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Capa do romance O Amor que Transcende Até a Morte

O Amor que Transcende Até a Morte

No meu 25º aniversário, descobri a traição do meu namorado de sete anos com minha melhor amiga. Após ser falsamente acusada e abandonada ferida na neve, lutei contra um câncer terminal em segredo. Ele só soube a verdade tarde demais. Enquanto ele tentava se redimir, eu já partia para Curitiba, deixando uma mensagem final de perdão. Meu último sacrifício foi libertá-los para viverem esse amor, enquanto eu enfrentava sozinha o fim da minha vida.
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Capítulo 2

Alícia Lacerda (Ponto de Vista)

"Vamos, sua lerda!", chamei, minha voz falsamente alegre, tentando quebrar a tensão espessa que parecia pairar no ar como uma mortalha. Observei Camila enquanto ela andava um pouco rápido demais, um pouco descuidada demais, em direção à sala de estar.

Ela tropeçou. Não um tropeço gracioso, mas um solavanco de corpo inteiro que a fez cair de cara no chão. Um estalo seco ecoou no apartamento silencioso. Meu estômago revirou.

"Camila!", gritei, correndo para frente.

Ela havia caído bem ao lado da mesinha onde estava meu bolo de aniversário, suas velas ainda apagadas. O impacto fez a caixa do bolo voar e, com um baque nauseante, meu lindo e cuidadosamente escolhido bolo "sinfonia do oceano" – uma delicada confeitaria de glacê azul e branco, adornada com minúsculas conchas de açúcar – aterrissou de cabeça para baixo no tapete felpudo.

Meu bolo de aniversário. Despedaçado. Assim como todo o resto.

Ajoelhei-me ao lado dela, minhas mãos se estendendo, mas Caio foi mais rápido. Ele já estava lá, seus braços ao redor de Camila, seu rosto marcado por uma preocupação imediata e crua.

"Você está bem? Se machucou?" Sua voz estava carregada de uma ternura que enviou uma nova onda de dor através de mim. Ele nem sequer olhou para o bolo arruinado. Todo o seu foco estava nela.

Minha mão estendida parou, pairando inutilmente no ar. Ele não me viu. Ele não sentiu minha preocupação. Eu era um fantasma na minha própria sala de estar. Minha mão lentamente caiu de volta ao meu lado, sentindo-se de repente pesada, inútil.

O rosto de Camila estava pálido, mas foi o lampejo de culpa em seus olhos quando ela encontrou meu olhar que realmente me atingiu. Seus lábios se pressionaram em uma linha fina, um pedido de desculpas silencioso, talvez. Ou talvez, uma afirmação de onde suas lealdades agora estavam. O silêncio momentâneo que se seguiu foi ensurdecedor, sufocante.

Caio, ainda a embalando, finalmente olhou para mim. Sua expressão endureceu, uma estranha mistura de acusação e defensiva. "Alícia, por que você não estava prestando atenção? Você deveria ter dito a ela para ter cuidado!"

Minha respiração falhou. Minhas próprias pernas, bambas de fadiga e da dor sempre presente, mal me sustentavam. Ele estava me culpando? Pela falta de jeito dela? Senti um nó frio se formar em meu estômago. Era nisso que eu havia me tornado para ele? Um inconveniente? Um fardo? A casca frágil de uma pessoa, facilmente descartada, facilmente culpada.

Olhei para o bolo, uma bagunça triste e açucarada no chão. As intrincadas conchas de açúcar, tão amorosamente trabalhadas, estavam esmagadas, sua beleza delicada destruída. Era uma metáfora perfeita para a minha vida, para o meu relacionamento, para nós. Quebrado sem conserto.

Minha mente disparou, saltando do presente doloroso para o futuro aterrorizante. Eu estava morrendo. E tudo o que eu queria era deixar este mundo com um pingo de paz, sem o engano deles pairando pesado no ar. Eles mereciam felicidade, mesmo que fosse um com o outro. Mesmo que isso partisse meu coração. Eu não seria uma mártir, mas também não seria uma vilã.

Forcei um sorriso frágil, afastando a ardência das lágrimas. "Está tudo bem, Caio. Acidentes acontecem." Minha voz soou perturbadoramente calma, até para mim mesma. "Camila, deixe-me ver se você se arranhou em algum lugar."

Caio ainda a segurava, mas ele se moveu um pouco, permitindo-me olhar mais de perto. Peguei gentilmente a mão de Camila, examinando sua palma. Já, um pequeno corte estava começando a sangrar.

"Oh, querida, você está sangrando", eu disse, minha voz suavizando apesar do caos em meu coração. "Vamos limpar isso."

Camila puxou a mão, seus olhos arregalados e brilhantes. "Alícia, me desculpe. O bolo... seu aniversário..." Sua voz sumiu, embargada pela emoção.

"Não seja boba", eu disse, forçando um tom leve. "É só um bolo. Sério, não é nada. Só estou feliz que você não se machucou gravemente." Apertei seu braço, tentando transmitir um calor que eu não sentia. "Honestamente, estou feliz por ter vocês dois aqui. Esse é o verdadeiro presente." As palavras pareciam pesadas, cheias de significado não dito. E estou feliz que vocês estejam felizes, mesmo que não seja comigo.

Caio, nos observando, pigarreou. "Vou pegar umas toalhas de papel para o bolo. E um kit de primeiros socorros para a Camila." Ele se moveu rapidamente, quase ansioso para escapar da atmosfera sufocante.

"Não se preocupe com o bolo", chamei atrás dele, minha voz monótona. "Apenas se concentre na Camila. Eu posso limpar isso mais tarde." Eu não preciso de um bolo. Eu não preciso de mais nada agora.

Eu desejava que eles fossem felizes, de verdade. Mesmo que meu coração estivesse se partindo em um milhão de pedaços, mesmo que meu tempo estivesse se esgotando. Eu só queria que eles ficassem bem, mesmo que isso significasse meu próprio sofrimento silencioso.

Levei Camila ao banheiro, minha mão em suas costas. Sua pele parecia fria através da camisa. Acendi a luz, o brilho fluorescente forte revelando o tremor em suas mãos.

"Deixa eu pegar um antisséptico para você", eu disse, alcançando o armário de remédios.

Camila sentou-se na beirada da banheira, os ombros caídos. "Alícia, eu... eu me sinto péssima. Por tudo." Sua voz era quase um sussurro.

Parei, minha mão pairando sobre um frasco de água oxigenada. "Péssima com o quê, querida? Foi um acidente. Pedimos um bolo novo amanhã. Ou melhor ainda, vamos fazer um, como nos velhos tempos." Forcei entusiasmo em minha voz.

Ela balançou a cabeça, lágrimas brotando em seus olhos. "Não só pelo bolo. Por tudo. Eu só... eu não sei o que dizer."

Virei-me, dando-lhe um sorriso gentil e reconfortante. "Você não precisa dizer nada. Somos melhores amigas, lembra? Sempre. Você sempre será minha irmã." As palavras ficaram presas na minha garganta. Eu as dizia com cada fibra do meu ser. Ela era minha família. Mais que família. Foi ela quem me ensinou o que o amor realmente significava, muito antes de Caio aparecer. Foi ela quem me fez sentir digna dele.

Camila apenas me encarou, seu olhar nublado por lágrimas não derramadas, seus lábios tremendo. Ela não disse nada, apenas me observou com uma intensidade que falava de mil coisas não ditas.

Caio voltou, um rolo de papel toalha e um pequeno kit de primeiros socorros nas mãos. Ele olhou para nós, seus olhos examinando Camila, depois a mim. Ele pigarreou novamente. "A área do bolo está limpa. Comprei um novo para você, Alícia. É um simples de baunilha, mas pelo menos está inteiro." Ele gesticulou vagamente em direção à cozinha.

Um bolo novo. Um simples de baunilha. Meu coração se torceu. A sinfonia do oceano se foi, substituída por algo simples, comum. Assim como minha vida havia se tornado.

Voltamos para a sala de estar, a memória do bolo arruinado rapidamente varrida, física e emocionalmente. Caio colocou a pequena caixa de bolo branca na mesa de centro. O ar ainda estava denso com palavras não ditas, mas agora, uma fina camada de celebração forçada o cobria.

"Feliz aniversário, Alícia!", disse Camila, colocando os braços ao meu redor, puxando-me para um abraço apertado. Ela beijou minha bochecha, seus lábios frios. "Faça um pedido."

Fechei os olhos, o calor familiar de seu abraço um estranho conforto. Desejo a eles felicidade. Desejo a eles uma vida juntos, livre de culpa, livre do fardo de mim. E desejo um fim pacífico.

Quando abri os olhos, Camila ainda estava sorrindo, um pouco brilhante demais. Ela me puxou em direção à mesa de centro. "Ok, primeiro os presentes!", ela chilreou. Ela pegou uma pequena caixa elegantemente embrulhada, colocando-a em minhas mãos. "Este é meu!"

Peguei a caixa, meus dedos roçando o papel frio. Olhei para Caio, que estava um pouco afastado, o olhar fixo em Camila. Ele a observava, não a mim, seus olhos cheios de uma intensidade que fez meu peito apertar. Meu coração doía, uma batida familiar e surda. Ele a vê. Apenas ela. A percepção me atingiu novamente, fresca e afiada.

"Abra o meu primeiro!", disse Caio, dando um passo à frente, um tom competitivo em sua voz. Ele pegou outra caixa, quase idêntica em tamanho e embrulho à de Camila. "Não, o meu! Passei séculos escolhendo!"

Camila o empurrou de brincadeira. "De jeito nenhum! As damas primeiro! Além disso, o meu é melhor!"

Eles discutiram, uma troca leve e provocadora que enviou uma nova onda de náusea através de mim. Era tão fácil para eles, essa dinâmica lúdica, essa conexão natural. Era tudo o que Caio e eu costumávamos ser. Tudo o que Camila e eu costumávamos ser.

"Tudo bem, tudo bem, vocês dois", eu disse, minha voz cansada. "Vamos abrir os dois ao mesmo tempo, assim não há favoritismo." Segurei as duas caixas, forçando um sorriso que parecia que ia rachar meu rosto.

Rasguei o intrincado papel de embrulho de ambos, meus dedos um pouco desajeitados. Duas pequenas caixas de veludo estavam aninhadas dentro. Abri a de Camila primeiro. Dentro, em uma cama de cetim branco, havia uma delicada corrente de prata. Preso a ela, um pequeno e intrincado pingente: uma onda do oceano perfeitamente esculpida, sua crista brilhando com pequenos diamantes quase imperceptíveis.

Minha respiração ficou presa. Minha mão tremeu quando a alcancei.

Então abri a caixa de Caio. A mesma corrente de prata delicada. E nela, um pingente em forma de uma majestosa cordilheira, seus picos polvilhados com os mesmos pequenos e brilhantes diamantes.

A sala ficou em silêncio. Minhas mãos, segurando os dois pingentes, congelaram. Os olhos de Caio estavam arregalados, fixos nas joias combinando. O rosto de Camila perdeu a cor, sua mandíbula frouxa. O ar crepitou com uma verdade tão alta que gritava.

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