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Capa do romance O Bebê Secreto da Cupido

O Bebê Secreto da Cupido

Daniel, um herdeiro apaixonado por Crystal, a filha adotiva de seu pai, vê seus sonhos destruídos pelo ódio de sua mãe. Após uma armação cruel causar a separação do casal, Crystal foge grávida e sem memórias da paternidade do bebê para escapar do desprezo. Anos depois, o destino promove um reencontro inesperado. Ao ficar cara a cara com seu grande amor, Daniel descobre a existência de uma criança que pode ser o fruto do romance que tentaram apagar.
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Capítulo 3

Três semanas depois da visita da família Garret ao orfanato, Crystal entrou no sítio.

Era oficialmente filha de Lino Garret.

Mas ela percebeu cedo que não era querida pela mãe e que seu irmão, quase sempre, seguia a linha que ela desenhava. Ainda assim, a menina se concentrava em guardar apenas as lembranças boas de cada dia vivido entre a família Garret.

Poucos dias após chegar à casa, Crystal descobriu que ainda tinha as suas asas, bastava apertar o pingente que havia recebido no dia em que Lino foi buscá-la.

A primeira vez aconteceu quando ela estava sozinha na beira do lago. Com saudade dos outros cupidos, apertou a pequena pedra e se surpreendeu ao ver a sua imagem refletida no lago. Suas asas estavam de volta. Ela soltou a pedra para tocar as penas, mas as asas sumiram. Então apertou novamente a pedra e lá estavam, lindas e brancas, outra vez.

Com cuidado para não soltar a pedra ela tocou suas penas com a mão livre. A sensação a fez chorar de saudade e de felicidade, pois além das lembranças carregava no corpo um pedaço de quem realmente era.

Ela guardou para si esse segredo, mas um dia estava brincando com Daniel no jardim e não resistiu ao ímpeto de mostrar as suas asas para o irmão. Daniel, na época, estava com oito anos e ela com sete.

— Quer saber um segredo? — ela perguntou deixando de lado o buraco que abria com as mãos nuas para plantar algumas sementes que achou pelo sítio.

Daniel, que abria um buraco ao lado do dela, perdeu todo o interesse na atividade.

— Quero — respondeu curioso sobre o segredo.

— Tá, mas tem que prometer que não vai contar para ninguém. Nem mesmo para os nossos pais.

— Prometo.

— Melhor eu te mostrar — disse enquanto olhava para todo lado confirmando se a babá ou outra pessoa estava por perto. — Não se assuste.

— Não me assusto com nada. Pode mostrar.

Ela então apertou a pedra do pingente.

Daniel arregalou os olhos e deu alguns passos para trás. Ficou maravilhado com as gigantescas asas de penas brancas da menina.

— É verdade! Você é um anjo! Mamãe disse que era mentira. — A sua voz deixava claro todo o seu espanto.

— Eu não minto — Crystal resmungou e soltou a pedra.

— O que fez com elas? Doí quando aparece? — o garoto estava no limite da curiosidade. Queria saber tudo e ao mesmo tempo.

Crystal riu da sua empolgação com algo que para ela era natural.

— Somem quando solto a pedra do pingente. E não doí. É natural como abrir os braços.

Ele ia falar algo mais, porém o grito da babá chamando por eles fez com que Crystal repetisse:

— Não conte para ninguém. — E saiu correndo em direção a voz da babá. As sementes ficariam para depois.

Daniel a seguiu, mas passou o dia todo pensando no motivo pelo qual não tinha asas. Se perguntava se realmente só os anjos e os pássaros podiam ter. Queria saber de onde surgiam os anjos e se podia se tornar um.

Quando a sua mãe foi conferir se ele fez as atividades da escola, Daniel acabou questionando:

— Mãe, como surgem os anjos?

Alheia aos motivos da pergunta, ela simplesmente respondeu:

— Os meus pais costumavam me contar que anjos são pessoas boas que, ao morrer, se tornam seres celestiais para proteger as pessoas.

Ele ficou pensativo e ela declarou:

— Termine o seu dever e desça para jantar.

— Sim, senhora. Já estou quase terminando — mentiu. Não conseguia se concentrar.

E assim foi até o dia seguinte quando, por acaso, ele viu um vídeo onde um anjo era empurrado de um prédio e suas asas se abriam no meio do caminho.

Não pensou duas vezes, sequer pensou na loucura que era imaginar que poderia ter asas como Crystal. Correu até uma das árvores do jardim, subiu e se jogou.

Como resultado ele precisou usar gesso nos braços por vários dias. Além de sofrer com várias escoriações pelo corpo.

Quando Hannah perguntou o motivo pelo qual ele pulou, ele chorou e questionou:

— Por que não tenho asas como a Crystal?

As palavras dele deixaram Hannah furiosa. Ela nem quis saber o motivo pelo qual o menino acreditava que a irmã adotiva tinha asas, simplesmente queria alguém para culpar e odiar.

Resultado: Crystal ficou de castigo por um mês.

Foi o primeiro de muitos castigos.

Por causa do incidente e do castigo de Crystal, a família quase desistiu do fim de semana na praia que haviam programado para o fim daquele mês, mas, depois de muita insistência das crianças, os pais acabaram cedendo. Os braços de Daniel já estavam livres do gesso.

A casa onde passariam o fim de semana era na ilha que Lino pretendia colocar no nome de Daniel. Uma bela casa onde na construção prevalecia madeira e vidro.

Partiram na sexta-feira de manhã.

Crystal era a mais empolgada. Queria muito descobrir a sensação da água do mar em seu corpo humano. Trajada com um biquini rosa e muito protetor solar foi a primeira a entrar nas ondas. Se assustou um pouco com a força com a qual a água a derrubava e não gostou muito da água salgada em seus olhos, mas ainda assim não conseguia ter vontade de sair. A sensação era viciante.

Logo Daniel se juntou a ela, e eles só saíram da água quando os pais chamaram para comer as coisas que levaram para o piquenique.

Depois de comer, as crianças se sentaram embaixo de um guarda-sol com pequenas pás e baldes. Os pais disseram para fazerem castelos de areia, pois só poderiam voltar para a água depois de uma hora.

Depois de um tempo cavando, Daniel disse empolgado:

— Olha o que eu achei! — estendeu uma correntinha prateada na frente do rosto.

— Que linda! Vai ter uma correntinha especial, assim como eu. — Crystal tocou a correntinha do irmão.

Rapidamente Daniel teve uma ideia.

— Vamos trocar? — sugeriu olhando com cobiça o pingente no pescoço dela.

Instintivamente, Crystal fechou a mão ao redor da pedra, mas tirou ao ver a expressão dele. Os olhos do garoto denunciaram que as suas asas apareceram. Felizmente ninguém estava olhando.

— Não posso. Esse pingente é parte de mim — declarou.

— Quanta bobagem! — sem aviso, Daniel puxou com força o colar do pescoço da irmã e, assim que conseguiu arrancar, jogou a sua correntinha na areia perto dela. — Fica com essa aí. É a minha vez de ser anjo.

Crystal tentou tomar dele, mas o menino foi esperto e correu para perto da mãe. A menina começou a chorar copiosamente, mas Daniel escondeu o objeto e jurou para os pais que não fez nada. Também mentiu que tinha dado a ela a correntinha que achou porque ela perdeu a dela. O garoto nem tentou justificar a marca que ficou no pescoço da menina, simplesmente disse que não sabia o que era.

Hannah deu a história por encerrada e Lino se viu de mãos atadas diante da convicção do filho. Tentou argumentar com a menina que compraria um pingente novo igual ao que ela tinha. Crystal simplesmente chorou até cansar.

O resto do fim de semana perdeu a graça. Lino incomodado com a possibilidade de o filho estar mentindo, Hannah com enxaqueca, Crystal rondando triste pela praia e Daniel preso no quarto apertando o pingente na frente do espelho e com raiva porque nada acontecia.

Voltaram para o sítio na segunda-feira de manhã. A rotina recomeçou, mas Crystal continuava cada vez mais triste. E ver que Daniel pegou a correntinha que achou e estava usando as duas a deixava mais triste. Tanto que ela acabou ficando doente.

Quando viu o médico sair do quarto da irmã, Daniel perguntou a mãe:

— Por que o senhor Hernandes estava no quarto da minha irmã?

— Crystal está com um resfriado. Nada sério.

— Vou ver ela. — Ele se virou para correr até o quarto de Crystal, mas a mãe o segurou pelo braço.

— Não, meu filho. Sua irmã está descansando. Logo ela vai ficar boa. — Lino, que chegou na hora, respondeu pela esposa. No fundo, ele ainda tinha dúvidas sobre a história do pingente na praia. Queria ter certeza de que o filho não faria maldades contra a irmã.

Daniel não ficou muito satisfeito com a resposta. A noite, entrou sorrateiramente no quarto da irmã e a encontrou dormindo.

Ele ficou um longo tempo olhando a irmã e se sentindo culpado por ela estar doente. Acreditava que perder o pingente a deixou daquele jeito.

Impulsivamente a balançou e chamou até acordá-la.

— O que foi? — a menina questionou sonolenta.

— Toma. — Ele estendeu o pingente na direção dela. — Desculpa.

Crystal rapidamente pegou o objeto da mão dele. Só depois perguntou:

— Por que está me devolvendo?

— Porque não funciona comigo e não quero que fique doente.

— Obrigada! — a tristeza de Crystal sumiu instantaneamente.

— Agora chega para lá. Vou cuidar de você.

A menina deu espaço para ele subir na cama. Daniel colocou a mão na cabeça dela imitando o que a mãe fazia com ele. Como não sabia o que procurar, apenas segurou a mão da irmã e dormiram juntos.

No dia seguinte, nem lembravam mais do desentendimento na praia. Crystal voltou a usar o seu pingente e Daniel adotou a correntinha que achou na praia, não tirava para nada.

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