
O amor que superaria a maldição
Capítulo 3
Ponto de vista de Shawn:
Após me levantar, aproximei-me de Sylvia e segurei seu queixo com força, obrigando-a a me encarar e indagando rispidamente: "Você já sabia do nosso vínculo de parceiros, não é?"
Sylvia, por sua vez, apenas comprimiu os lábios, se negando a responder. Os olhos dela estavam opacos e até demonstravam tédio, como se não se desse a mínima com o fato de eu ser seu parceiro.
"Por que não falou nada antes?" Enquanto meu polegar deslizava suavemente por sua bochecha, uma paixão intensa voltou a incendiar meu corpo.
"O que exatamente você esperava que eu dissesse? 'Desculpe ter atrapalhado sua orgia'?", retrucou Sylvia, se afastando do toque da minha mão.
"Sylvia! Não seja tão ingrata assim", rugi, encarando-a com raiva.
Qualquer loba se sentiria honrada em ser a parceira de um Alfa. Porém, o que eu não imaginava era que uma garota como Sylvia fosse desprezar tanto essa ideia. Afinal, ela não passava de uma escrava qualquer! Então como ela se atrevia?
"Prefiro que você coloque alguma roupa, em vez de ficar dizendo besteiras. Isso pendurado em você não é nada além de uma aberração, Shawn", resmungou Sylvia.
Suas palavras me irritaram tanto que agarrei o pescoço dela.
"Me solte!" Ela tentou se desvencilhar de mim, seu rosto ficando cada vez mais vermelho.
Não fiquei nem um pouco comovido com o sofrimento dela. Na verdade, eu me limitei a observá-la com frieza.
"A filha de uma traidora nunca será digna de ser minha parceira. No entanto, como estou de bom humor hoje, talvez eu deixe você ficar ao meu lado. Não como minha parceira, é claro, mas sim como uma de minhas amantes. Se aceitar, deixarei você ir."
"Só nos seus sonhos!", Sylvia murmurou com dificuldade, enquanto se engasgava.
"Sou Shawn Gibson, o próximo Alfa dessa matilha. Você não passa de uma simples escrava, filha de uma traidora barata odiada por milhares de lobisomens! Como você se atreve a achar que pode se voltar contra mim?"
"Alfa? Para eles, você é apenas uma marionete", zombou Sylvia, exibindo um sorriso sarcástico.
As palavras dela estavam começando a me deixar irritado de verdade. Com um gesto rápido do braço, eu a lancei ao chão.
"Sua vagabunda! Você ainda se acha alguém nobre, não é? Se esse acordo não é do seu agrado, talvez eu deva considerar outra solução, como torná-la uma escrava sexual. Assim, milhares de lobisomens diferentes poderão foder você dia e noite! Será que depois disso você ainda continuará se considerando tão nobre?"
Como meus pais morreram quando eu era muito jovem, acabei não podendo assumir a posição de Alfa antes. Na época, o Gama acabou assumiu provisoriamente o papel de Alfa. Durante muitos anos, o Gama esteve no comando de todos os assuntos da matilha, como regente provisório. Com isso, os integrantes da matilha passaram a depositar sua confiança nele. Mas agora, à beira de assumir como Alfa, sentia que não possuía a confiança ou o domínio sobre essas pessoas.
E a culpada de tudo isso foi a mãe de Sylvia, aquela traidora. Como ela podia zombar de mim agora?
Caída no chão, Sylvia tossiu algumas vezes e depois respirou profundamente. Então ela me encarou e, sem demonstrar qualquer sinal de medo, falou: "Já terminou? Posso voltar ao trabalho agora?"
"Bem. Se deseja tanto ser uma escrava, tornarei isso oficial para você", eu comecei, sorrindo maliciosamente. "Eu, Shawn Gibson, futuro Alfa da Matilha Lua Negra, rejeito formalmente você, Sylvia Todd, como minha parceira."
Encarei Sylvia com um olhar frio, esperando que o arrependimento surgisse em seu rosto e que ela deixasse escapar algumas lágrimas.
Contudo, ela se pôs de pé lentamente, exibindo uma expressão apática. Até parecia que ela estava... aliviada.
"Agradeço por isso, Shawn."
Confuso, pisquei algumas vezes, me questionando o que havia de tão significativo na minha declaração anterior que merecesse gratidão. Por que essa escrava miserável não demonstrou tristeza?
Antes que eu dissesse algo mais, Sylvia me lançou um sorriso frio e disse: "Eu, Sylvia Todd, filha da falecida Beta Olivia Todd da Matilha Lua Negra, reconheço e aceito sua decisão de me rejeitar."
Após proferir tais palavras, Sylvia girou em seus calcanhares e saiu, sem sequer olhar para trás. Fiquei tão surpreso com o que acabara de acontecer que não consegui detê-la e ter a última palavra.
Tudo o que eu queria era ameaçá-la. Afinal, após ter rejeitado o Alfa, eu sabia que ela jamais conseguiria encontrar um lobisomem superior!
Permaneci ali por um bom tempo, atônito com o fato de que a loba escrava aceitou minha rejeição sem qualquer sinal de tristeza ou hesitação.
Em um acesso de raiva, arremessei o vaso ao meu lado, o quebrando em diversos pedaços. Com isso, comecei a elaborar um plano em minha mente para torturá-la e fazê-la lamentar sua escolha.
"O que você fez, Shawn? Você estava, mais uma vez, se comportando de maneira impulsiva! Por que rejeitou Sylvia? Nunca mais encontraremos uma parceira tão bela quanto ela! Vá atrás dela logo! Traga-a de volta, por favor!" Zeke estava furioso.
"Não, Zeke! Ensinarei a ela uma lição da qual ela não irá se esquecer jamais." Ao observar Sylvia se afastando pela janela, tudo o que eu desejava era que ela retornasse, apenas para que eu pudesse destruí-la.
"E como você pretende ensinar essa lição a ela? Não exagere, Shawn. Você está prestes a assumir a posição de Alfa. Este é o momento de criar uma reputação sólida, não de agir com imprudência", disse Zeke, tentando me convencer.
"O Príncipe Rufus estará presente na minha cerimônia de posse hoje. Soube que ele é cruel e implacável. Em certa ocasião, um bando deu uma escrava como presente a ele, e ele a submeteu a torturas até que ela encontrasse seu fim! Então pretendo enviar Sylvia para a cama dele."
"O quê? Não! Você enlouqueceu? Ao fazer isso, você estará basicamente condenando-a à morte! Sylvia é sua parceira!", protestou Zeke com veemência.
"Não é mais", afirmei entre dentes.
Claramente, meu lobo se recusava a abrir mão de Sylvia, assim como meu corpo. Sempre que ela surgia nos meus pensamentos, aquela paixão intensa voltava a dominar minha mente. No entanto, isso não me incomodava. Quando ela estivesse à beira da morte pelas torturas do Príncipe Rufus, ela acabaria de joelhos, suplicando desesperadamente para voltar para mim.
Lamentavelmente, minha cama era o único lugar onde permitia que escravas humildes como ela fizessem suas súplicas.
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