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Capa do romance O Atleta Caído: Vingança e Redenção

O Atleta Caído: Vingança e Redenção

No auge da carreira, o atleta João Carlos sofre uma traição pública devastadora. Sua namorada e empresária, Sofia, anuncia o término e revela uma gravidez de Miguel, o preparador físico. Humilhado e espancado, João é mantido cativo para encobrir o doping do rival. Entre a dor e a farsa sobre a morte de seu pai, uma mensagem misteriosa surge. Agora, ele busca justiça contra aqueles que o descartaram, transformando sua ruína em sede de vingança.
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Capítulo 2

As câmeras piscavam sem parar, uma tempestade de luz branca que me cegava. O zumbido dos jornalistas na sala de imprensa era como um enxame de abelhas furiosas, todos esperando uma grande notícia, o próximo passo na minha carreira de sucesso. Eu estava sentado na mesa principal, com o emblema do clube atrás de mim, um atleta de elite no auge. Ao meu lado, Sofia, minha namorada desde a infância, agora minha empresária, sorria para as câmeras, um sorriso que eu conhecia melhor que ninguém, mas que naquele momento parecia estranho, ensaiado.

Ela se inclinou para o microfone, e a sala ficou em silêncio. Eu esperava que ela anunciasse minha renovação de contrato, talvez uma transferência para um time europeu. Era o que tínhamos planejado.

Mas as palavras que saíram de sua boca não foram sobre futebol.

"Boa tarde a todos", ela começou, a voz clara e firme. "Eu convoquei esta coletiva de imprensa para fazer um anúncio pessoal e muito importante."

Eu a olhei, confuso. Um calafrio percorreu minha espinha. O sorriso dela não alcançava os olhos.

"João Carlos e eu não estamos mais juntos."

O silêncio na sala se quebrou. Um murmúrio chocado se espalhou, e os flashes das câmeras se tornaram frenéticos, como relâmpagos em uma tempestade. Eu senti o chão desaparecer sob meus pés. Meu coração batia forte contra minhas costelas, um tambor descontrolado. Tentei falar, mas minha garganta estava seca, fechada.

Ela não olhou para mim. Continuou falando para as câmeras, para o mundo.

"Além disso, quero compartilhar uma notícia feliz. Eu estou grávida."

Um novo murmúrio, ainda mais alto. Alguém na primeira fila gritou uma pergunta sobre como eu estava me sentindo. Eu não conseguia responder. Eu só olhava para Sofia, esperando que ela dissesse que era uma piada de mau gosto.

Mas o golpe final ainda estava por vir.

"E para evitar qualquer mal-entendido", ela disse, e então fez uma pausa dramática, virando-se para o homem sentado na outra ponta da mesa, Miguel, nosso preparador físico. Ela pegou a mão dele. "O pai do meu filho é o Miguel."

O mundo explodiu. Gritos, perguntas, flashes. Miguel, que sempre fora um bajulador, agora olhava para mim com um ar de triunfo, um sorriso presunçoso no rosto. Vi tudo em câmera lenta: a mão de Sofia na dele, os repórteres se acotovelando para conseguir o melhor ângulo, o meu próprio rosto pálido e chocado refletido nas lentes das câmeras. Fui publicamente humilhado, traído e descartado na frente de todos.

Consegui me levantar, a cadeira arrastando ruidosamente no chão. Eu precisava sair dali. O ar estava rarefeito, sufocante.

"João, espere", disse Sofia, a voz agora baixa, mas cheia de uma autoridade fria que eu nunca tinha ouvido antes.

Eu a ignorei e caminhei em direção à saída dos fundos, o único caminho para escapar daquele circo. Os seguranças abriram caminho para mim através da multidão de jornalistas que agora me cercavam, gritando perguntas que eu não conseguia processar.

No corredor vazio e silencioso dos bastidores, eu me apoiei na parede, tentando respirar. Minhas pernas tremiam. Minha vida inteira, construída em torno dela e do futebol, tinha acabado de ser demolida em menos de cinco minutos.

Passos ecoaram no corredor. Eram Sofia e Miguel.

"Você não pode simplesmente ir embora assim", disse ela, parando na minha frente. Seu rosto não tinha mais o sorriso para as câmeras, apenas uma frieza calculada.

"O que mais você quer de mim, Sofia?", minha voz saiu rouca, um sussurro. "Você já tirou tudo."

"Não tudo", ela respondeu, e seus olhos fixaram-se no meu pescoço. "Me dê a medalha."

Eu instintivamente levei a mão ao peito, cobrindo a pequena medalha de São Jorge que pendia de uma corrente. Meu pai me deu antes de morrer. Era a única coisa que eu tinha dele. Meu amuleto da sorte, minha conexão com ele.

"Não", eu disse, firmeza crescendo dentro de mim pela primeira vez naquele dia. "Isso não."

"Não seja ridículo, João Carlos", ela zombou. "É só um pedaço de metal. Você não precisa mais dele. Eu, por outro lado, tenho um futuro para construir."

"Isso fica comigo", repeti, olhando diretamente nos olhos dela.

O rosto de Sofia se contorceu em uma carranca feia.

"Miguel", ela chamou, sem desviar o olhar de mim.

Miguel, que estava quieto até então, deu um passo à frente. Ele era maior e mais forte do que eu, especialmente no meu estado atual, com o corpo desgastado por anos de treinamento excessivo e jogos sem descanso. Meus joelhos doíam, minhas costas reclamavam. Eu era uma máquina de futebol quebrada.

"Entregue a medalha, campeão", disse Miguel com um tom de deboche. "Não torne as coisas mais difíceis."

"Nunca", eu disse, cerrando os punhos.

Sofia suspirou, um som impaciente.

"Faça", ela ordenou a Miguel.

Miguel agarrou a frente da minha camisa e me empurrou contra a parede. O impacto fez minha cabeça bater no concreto, e uma dor aguda explodiu na parte de trás do meu crânio. Ele tentou arrancar a corrente do meu pescoço. Eu me debati, tentando me soltar, mas ele era forte demais.

"Larga ele!", gritei, empurrando-o com a força que me restava.

Ele riu e me deu um soco no estômago. O ar saiu dos meus pulmões em um sopro doloroso, e eu dobrei de dor.

"Você deu tudo por mim, João", disse Sofia, sua voz cruel ecoando no corredor. "Você sacrificou seu corpo, sua saúde, seus joelhos... tudo para que pudéssemos ter uma vida boa. E eu agradeço por isso. Mas agora, seu corpo não vale mais nada. Você está acabado. Eu preciso de alguém forte ao meu lado."

Ela acariciou o braço de Miguel enquanto falava.

Enquanto eu lutava para respirar, as memórias vieram em um turbilhão. Os treinos sob chuva, com o joelho inchado, porque precisávamos do dinheiro do bicho. As noites sem dormir por causa da dor, enquanto ela dormia tranquilamente ao meu lado. As injeções de analgésicos antes de cada partida, que ela mesma insistia que eu tomasse, dizendo que era pelo nosso futuro. Anos de sacrifício, de dor silenciosa, para vê-la me humilhar e me tratar como lixo.

Miguel me agarrou pelo cabelo, forçando minha cabeça para trás.

"A medalha", ele rosnou no meu ouvido.

Com um último pingo de adrenalina, eu o chutei na perna. Ele grunhiu de dor e me soltou por um segundo. Foi o suficiente. Eu o empurrei para longe e corri, mancando, em direção à saída de emergência no final do corredor.

"Peguem ele!", Sofia gritou.

Dois seguranças do clube, homens que antes me cumprimentavam com respeito, agora corriam atrás de mim, seguindo as ordens dela. Eles me alcançaram na porta, me agarraram e me jogaram no chão com força. Caí de mau jeito sobre o ombro, e uma dor lancinante me atravessou.

Sofia e Miguel se aproximaram lentamente, como predadores encurralando sua presa.

"Eu te avisei para não dificultar as coisas", disse Sofia, olhando para mim com desprezo.

Ela se agachou, e por um momento, pensei que ela ia me ajudar. Em vez disso, ela cuspiu no chão ao meu lado.

"Você é patético. Um cãozinho que não sabe quando parar de seguir o dono", disse ela. "Agora, sobre o nosso último assunto pendente. Há um jogo beneficente na próxima semana. O patrocinador principal é muito importante para os meus novos negócios. Você vai jogar."

"Eu não consigo", eu disse, a dor no ombro e no estômago me deixando sem fôlego. "Estou machucado. Meu médico disse que preciso de cirurgia."

"Seu médico trabalha para o clube. E o clube trabalha para mim agora", ela disse com um sorriso gelado. "Miguel vai te dar umas injeções especiais. Você vai jogar, vai sorrir para as câmeras e vai me fazer ganhar muito dinheiro. É o mínimo que você pode fazer depois de todos os anos que eu 'perdi' com você."

Era a última humilhação. Forçar-me a jogar quebrado, a me sacrificar mais uma vez, não pelo nosso futuro, mas pelo futuro dela com outro homem.

Tentei me levantar, mas um dos seguranças colocou o pé nas minhas costas, me prendendo no chão frio.

"E depois do jogo, você some", continuou Sofia. "Vou te dar um pouco de dinheiro, o suficiente para você voltar para aquele buraco de onde saiu. Mas a casa, os carros, os investimentos... tudo fica comigo. Tenho contratos que provam que tudo foi adquirido através da minha empresa."

Ela tinha planejado tudo. Cada passo. Por quanto tempo ela vinha me enganando?

Eu não disse nada. Apenas fechei os olhos, a dor física se misturando com a agonia da traição.

"Levem ele para o quarto de hóspedes da nossa... da minha casa", ela ordenou aos seguranças. "Tranquem a porta. Não o deixem sair até o dia do jogo."

Eles me arrastaram pelos braços, e a última coisa que vi foi o sorriso vitorioso de Sofia, enquanto ela e Miguel se beijavam sobre o meu corpo derrotado. Eu era um prisioneiro, um fantoche quebrado cujo único propósito era dar um último show para a sua rainha cruel.

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