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Capa do romance O Astro: O amor é mais importante que tudo

O Astro: O amor é mais importante que tudo

Zeynep pertence a uma tradicional família turca e acaba forçada a aceitar um casamento de conveniência com o maior astro da televisão do país. Diante do público, eles vivem um conto de fadas perfeito, mas os bastidores revelam uma trama de sedução e segredos. Embora o contrato dite as regras, a atração física torna-se inevitável. Entre mentiras e desejos, os dois lutam contra o sentimento real que surge em uma história tão intensa quanto as noites da Turquia.
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Capítulo 2

Emir sentiu-se mal assim que sentou ao volante; pensou que era uma leve tontura, os olhos fecharam e a inconsciência que lhe tomou o corpo fez com que o pé pisasse no acelerador, que respondeu prontamente. O rapaz só abriu os olhos quando sentiu que tinha batido em algo e piscou diversas vezes, agradecido por ser apenas uma impressão.

Até que viu a morena batendo na porta do carro; ela era muito bonita, mas nem isso o fez abrir os olhos.

Só recobrou um pouco da consciência quando Murat o agitou. Viu sirenes piscando com tons multicores e tentou avisar ao amigo que o erguia que não havia necessidade de uma ambulância, pois ele estava bem, apesar de que a cabeça latejava e era difícil permanecer em pé.

— Olha o que você fez, seu monstro — uma jovem muito bonita, de imensos olhos azuis o agredia.

Quando olhou para o chão, Emir notou um jovem caído. O desespero apoderou-se dele, afinal ele era um ótimo motorista e tomava todo o cuidado para não cometer nenhuma falha nos raros momentos em que dirigia.

Ele tinha bebido apenas dois goles daquela bebida, e não entendia como ficara bêbado tão rápido.

Emir tentava explicar o que aconteceu, mas Murat andava de um lado para o outro e era difícil acompanhar o amigo.

Os paramédicos colocavam o rapaz na maca, Murat o instigava, a jovem gritava e ele fixou o olhar nela, que abraçava a si mesma. Como era mesmo o nome dela? Outono. Ele gostava do outono. Deu dois passos em direção a ela e a escuridão o engoliu.

Zeynep estava em choque com o que tinha acontecido; Yasin tinha que ser levado às pressas para a emergência, e Tuğba, gritando sem parar ao seu lado, não ajudava em nada.

Um sentimento de culpa se abateu sobre ela. Se tivesse insistido um pouco mais com o "astro", seu cunhado não teria se machucado.

Ela sabia que Emir Ozkurt tinha sido drogado, viu o momento em que a mulher colocou a droga no seu copo. Ela detestava aquele homem, mas não era injusta e não sabia o que fazer. Procurou Emir e o viu caído no chão; correu até ele e nesse momento Murat notou que o amigo estava caído e entrou na frente da jovem, impedindo que ela chegasse até ele.

Todos foram levados para o mesmo hospital, e o destino agiria novamente.

Quando Emir recobrou os sentidos, estava em uma cama de hospital; Murat, parado ao seu lado, conversava com o médico.

Emir recobrou os sentidos, sua cabeça estava zonza ainda, mas o mal-estar já havia passado. Nesse momento lembrou-se do que acontecera, e, com certa dificuldade, perguntou ao amigo sobre o jovem que tinha sido atropelado; Murat comunicou-lhe que o rapaz estava bem e fora de perigo.

— Agora, para evitar o que vem a seguir... Veja bem, é para que você não tenha que lidar com outro tipo de problema. E dessa vez um problema bem sério....

— Evitar?

— Sim, Emir, você permanecerá internado por tempo indeterminado para não sair daqui e ir direto para a delegacia. O dia já amanheceu, eles não pensariam em nenhum motivo para que você ficasse solto. Vou atrás de um advogado conseguir um habeas-corpus e...

— Murat, eu estou bem. Hoje à tarde tenho um encontro com o produtor daquele filme de Hollywood, e eu não posso simplesmente ficar internado.

— Então reze, isso é bom. Vai aprender a não beber antes de dirigir.

— Murat, eu só toquei os lábios naquele copo; primeiro, porque era um champanhe de péssima qualidade, e depois porque eu... — freou o pensamento, ele largara a bebida e tinha ido atrás da maquiadora, pois ela parecia mais suscetível a ele.

— Então reze por um milagre! A família do rapaz vai te acusar, e você precisa de uma testemunha que prove que não bebeu ou que sua bebida tinha sido batizada.

Pela cara do amigo, Emir Ozkurt percebeu que tinha se metido em uma confusão que não seria tão fácil de resolver.

O que ele não imaginava era que Zeynep estava na porta, pensando em lhe dizer poucas e boas, e acabou por ouvir tudo.

A jovem sabia que ele dizia a verdade, tinha sido drogado e não estava bêbado. Que a droga tinha sido colocada na sua bebida. Mesmo detestando esse homem, ela não iria deixá-lo pagar por algo que fora apenas um acidente.

Saiu sem ser vista e foi até a delegacia, onde entrou com passos firmes e foi direto ao atendente.

— Bom dia! Sou Zeynep Baysal e estou aqui para testemunhar a favor do senhor Emir. Eu sou a pessoa que viu o momento em que uma mulher colocou algo em sua bebida e vi o acidente. Posso afirmar que ele não atropelou ninguém de propósito.

***

Quando Murat recebeu a notícia de que havia uma testemunha e que Emir poderia responder em liberdade por causa dela, entrou no quarto e viu o grande ator com um humor que deixou Murat assustado.

— Bom dia, chefe! Sua noite deve ter sido boa, já que acordou com ótimo humor — disse com ironia.

— Bom dia, meu querido amigo. Sim, estou com um ótimo humor, depois de passar esse tempo todo tendo que me fingir de morto.

— Tenho uma boa notícia, você terá alta daqui a pouco e iremos para casa. A sua bela maquiadora testemunhou a seu favor, ela viu tudo. Acredita que o rapaz acidentado é cunhado da moça? Que mundo pequeno...

— Ela está aqui?

— Não. Hoje à tarde você segue firme com a entrevista com o produtor....

— Zeynep...

— O que você disse, Emir?

— Eu disse vamos para casa, mas no caminho quero passar em um pet shop, preciso comprar dois gatos.

— Gatos? Para quê?

— Saia, eu preciso me trocar.

Emir estava muito bem-humorado, não havia apenas saído de uma enrascada como poderia seguir com os planos da tarde.

Desceram por uma saída privativa e foram direto ao pet shop, onde pediu um casal de gatos.

A moça trouxe uma gata mesclada em preto e branco e um gato de uma tonalidade quase dourada.

— Quero uma coleira que se divida, existe?

— Que se divida? Como assim?

— Um coração que se parta em dois, tem? — Murat ergueu a sobrancelha e Emir ignorou.

— Eu tenho a coleira, mas esse coração o senhor encontra na joalheria e...

— Obrigado. Murat, pague a moça. E coloque os gatos em caixas de transporte diferentes.

Emir saiu correndo e foi à joalheria, a atendente mostrou uma peça do jeito que ele desejava; em uma das partes mandou gravar Outono e na outra Spring.

Só então foram para a cobertura de Ozkurt, que deixou Murat com os gatos e subiu para o segundo andar do duplex, afim de tomar um banho demorado.

Precisava tirar o cheiro de éter do corpo, aquele odor enjoativo e característico de hospital; separou uma roupa pouco usada e desceu fechando o relógio.

Murat tomava café e arregalou os olhos para o amigo, que estava vestido de uma maneira diferente do habitual.

— Desculpe a minha indiscrição, mas esse presente é para o seu novo caso? —perguntou enquanto Emir abria uma das caixas de transporte e tirava uma foto do gato alojado ali, mas levava o outro.

Emir deu uma risada cheia de intenções, pegou um pedaço de pão, tomou um gole do suco de laranja e se despediu do amigo.

Desceu pelo elevador e se dirigiu até a garagem, onde estava sua Mercedes reserva; detestava aquele carro, mas não havia outra maneira, com o carro no conserto, tinha que seguir com aquele. Digitou um endereço no GPS e foi dirigindo pelas ruas de Istambul.

Quase uma hora depois, chegou ao seu destino.

O bairro em que Zeynep morava ficava em um dos lados mais pobres da cidade.

Emir desceu do carro, estava usando um boné preto e óculos escuros, em um visual esporte para tentar passar despercebido pelas pessoas.

Andou um pouco e achou a casa da garota, era pintada de amarelo e um pouco velha; ele bateu e segundos depois a porta se abriu.

Quando Zeynep apareceu, usava jeans, uma blusa branca amarrada na cintura e um lenço enfeitando seus cabelos longos; estava muito despojada, e, mesmo assim, parou por um instante e ficou apreciando a beleza daquela mulher.

Ele tirou os óculos e ambos ficaram alguns minutos perdidos nos olhos um do outro.

— Obrigado senhorita, eu...

— Não fiz nada além do que eu deveria, não me agradeça. Ontem eu queria te falar que alguém colocou algo na sua bebida.

— Me desculpe; mas, me diga, ficou com saudade?

— Saudade? Desculpa, eu não entendi.

— De mim — Emir se aproximou, mais consciente da beleza da jovem e menos impactado pelo que ela lhe causava.

— Senhor Ozkurt, eu não tenho um único motivo para notar a sua presença, quanto mais a ausência.

— Touché. Eu te trouxe um presente.

— Senhor Emir, eu não quero nada seu, eu fiz por que... — as palavras morreram quando Emir tirou Outono da caixa de transporte. O olhar dela ganhou um novo brilho.

— Esta é Outono, quero que fique com ela, Zeynep.

— Ela é linda, ai meu Deus — Zeynep abraçou a gata e Emir se aproximou um pouco mais.

— Este é Spring, que significa primavera. Ele é meu, e veja, as coleiras se completam — Emir mostrou a foto que tirara há pouco. Zeynep olhou a coleira da gata que segurava.

— Senhor Ozkurt, eu...

— Emir, me chame de Emir — ele deu mais um passo enquanto olhava fixamente a boca da jovem, que correspondeu. O rapaz chegou a inclinar-se para ela e só não a beijou porque Murat chegou.

— Emir, você esqueceu a ração — o senhor Ozkurt olhou para ela, o momento havia passado.

— Deixe a ração aí. Adeus, Zeynep. Minhas recomendações. Até breve... — se despediu visivelmente confuso.

Ele saiu pisando duro, sem olhar para trás.

Zeynep estava nervosa, depois de quase ter sido pega beijando aquele cara.

— Garota estúpida, caindo no charme daquele Casanova. Ele te diz meia dúzia de palavras bonitas e você já se derrete toda — disse a si mesma, fechando a porta.

Envergonhada com o que tinha acontecido, esqueceu completamente da Outono, que estava de volta à caixa. Deu um sorriso, e pegou a gatinha no colo; ela era tão fofinha, como ele adivinhou que seu sonho de menina era um animal daqueles?

A jovem não conseguia acreditar que o mesmo homem arrogante do primeiro encontro era o mesmo que esteve ali alguns minutos atrás.

Ficou pensando se ele não teria um irmão gêmeo, e era ele quem estivera ali.

Perdida em seu mundo onde haviam apenas outono e primavera, não notou o momento em que sua mãe e irmã chegaram em casa.

— Irmãzinha, de quem é esse gatinho lindo?

Zeynep, assustada, não soube o que falar e inventou a primeira coisa que veio à cabeça.

— Zehra ganhou de um pretendente; bem, vocês sabem como ela é alérgica, não poderia ficar com o gatinho. E acabou dando para mim, assim ela pode visitar.

Fazilet olhou desconfiada e não acreditou muito naquele papo, mas preferiu se calar.

Apenas lembrou-se do carro caro que estivera no bairro. Havia algo ali.

Já Emir tentava explicar o que estava acontecendo entre ele e a maquiadora.

— Murat, eu...

— Apenas tome cuidado e não magoe a moça. Vamos ao que nos interessa.

Murat passou as informações do jantar que Emir teria com um produtor americano, o horário e o local, que seria no restaurante do hotel da família dele.

Essa era a primeira oferta internacional, e Murat estava apostando todas as suas fichas no estrelato do amigo.

Emir se despediu de Murat, dizendo que iria para casa descansar um pouco até o horário do jantar. No caminho foi lembrando daquele quase beijo. Como um quase mexera tanto com ele?

Não conseguia tirar essa garota da mente! Desejava ter sentido aqueles lábios, e sabia que ela não era indiferente a ele, como poderia ser? Não sabia se aquilo era atração, tesão reprimido ou se ele tinha uma dívida de gratidão por ela tê-lo ajudado a se livrar da prisão. Mas Zeynep era linda, e o jeans marcava seu corpo de uma maneira perfeita.

Pensou no que ela fazia naquele momento, pegou Spring no colo e o gato ronronou.

— A primavera é mais fácil que o outono, meu amigo.

***

Zeynep se sentia estranha, lembrando do quase beijo no astro. Perdida em pensamentos, com Outono em seu colo, se assustou quando o celular tocou.

Era Ayşen avisando que precisariam dela naquela noite. A gravação seria em um hotel, e a amiga informou que a van da produção iria buscá-la às seis horas da tarde.

A jovem tinha algumas horas até lá, e passou a organizar seu material para o trabalho.

Pontualmente, a van chegou para pegar Zeynep, que por muito tempo só lembraria daquilo.

***

Emir descia para o restaurante do hotel, mas uma jovem atendente explicou que o produtor o esperava em um dos quartos.

Ele subiu com a chave-cartão e, ao abrir o quarto foi dominado pela escuridão. Quando abriu os olhos, levou alguns minutos para entender onde estava. Havia uma mulher dormindo em seu peito, ele a tirou delicadamente e notou que era Zeynep.

Deslizou a mão por sobre si mesmo e notou que estava apenas de cueca. Não teve coragem de tocá-la, e a chamou até que abrisse os olhos. Quando a jovem despertou, estava tão ou mais assustada que ele.

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