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Capa do romance O Bebê Secreto da Cupido

O Bebê Secreto da Cupido

Daniel, um herdeiro apaixonado por Crystal, a filha adotiva de seu pai, vê seus sonhos destruídos pelo ódio de sua mãe. Após uma armação cruel causar a separação do casal, Crystal foge grávida e sem memórias da paternidade do bebê para escapar do desprezo. Anos depois, o destino promove um reencontro inesperado. Ao ficar cara a cara com seu grande amor, Daniel descobre a existência de uma criança que pode ser o fruto do romance que tentaram apagar.
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Capítulo 2

Pessoalmente, Anael deixou a pequena cesta com a bebê Crystal na porta de um orfanato. Junto com a bebê, deixou um pequeno bilhete onde descrevia o pedido de pais que amam a criança, mas não tinham condições de criá-la. Incluiu no bilhete um pedido para que conservassem o nome Crystal e que entregassem a ela o pingente de cristal que deixou na cesta, quando ela crescesse o bastante para usá-lo sem o risco de acidentes.

— Você vai lembrar de tudo e poderá voltar quando quiser — disse sorrindo para a bebê antes de sair.

A pequena Crystal foi acolhida e passava os seus dias, meses e anos no orfanato Raio de Sol.

Por causa de uma campanha de doações da empresa, a família Garret marcou uma visita ao orfanato Raio de Sol.

Lino Garret, sempre que possível, fazia questão de participar das entregas das doações. Se sentia bem em ver os sorrisos que pequenas coisas podiam proporcionar. Hannah Garret acompanhava o marido, apesar de não gostar nem um pouco de estar entre pessoas que considerava inferiores; isso incluía qualquer pessoa abaixo do seu nível social.

Daniel, o único filho deles, estava com seis anos; e logo que chegou ao local se encantou pela menina de cabelos vermelhos e cacheados, que passou correndo em direção aos brinquedos.

Eles começaram a brincar no parquinho do orfanato entre outras crianças.

Logo o senhor e a senhora Garret foram em busca do filho.

Encantado com as características inusitadas da pequena, Lino perguntou, se ajoelhando para ficar à altura dela:

— Qual é o seu nome, minha linda?

— Crystal — respondeu com sua melodiosa voz infantil.

— Que nome lindo! O meu nome é Lino. Quantos anos tem, Crystal?

Lino se perguntava como uma criança tão linda não foi adotada, quando Crystal respondeu sem titubear:

— Da minha existência, devo estar chegando aos quatrocentos, mas como humana vou fazer cinco.

Ao ouvir suas estranhas palavras, Hannah puxou Daniel e olhou para o marido, sinalizando para se afastarem. Poderia ser uma criança louca.

Lino apenas sorriu. Amava crianças e o quanto podiam ser criativas.

— É mais velha que eu — comentou. Não conseguia se afastar, os olhinhos cinzentos de Crystal o prendia.

— Apenas como anjo — Crystal gostou dele. Era o primeiro adulto que não a repreendia por dizer quem era.

— Que tipo de anjo você é?

— Um cupido.

— Que legal! E gosta de ser um cupido?

— Quase sempre. Às vezes é chato.

— E gosta de conversar comigo?

Como resposta, ela balançou a cabeça fazendo os cachos cobrirem parcialmente o seu rosto.

Lino estava muito tentado a adotar a criança a sua frente. Sentia que a menina precisava de ajuda para não se perder na fantasia e parecia que o orfanato não oferecia a assistência necessária.

Decidiu conversar com a esposa sobre o seu desejo.

— Voltarei em breve para conversarmos mais. Agora, minha família e eu precisamos ir — se despediu de Crystal.

— Até breve, senhor!

— Pode me chamar de Lino.

— Até breve, senhor Lino.

Sorrindo, Lino se afastou. Segurava uma mão de Daniel enquanto Hannah segurava a outra. O tempo todo o menino se virava para sorrir para Crystal que acenava para ele.

Quando chegou ao sítio onde moravam, Lino chamou a esposa para uma conversa.

— Querida, fiquei tentado a adotar aquela menina.

— Ela é tão estranha. Por que pensou nisso? — Hannah sabia pelo tom de voz do marido que não tinha chance de fazê-lo mudar de ideia.

— Nós não podemos mais ter filhos e eu queria que o Daniel tivesse alguém com quem crescer. Um irmão seria bom para o desenvolvimento do caráter dele.

— Nesse caso, uma irmã — Hannah o corrigiu. Recordava claramente o motivo pelo qual não podiam ter mais filhos; a aparição de miomas , após o parto de Daniel, levaram os médicos a optarem pela retirada do seu útero.

Alheio aos pensamentos nostálgicos da esposa, ele respondeu:

— Sim. É até melhor porque ele vai se sentir o irmão mais velho de uma menina. Isso ajuda muito a desenvolver o sentimento de responsabilidade.

— Não sei. Não sabemos nada sobre aquela garota. Ela parecia ter problemas mentais.

Decidido a adotar a garotinha, Lino jogou uma isca:

— É que eu estava pensando em colocar a ilha no nome de Daniel como presente de aniversário quando ele fizer dezesseis anos, mas sinto que não vai ser bom para ele ser filho único. Temo que se torne irresponsável e não posso colocar algo tão grande nas mãos de alguém assim, mesmo que seja nosso filho.

Lino temia que o filho se tornasse alguém sem caráter, pois a mãe o mimava demais.

Completamente fisgada pela promessa de ter a ilha no nome do filho, Hannah disse:

— Pode me dar alguns dias para estudar essa adoção? Vou conversar com algumas amigas que já fizeram isso.

— Claro, querida! É uma decisão importante que devemos decidir juntos. Jamais farei algo que possa nos prejudicar.

Hannah o abraçou e disse:

— Agora vou dar uma olhada no nosso anjinho. Ele está na fase onde só sente curiosidade pelas coisas perigosas, principalmente as afiadas ou que envolvem energia elétrica.

Lino beijou seus lábios e o seu rosto antes de responder sorrindo:

— Vou com você. Quero te ajudar a dar banho nele.

De mãos dadas, o casal saiu da biblioteca em busca do filho que estava com a babá no quintal.

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