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Capa do romance O Amor que Transcende Até a Morte

O Amor que Transcende Até a Morte

No meu 25º aniversário, descobri a traição do meu namorado de sete anos com minha melhor amiga. Após ser falsamente acusada e abandonada ferida na neve, lutei contra um câncer terminal em segredo. Ele só soube a verdade tarde demais. Enquanto ele tentava se redimir, eu já partia para Curitiba, deixando uma mensagem final de perdão. Meu último sacrifício foi libertá-los para viverem esse amor, enquanto eu enfrentava sozinha o fim da minha vida.
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Capítulo 3

Alícia Lacerda (Ponto de Vista)

Os dois pingentes repousavam em minhas mãos trêmulas, testemunhas silenciosas de uma traição que parecia um soco no estômago. A onda de prata de Camila, a montanha de prata de Caio. Idênticos em estilo, design, até os minúsculos e brilhantes diamantes. Não eram apenas presentes; eram metades de um todo, projetadas para se entrelaçar, para pertencerem uma à outra. Mar e montanha, para sempre conectados. Era o mesmo design que eu havia escolhido para Caio semanas atrás, um símbolo do nosso amor duradouro. Agora, era inegavelmente deles.

O rosto de Camila era uma máscara de pânico, seus olhos saltando dos colares para Caio, depois para mim, suplicantes. Seus lábios se moveram, mas nenhum som saiu.

Senti uma calma fria descer sobre mim, um desapego estranho e aterrorizante. Minha voz, quando saiu, estava surpreendentemente firme, um pouco brilhante demais. "Meu Deus! Que coincidência! Vocês dois têm um gosto tão parecido!" Forcei uma risada, um som frágil e agudo que não alcançou meus olhos. "São absolutamente lindos. E com um tema tão perfeito juntos!"

Peguei cuidadosamente o pingente de onda de sua caixa e o prendi em volta do meu pescoço. Então, com um floreio exagerado, peguei o pingente de montanha e, apesar do nó sufocante na minha garganta, o coloquei por cima da onda. Dois símbolos, agora repousando em meu peito, um peso pesado contra meu coração falho.

"Viram?", chilreei, minha voz ainda perturbadoramente alegre. "Ficam perfeitos juntos! É como se vocês dois soubessem exatamente o que eu queria. Muito obrigada a ambos." Até mandei um beijo para eles, uma tentativa desesperada e patética de manter a ilusão de felicidade.

Peguei meu celular, forçando-me a sorrir para uma selfie, os dois colares brilhando na minha clavícula. "Ok, todo mundo sorrindo! Foto de aniversário!" O flash disparou, nos cegando momentaneamente, capturando um momento de alegria forçada que era tudo menos isso.

O ar na sala permaneceu denso, pesado, apesar de minhas tentativas desesperadas de aliviá-lo. A tensão era uma coisa palpável, um cobertor sufocante. A mandíbula de Caio estava cerrada, um músculo trabalhando furiosamente. Seus olhos estavam escuros, cheios de uma mistura de culpa e algo mais que eu não conseguia decifrar — medo, talvez, do que eu sabia, ou do que eu faria.

Camila, sempre rápida no raciocínio, embora claramente perturbada, pigarreou. "Bem, sabe, grandes mentes pensam igual! Eu estava dizendo ao Caio o quanto você amava o oceano, e ele deve ter... pegado o tema também." Sua explicação era frágil, transparente, mas ela se agarrou a ela como a uma tábua de salvação.

Caio apenas assentiu, o olhar fixo na mesa, não oferecendo mais explicações, nem mais mentiras. Seu silêncio era um grito. Ele a deixou carregar o peso do engano deles sozinha. Meu coração doeu, não apenas pela traição, mas pela fraqueza que vi nele.

Minha mente girava, um turbilhão de dor e confusão. Estava confirmado. Inegável. Eles não estavam apenas emocionalmente envolvidos; estavam entrelaçados, suas vidas, seus presentes, seus segredos. E eu, sem saber, me tornei o fio que os unia. A percepção foi uma pedra fria e dura no meu estômago.

"Bem, isso pede um brinde, não é?", declarei, minha voz ainda anormalmente brilhante. Peguei uma garrafa de espumante do cooler, minhas mãos tremendo apenas um pouco. "Aos vinte e cinco! E à... amizade." A última palavra foi um eco amargo.

Servi três taças, as bolhas borbulhando alegremente, um contraste gritante com o desespero borbulhando dentro de mim. Bebi profundamente, deixando a queimação aguda do álcool cortar a dor crua em meu peito. Eu queria não sentir nada. Eu queria afogar a traição, o câncer, a realidade estilhaçante da minha vida, em um mar de esquecimento feliz.

Camila, talvez tentando acompanhar meu ritmo ou escapar de sua própria culpa, bebeu com a mesma avidez. Logo, sua energia normalmente ardente começou a diminuir, substituída por uma fala ligeiramente arrastada e pálpebras pesadas. Ela foi a primeira a sucumbir. Sua cabeça pendeu para o lado, então ela desabou nas almofadas do sofá, um murmúrio suave e incoerente escapando de seus lábios.

"...Caio... sempre soube... que você seria bom para ela... para mim..." Suas palavras se perderam, perdidas nas profundezas de seu sono bêbado.

Meu coração se apertou. Eu queria perguntar a ela o que ela queria dizer. Bom para quem? O que ela sabia? Mas minha garganta estava apertada, sufocada por lágrimas não derramadas. Eu não conseguia falar. Eu não conseguia me mover.

Caio, com uma facilidade praticada que fez meu estômago revirar, levantou Camila gentilmente. Ele a pegou sem esforço, a cabeça dela repousando em seu ombro, o braço dela frouxamente pendurado em seu pescoço. Era um abraço familiar e íntimo. Um que ele uma vez reservara para mim.

"Vou levá-la para o quarto de hóspedes", ele murmurou, sua voz suave, quase terna, enquanto olhava para Camila. Ele não encontrou meu olhar. "Ela está apagada."

Eu apenas assenti, meus olhos fixos em suas formas se afastando. Ele a carregou com cuidado, como se ela fosse feita de vidro frágil, seus passos leves e determinados. A porta se fechou com um clique, deixando-me sozinha na sala de estar silenciosa, as taças de espumante ainda brilhando na mesa, o bolo arruinado uma memória distante e esquecida.

Eles pertenciam um ao outro. Estava claro agora. A maneira como ele a segurava, a maneira como ela dizia o nome dele mesmo dormindo. A conexão deles era inegável, uma força silenciosa me empurrando para fora de sua órbita. Eu era a relíquia, a substituta, aquela que simplesmente havia ficado tempo demais. E eu não podia lutar contra isso. Eu estava muito cansada. Muito doente. Muito quebrada.

Caminhei até a mesa de centro, pegando uma fatia do bolo de baunilha simples que Caio havia trazido. Tinha um gosto sem graça, sem inspiração, como tudo em minha vida havia se tornado. Dei uma mordida, depois a coloquei de lado, a doçura se transformando em cinzas na minha boca. Meu apetite, já diminuído pelo câncer, havia desaparecido completamente.

Retirei-me para o meu quarto, fechando a porta suavemente atrás de mim. Eu não estava fazendo as malas para deixar Caio. Eu estava fazendo as malas para um tipo diferente de jornada. Uma para a qual eu vinha me preparando, em segredo, por meses. Abri meu armário, puxando uma pequena bolsa de lona.

Enquanto começava a limpar alguns dos meus pertences antigos, minha mão roçou um compartimento escondido no fundo da gaveta da minha mesa de cabeceira. Dentro, cuidadosamente guardados, havia objetos em miniatura, símbolos de nossas memórias compartilhadas: uma pequena concha de nossa primeira viagem à praia, um telescópio em miniatura da noite em que assistimos a uma chuva de meteoros, uma flor prensada do jardim que começamos juntos. Dezenas deles, cada um um pedaço tangível de nossos sete anos.

Sorri, um sorriso genuíno e agridoce. Tivemos tantas memórias lindas, tantos sonhos compartilhados. Meu coração doeu pela pureza daquele amor, pela inocência daqueles dias. Tracei o contorno de um pequeno pássaro de madeira, um presente de Caio em nosso primeiro aniversário. Ele mesmo o havia esculpido.

Meus dedos roçaram uma linha tênue, quase invisível, nas costas do pássaro. Uma pequena escrita gravada. Meu coração martelou contra minhas costelas. Eu o virei. E então eu vi.

Não era uma falha na madeira. Era escrita. Palavras minúsculas e meticulosamente esculpidas.

Camila riu hoje. Aquela risada profunda e rouca que ilumina a sala. Alícia estava quieta, como sempre. Às vezes me pergunto o que ela está pensando.

Minha respiração falhou. Mais. Havia mais. Peguei outro item, um farol em miniatura. Palavras nas costas:

Camila me contou sobre seu sonho de abrir um orfanato. Sua paixão é incrível. Sinto uma atração por sua força, seu fogo. Alícia sempre parece tão frágil, tão delicada. Quero proteger as duas, mas de maneiras diferentes.

Minhas mãos tremiam incontrolavelmente agora. Abri outro, e depois outro. Cada um, um pequeno diário de suas afeições mutáveis. Suas queixas sobre minha natureza quieta, sua admiração pela vivacidade de Camila, sua crescente preocupação por ela, sua proteção. Seu amor.

Camila chorou hoje, falando sobre seu passado. Meu coração doeu por ela. Eu queria apenas abraçá-la, dizer a ela que tudo ficaria bem. Alícia estava dormindo. Ela sempre parece estar dormindo ultimamente.

As datas eram escalonadas, abrangendo meses, até anos. Seus sentimentos por ela não haviam florescido da noite para o dia. Eles haviam crescido, lentamente, insidiosamente, bem debaixo do meu nariz, enquanto eu estava tão focada em lutar minha própria guerra silenciosa. Cada pequena escultura, uma confissão de infidelidade emocional, um cinzel lascando meu coração.

A mais recente, esculpida há apenas alguns dias, nas costas de um pico de montanha em miniatura. A outra metade de seu presente.

Eu sei que preciso ser honesto. Não é justo com a Alícia. Eu a amo, de verdade, mas... algo mudou. Acho que estou apaixonado pela Camila. E ela... acho que ela pode sentir o mesmo. Preciso contar para a Alícia. Logo.

As palavras se borraram diante dos meus olhos. Lágrimas escorreram pelo meu rosto, quentes e ardentes. Ele ia me contar. Ele ia terminar comigo. Mas não tinha. Ainda não. Ele estava apenas esperando o momento certo. Esperando para arrancar meu coração, pedaço por pedaço doloroso.

Uma tosse súbita e violenta me atravessou, sacudindo meu corpo, me dobrando ao meio. Meus pulmões queimaram, um gosto metálico e forte enchendo minha boca. Quando o espasmo finalmente diminuiu, olhei para minha mão. Estava salpicada de sangue. Vermelho vivo, gritante contra minha pele pálida.

Limpei freneticamente, tentando esconder a evidência, tentando me recompor. Mas era tarde demais. Minha visão embaçou.

De repente, a porta se abriu com um rangido. Caio estava lá, silhuetado contra a luz fraca do corredor. "Alícia? Você está dormindo?" Sua voz era hesitante, carregada de uma estranha mistura de preocupação e algo mais... culpa?

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