.
Ela estava sentada na beira de uma cama, vestindo uma camisola branca simples que parecia suspeitosamente com a que eu deveria vestir após a cerimônia. Uma bandagem grossa estava enrolada em um de seus pulsos, mas o cheiro enjoativo de sangue e ervas curativas ainda pairava no ar.
Seus olhos se arregalaram quando me viu, um brilho de medo — ou talvez triunfo — em suas profundezas. Ela imediatamente se escondeu atrás de Bruno, agarrando seu braço como uma criança assustada.
Bruno não tinha me notado a princípio. Ele estava cuidando dela, de costas para a porta. Mas quando Marina se encolheu, sua cabeça se ergueu bruscamente. Seu corpo ficou rígido, seu lobo instantaneamente aflorando enquanto a protegia de mim. Um rosnado baixo retumbou em seu peito.
— O que você está fazendo aqui? — ele rosnou.
Eu o ignorei. Meu olhar estava fixo em Marina, frio e afiado.
— Ouvi dizer que você estava morrendo. Vim ver por mim mesma. As renegadas são mais resistentes do que parecem, eu acho.
Lágrimas brotaram nos olhos de Marina. Sua voz era um sussurro patético e trêmulo.
— Sinto muito... Eu nunca quis que o Bruno deixasse você... Eu só... eu o amo tanto.
As palavras eram um pedido de desculpas, mas o tom era pura vitória. Ela estava se exibindo. Exibindo que ele a escolheu, uma vira-lata, em vez de mim, sua companheira prometida.
Algo dentro de mim se partiu.
Todos os anos sendo a Ômega perfeita e submissa, de engolir meu orgulho por ele, desapareceram em um clarão de fúria. Eu avancei. Minha mão acertou sua bochecha com um tapa tão forte que o som estalou na sala silenciosa.
Marina gritou.
Bruno rugiu. Não era um som humano. Era a raiva pura e desenfreada de seu lobo.
— Você está louca! — ele berrou, e com um empurrão brutal, me jogou do outro lado da sala.
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