Capa do romance O Aroma de Matcha da Traição Dele

O Aroma de Matcha da Traição Dele

9.7 / 10.0
Após dez anos de um casamento baseado em uma profecia de sucesso, descobri que meu marido me trocou por sua estagiária, Anaís. No nosso aniversário, ele a beijou enquanto fingia fidelidade. Decidida, pedi o divórcio e fugi para a Chapada Diamantina, mas ele me perseguiu e agrediu meu guia, Caio. No auge do confronto e de suas acusações possessivas, uma ligação de Anaís revelou uma gravidez inesperada, exigindo um casamento imediato com ele.

O Aroma de Matcha da Traição Dele Capítulo 1

Meu casamento de dez anos foi uma mentira transacional, construída sobre a profecia de uma astróloga de que meu mapa astral garantiria o sucesso do meu marido. Mas no meu aniversário, ele me abandonou para levar sua jovem estagiária, Anaís, ao festival de ficção científica com o qual eu sonhava há anos.

Ele chegou em casa cheirando ao perfume adocicado de matcha dela, com um elástico de cabelo verde e uma lembrança do festival guardados no bolso. Ele me chamou de dramática, disse que ela era "frágil" e precisava dele.

Na nossa festa de aniversário, que deveria ser seu grande pedido de desculpas, eu o vi beijá-la apaixonadamente no terraço durante a queima de fogos. Ele ainda sussurrava promessas em meu ouvido, completamente alheio.

Naquela noite, deixei para ele os papéis do divórcio e minha aliança.

Mas ele me rastreou na minha viagem solo para a Chapada Diamantina, me encontrando com meu novo guia, Caio. Ele deu um soco em Caio e depois me acusou de traição. "Você me pertence!", ele rugiu.

Nesse exato momento, o celular dele tocou. Era uma videochamada de uma Anaís histérica.

"Heitor, eu estou grávida! Meus pais estão furiosos! Eles estão exigindo que a gente se case imediatamente!"

Capítulo 1

Ponto de Vista de Kátia Soares:

O dia em que finalmente entendi que meu casamento de dez anos era uma mentira transacional não começou com um grito. Começou com um cheiro. O persistente aroma adocicado de matcha de outra mulher no terno caro do meu marido.

Heitor Bastos, o ambicioso CEO de tecnologia, meu marido, estava atrasado. De novo. Era meu aniversário. Não que isso importasse mais. Ele havia prometido por semanas que finalmente iríamos àquele festival de cinema de ficção científica de nicho sobre o qual eu falava desde a faculdade. Uma promessa tão vazia quanto nossa cama na maioria das noites. Mas este ano, foi pior.

Ele entrou, a gravata afrouxada, um leve sorriso presunçoso brincando em seus lábios. "Dia difícil no escritório, querida", ele murmurou, jogando o paletó em uma cadeira. Anaís Neves, sua nova estagiária, tinha chorado de novo. Ele saiu correndo, me deixando sozinha com nosso jantar intocado. Ele disse que ela era "frágil". Eu me perguntei o que "frágil" significava em seu dicionário.

Peguei o paletó dele. O cheiro de matcha me atingiu primeiro, enjoativamente doce e pegajoso. Então, enfiado no bolso do peito, um pequeno e vibrante elástico de cabelo verde. Não era meu. Meu cabelo era escuro, meus elásticos, pretos. Anaís, eu sabia, amava lattes de matcha e usava acessórios verdes vibrantes. Uma onda de náusea me revirou o estômago.

"Heitor", eu disse, minha voz neutra, "você levou a Anaís ao festival de cinema?"

Ele parou, no meio de desabotoar a camisa, seus olhos se voltando para o paletó. "Ah, isso? Ela estava muito chateada, Kátia. Sobrecarregada com o trabalho, sabe. Pensei que uma distração pudesse ajudar. E ela mencionou que gosta de ficção científica." Ele deu de ombros, como se estivesse explicando por que comprou a marca errada de café. "Foram só algumas horas. Nada demais."

Meu estômago se revirou. Nada demais. Essa era a palavra dele para tudo que importava para mim. Minhas paixões, meu tempo, meu coração.

"Você me abandonou no meu aniversário", afirmei, sem perguntar.

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo perfeitamente penteado. "Kátia, não seja dramática. Podemos ir no próximo fim de semana. Eu até trouxe algo para você." Ele gesticulou para a bancada da cozinha. Uma pequena caixa elegantemente embrulhada estava lá, ao lado de uma embalagem de delivery de... mochi sabor matcha. Minha garganta se fechou. Ele sabia que eu odiava matcha. Sempre soube.

"Mochi de matcha, Heitor?" Minha voz era quase um sussurro. "Você sabe que eu detesto matcha. A Anaís adora."

Ele estalou a língua, um sinal familiar de sua irritação crescente. "É um lugar novo na rua. Todo mundo está elogiando. Eu só pensei... talvez você quisesse experimentar algo novo." Ele pegou a caixa, empurrando-a em minha direção. "Feliz aniversário, Kátia. Agora, vamos fazer um escândalo por causa disso, ou vamos ser razoáveis?"

Razoáveis. O código dele para 'cale a boca e aceite minhas mentiras'.

Olhei para o mochi, depois para o elástico verde ainda apertado em minha mão. "Heitor", eu disse, minha voz ganhando uma calma perturbadora, "isso não é sobre mochi. É sobre você. De novo."

Ele jogou as mãos para o alto. "O que foi agora? Você está chateada porque a Anaís teve um dia ruim? Ela é tão jovem, tão ingênua. Ela realmente me admira, Kátia. Não posso simplesmente abandoná-la."

"Abandoná-la?" As palavras tinham gosto de cinzas. "Você me abandona, Heitor. Todos os dias. Mas Deus me livre que sua estagiariazinha sinta um momento de desconforto."

Seus olhos se estreitaram. "Não seja ciumenta, Kátia. Não te cai bem. Ela é só uma garota. Estou ajudando ela. Você deveria ser mais compreensiva. Mais... magnânima."

Magnânima. A palavra pairou no ar, pesada com sua condescendência. Minha mente voltou a uma década atrás, à profecia da guia espiritual. "O mapa astral dela é uma combinação perfeita para garantir o sucesso da empresa dele." Não "o coração dela", não "o intelecto dela", mas "o mapa astral dela". E agora, Anaís tinha exatamente os mesmos mapas, doze anos mais jovem. Eu era substituível. Sempre fui.

Uma força estranha e silenciosa começou a se desenrolar dentro de mim. "Sabe de uma coisa, Heitor?" Encarei seu olhar, meus olhos secos. "Talvez eu devesse ser magnânima. Talvez eu devesse apenas abrir espaço para ela."

O queixo dele caiu. "Do que você está falando?", ele esbravejou, seu rosto uma máscara de confusão e um vislumbre de pânico. "Não seja absurda."

"Sua mãe quer netos, não quer?", continuei, minha voz neutra. "E a Anaís é doze anos mais jovem. Com um mapa astral compatível. Pense no potencial ilimitado para o seu império, Heitor. Não precisa se contentar com um modelo mais antigo com a sorte vencida."

O rosto dele ficou vermelho vivo. "Kátia, já chega!" Ele deu um passo em minha direção, a mão buscando meu braço. "Não seja ridícula. Vamos só... conversar sobre isso. Você é minha esposa." Ele tentou me puxar para perto, uma tentativa familiar de amenizar as coisas com um toque, um beijo. Sempre funcionava antes.

Mas não esta noite. Eu me desviei dele, o cheiro de matcha e de outra mulher agarrado a ele com muita força. Minha pele se arrepiou.

Ele tropeçou, surpreso com minha evasão. "Kátia!", ele rugiu, frustrado. Ele agarrou meu pulso, com força. "Pare com essa palhaçada."

Minha mão, ainda segurando o elástico verde, voou. Ele escorregou do meu aperto, caindo no chão de mármore polido com um baque suave. Ao lado dele, um pequeno token de prata. Uma nave espacial em miniatura. O item de colecionador de edição limitada distribuído na sessão VIP do festival de ficção científica. Aquele que eu queria há anos.

Seu aperto afrouxou, seus olhos caindo para o token. Um vislumbre de culpa, rapidamente substituído por indignação, cruzou seu rosto. "É só uma lembrancinha. Eu ia dar para você."

"Uma lembrancinha que você por acaso pegou em um festival para o qual levou sua estagiária, no meu aniversário, depois de me abandonar", completei por ele. Minha voz estava calma, calma demais. O tipo de calma antes da tempestade.

"Kátia, não seja assim. Eu posso te comprar uma dúzia desses. Uma sessão particular. O que você quiser. Apenas..." Ele parou, seu celular zumbindo insistentemente em seu bolso. Ele olhou para a tela, e seu rosto empalideceu visivelmente. Anaís.

Ele gaguejou: "Eu... eu tenho que atender. Problema importante com um cliente. Eu volto logo. A gente conversa." Ele fez menção de ir em direção à porta, atrapalhando-se com as chaves.

"Não se preocupe com isso, Heitor", eu disse, uma estranha sensação de leveza me preenchendo. "Acho que já dissemos tudo o que havia para ser dito."

Ele me lançou um olhar perplexo enquanto saía correndo, ainda tentando atender a ligação, ainda tentando orquestrar suas mentiras. A porta bateu atrás dele.

Alguns minutos depois, meu celular vibrou. Uma notificação do Instagram de Anaís Neves. Uma selfie. Seu rosto sorridente, aninhado no ombro de Heitor. Ao fundo, o letreiro de neon brilhante do festival de cinema de ficção científica. A legenda dizia: "Melhor. Aniversário. Da. Vida. Graças ao mentor mais incrível que uma garota poderia pedir! #Abençoada #AmuletoDaSorte"

Amuleto da sorte. As mesmas palavras que a guia espiritual usou para mim, dez anos atrás.

Uma calma profunda se instalou em mim. Não havia dor, nem lágrimas. Apenas uma clareza silenciosa e resoluta. Tinha acabado. Tudo. A mentira, o fingimento, a década de me sacrificar por um homem que me via como nada mais do que um adereço astrológico.

Caminhei até nosso quarto, puxando uma mala de lona empoeirada do fundo do armário. Meus dedos roçaram os velhos troféus de programação, o equipamento de escalada que eu não tocava há anos. Um sorriso, pequeno e genuíno, tocou meus lábios.

Era hora de me resgatar.

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