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Capa do romance O Arquiteto de Sua Própria Ruína

O Arquiteto de Sua Própria Ruína

Arquiteta de sucesso, eu vivia uma farsa com Caio Ferraz, um político que me drogava e sabotou minha carreira para me controlar. Após descobrir seu casamento secreto e que ele causou um incêndio para me desonrar, entendi que fui sua prisioneira por anos. Com apoio do meu padrinho, produzi um documentário revelador em Londres. Agora, planejo invadir o sinal do seu comício final para expor seus crimes e destruir sua imagem pública diante de todos.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Helena Jansen

Bati a porta do cofre, o clique ecoando o estalo final e definitivo do meu coração se partindo. Meus movimentos eram bruscos, espasmódicos, como se um estranho operasse meus próprios membros. Empurrei a gravura de volta ao lugar bem quando seus passos soaram na escada.

Ele apareceu na porta do escritório, a imagem perfeita do político carismático. A gravata estava frouxa, o sorriso cansado, mas caloroso, e os braços abertos para mim.

"Oi, meu amor", ele disse, sua voz um murmúrio baixo e íntimo. "Dia longo. Senti sua falta."

Eu o encarei. O homem que amei por sete anos. O homem que me abraçou quando meus pais morreram. O homem cuja ambição eu defendi, cujos sonhos eu tratei como meus. Ele era um estranho. Um monstro usando uma máscara familiar e bonita.

Meu rosto devia ser uma tela em branco de choque, porque seu sorriso vacilou. "Helena? Tudo bem? Você está pálida."

Ele se moveu em minha direção, a mão se estendendo para o meu rosto. Eu recuei, um movimento brusco e involuntário.

Sua mão congelou no ar. A mágoa brilhou em seus olhos, uma atuação magistral. "O que foi?"

As palavras não se formavam. Minha garganta era um deserto. Eu tinha a certidão de casamento gravada na parte de trás das minhas pálpebras, o áudio de seus cálculos frios ecoando em meus ouvidos. Helena é para a imagem; Carina é para a dinastia.

Ele suspirou, um som de quem está sendo sobrecarregado. "É por causa do baile de gala hoje à noite? Eu sei que você odeia essas coisas, mas é importante. É para o hospital infantil."

Ele sempre fazia isso. Enquadrava qualquer conflito em potencial como se eu estivesse sendo difícil, ou estressada, ou não apoiando o suficiente o bem maior que ele supostamente servia. Gaslighting. Eu tinha lido o termo, mas nunca senti sua névoa sufocante até este momento.

"Estou bem", consegui engasgar. As palavras tinham gosto de cinzas.

Sua expressão se suavizou, a preocupação voltando a fluir para suas feições como se fosse ensaiado. "Não, não está. Você tem trabalhado demais. Deixa eu cuidar de você."

Ele me conduziu para fora do escritório, o braço em volta dos meus ombros. Seu toque parecia uma marca de ferro, uma reivindicação de propriedade que agora eu achava repulsiva. Na cozinha, ele começou a pegar os ingredientes para a minha massa favorita, tagarelando sobre seu dia, sobre uma vitória na câmara municipal, sobre como estávamos perto de fazer uma diferença real.

Eu o observava, um fantasma na minha própria casa, e via tudo com uma clareza horrível. Sua vida era um palco, e eu era apenas um adereço. Um adereço muito bonito, muito bem-sucedido e muito bem posicionado.

Ele se virou, segurando uma garrafa de vinho. "Um brinde? A nós. Ao futuro Sr. e Sra. Ferraz."

O som que escapou dos meus lábios foi uma risada estrangulada, fina e frágil.

Ele franziu a testa. "Qual é a graça?"

"Nada", eu disse, moldando minhas feições em uma máscara de neutralidade. "Estou só... cansada."

Ele acreditou. Claro que acreditou. Em seu mundo, minhas emoções eram coisas simples, administráveis, facilmente explicadas pela fadiga ou pelo estresse. Não eram reações complexas a uma traição devastadora porque, em seu mundo, essa traição não existia para eu ver.

Mais tarde, enquanto ele dormia, eu deitei ao seu lado, rígida e fria, encarando o teto. O celular dele, que ele havia deixado descuidadamente na mesa de cabeceira, vibrou. Eu o alcancei, meus movimentos lentos, deliberados.

Era uma mensagem de um contato salvo como 'CS'. Carina Schmidt.

A mensagem dizia: 'A joia de família ficou linda em você. Vi as fotos do lançamento da joalheria. Mal posso esperar para que seja minha de verdade. H dorme ao seu lado agora, mas eu durmo com o nosso futuro.'

Anexada havia uma foto. Era uma captura de tela de um blog de alta sociedade cobrindo uma festa de lançamento de joias que eu participei na semana passada. Na foto, eu usava o anel de noivado que Caio me deu – uma peça deslumbrante, moderna e personalizada. Mas o texto não era sobre o meu anel.

Carina havia circulado algo na mão de outra mulher ao fundo. Um anel de sinete. A joia da família Ferraz. Um anel de ouro antigo e pesado, destinado à esposa do filho mais velho dos Ferraz. Caio me disse que estava sendo restaurado, que ele queria que eu tivesse algo que fosse puramente 'nosso', não ligado ao passado.

Mas lá estava ele. Não no meu dedo. Não na oficina de um restaurador. Na mão de uma socialite em uma festa. Não, espere. Eu dei zoom. A mensagem de Carina implicava... que era a mão dela. Ela devia estar na festa.

Senti uma nova onda de náusea. Ele não tinha apenas dado seu nome a outra mulher. Ele tinha dado a ela o meu lugar. Ele tinha dado a ela o anel que deveria simbolizar minha entrada em sua família, em sua história.

E eu estava posando para as câmeras, sorrindo, usando a bugiganga bonita e sem sentido que ele mandou fazer para me manter quieta.

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