
O Aniversário Esquecido: Uma Escolha Cruel
Capítulo 3
Na manhã seguinte, o Pedro chegou a casa.
Ele parecia cansado, com olheiras debaixo dos olhos.
"Desculpa, amor. A Sofia ficou muito abalada, não a podia deixar sozinha."
Ele tentou abraçar-me, mas eu recuei.
"Ela ficou no hospital?"
"Não, eu levei-a para casa dela. Fiquei lá para me certificar de que ela ficava bem."
Ele ficou na casa dela a noite toda. A imagem deles os dois juntos invadiu a minha mente.
"Pedro, eu quero o divórcio."
As palavras saíram diretas, sem hesitação.
Ele ficou chocado. A sua expressão passou de cansaço para incredulidade.
"O quê? Estás a brincar? Por causa disto? Helena, não sejas infantil."
"Infantil? Eu passei o nosso aniversário de casamento sozinha, a olhar para uma mesa cheia de comida que tu nem te deste ao trabalho de provar. E tu dizes que eu sou infantil?"
"A Sofia teve um acidente! O que é que querias que eu fizesse? Deixá-la sozinha na berma da estrada?"
A sua voz subiu de tom, a frustração a tomar conta dele.
"Ela não tem família? Não tem amigos? Porque é que tem de ser sempre tu, Pedro? Porque é que a ex-namorada tem prioridade sobre a tua esposa?"
"Não é uma questão de prioridade! É uma questão de responsabilidade! Eu sou a única pessoa que ela tem!"
"E eu? Eu não sou ninguém?"
As lágrimas começaram a formar-se nos meus olhos, mas eu recusei-me a deixá-las cair.
"Helena, pára com o drama. Eu amo-te. Tu sabes disso. A Sofia é apenas... a Sofia. É complicado."
"Não, Pedro. Não é complicado. Tu fizeste a tua escolha ontem à noite. Agora eu estou a fazer a minha. Eu quero o divórcio."
Virei-lhe as costas e fui para o quarto. Comecei a tirar as minhas roupas do armário e a metê-las numa mala.
Ele seguiu-me, a sua voz agora a suplicar.
"Helena, por favor. Não faças isto. Vamos conversar. Nós podemos resolver isto."
"Não há nada para resolver. Eu já resolvi."
Fechei a mala com um clique alto. O som ecoou no silêncio tenso do quarto.
"Para onde é que vais?"
"Para a casa da minha mãe. O meu advogado entrará em contacto contigo."
Passei por ele, a mala a bater-lhe na perna. Ele não me tentou impedir.
A sua expressão era de pura confusão, como se não conseguisse compreender como tínhamos chegado a este ponto.
Mas para mim, era muito claro. Isto não começou ontem. Isto foi o culminar de três anos de desrespeito e promessas quebradas.
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