
O Aniversário Esquecido: Uma Escolha Cruel
Capítulo 2
No dia do nosso terceiro aniversário de casamento, o meu marido, Pedro, não voltou para casa.
Em vez disso, recebi uma mensagem dele.
"A Sofia teve um acidente de carro. Estou no hospital com ela."
Olhei para a mesa cheia de pratos que eu tinha passado a tarde a cozinhar, todos os seus favoritos, e para o bolo que eu mesma tinha feito.
Senti um aperto no peito.
Respondi, tentando manter a calma.
"Ela está bem? Em que hospital estão? Eu vou já para aí."
A resposta dele demorou a chegar.
"Não precisas de vir. É só um arranhão. Ela só está assustada."
Um arranhão? Um arranhão que o obriga a passar a noite do nosso aniversário no hospital com ela?
A Sofia era a ex-namorada dele. Uma mulher frágil e delicada que, segundo ele, tinha sofrido muito na vida e precisava de proteção.
A nossa relação de três anos tinha sido uma batalha constante contra a sombra dela.
Ele prometeu-me inúmeras vezes que só a via como uma irmã mais nova.
Eu acreditei nele. Ou melhor, forcei-me a acreditar.
Mas desta vez, algo partiu-se dentro de mim.
"Pedro, hoje é o nosso aniversário."
Enviei a mensagem e esperei. Minutos transformaram-se numa hora. Sem resposta.
Liguei-lhe. O telemóvel estava desligado.
O meu coração afundou-se. Ele nunca desligava o telemóvel.
Senti-me uma idiota, sentada sozinha na nossa casa escura, rodeada pela comida fria.
A campainha tocou, assustando-me.
Era a minha sogra, a Dona Isabel. Ela entrou, o seu olhar crítico a varrer a mesa.
"Ele não veio, pois não?"
Não respondi. O meu silêncio era a resposta.
"Eu avisei-te, Helena. Avisei-te que o meu filho tem um coração mole. A Sofia precisa dele."
"Eu também preciso dele. Eu sou a mulher dele."
A minha voz saiu mais fraca do que eu pretendia.
"Mulher? Uma mulher que nem consegue segurar o seu homem? A Sofia deu-lhe os melhores anos da sua juventude. O Pedro deve-lhe isso. Tu devias ser mais compreensiva."
Compreensiva? Eu tinha sido compreensiva durante três anos.
A raiva começou a borbulhar dentro de mim.
"Se ele a ama tanto, porque é que se casou comigo?"
"Porque tu eras a escolha sensata! Estável, de boa família. Mas o coração, Helena, o coração não escolhe o que é sensato."
Ela pegou num pedaço de pão da mesa e mordeu-o com desdém.
"Pára de fazer birra. Ele volta quando a Sofia estiver melhor. Sê uma boa esposa e espera."
Depois de ela sair, fiquei a olhar para o telemóvel.
Decidi que já não ia esperar mais.
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