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Capa do romance O amor de um Invisível

O amor de um Invisível

Iuri superou o bullying do passado para se tornar um CEO poderoso, mas nunca esqueceu a dona dos olhos violetas que o encantou na infância. Após ser humilhado por ela na escola, ele ressurge sete anos depois buscando vingança. Agora, sua antiga paixão é sua secretária e enfrenta a miséria após ser abandonada pela família. Entre o rancor e o desejo, Iuri planeja descartá-la após uma noite, enquanto ela luta desesperadamente por seu perdão e redenção.
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Capítulo 2

10/05/2019 - Nova York, Manhattan, Upper East Side.

[ Visão de Iuri Stevens]

Mais uma vez acordo atrasado, esqueci de alarmar o despertado ontem, virei a noite assistindo anime. Quando fui dormir já passavam das quatro da manhã, e agora são exatamente sete e dez, tenho apenas vinte minutos para chegar na escola.

Olho no espelho, nada mudou, meu rosto cheio de espinhas, corpo esguio, altura mediana. Meus olhos estão cheio de olheiras, estou maratonando animes a uma semana, mas não me importo. Pego minha mochila em cima da cadeira na mesa do computador e a jogando sobre o ombro desço correndo os degraus da escada, a passos rápidos sigo para a copa e encontro com a governanta da casa.

— Bom dia Iuri — senhora Lueni me cumprimenta.

Ela é uma senhora de sessenta e nove anos, trabalha para meus pais desde antes do meu nascimento, creio eu ela ser desde a época de meu avô, que infelizmente já não está mais entre nós, morreu de causas naturais enquanto dormia, já estava com noventa e sete anos.

O semblante da senhora Lueni é de cansaço, seus cabelos estão completamente brancos, mas seus olhos azuis e o seu sorriso ainda são bem jovens. Tenho muito carinho por ela.

— Bom dia! — falo rápido.

— Atrasado mais uma vez?

— Sim, ontem perdi o horário assistindo anime — falo e mordo a maçã.

— Você precisa parar de assistir tantos animes, pode acabar deixando suas notas caírem! — fala preocupada.

— Não se preocupe, eu sou um gênio — falo e pisco para ela.

— Ainda bem! — sorri com minha graça.

— Vou me indo, senão perco o primeiro horário — dou um beijo em sua testa e ando para fora da casa.

— Vá com Deus — ouço seu grito antes de fechar a porta.

Já estou com dezoito anos de idade, deveria ter saído do ensino médio no ano passado, mas no ensino fundamental acabei repetindo um ano, fizeram uma brincadeira pesada comigo, misturaram ovos e estrume de cavalo dentro de um balde e fizeram uma armadilha na porta da sala, quando eu a abrir o balde caiu sobre a minha cabeça, todos dentro da sala começaram a rir e jogavam resto de comida e papel em mim. Depois disso fiquei o resto do ano sem pisar lá, meus pais processaram a escola.

Troquei mais uma vez de escola, esse é o meu primeiro ano na Birch Wathen Lenox Shool, se nada der errado me formo esse ano. Apresso meus passos, fica apenas a quinze quadras de distância da minha casa. O ano letivo já está quase no final, minhas notas são altas, sou considerado um nerd pelos meus amigos, no caso, apenas Jorge. Somente ele me enxerga naquela escola.

Quando me transferi para lá, não esperava que na minha turma também estivesse Aya Millenis, a garota de olhos violetas gentis. Nós nos vimos apenas duas vezes, a segunda foi em uma social na empresa onde nossos pais trabalhavam há sete anos atrás, mas ela não trocou nenhuma palavra comigo.

Fico de longe apenas a observando, seus cabelos estavam soltos e iam até a sua cintura, sua coloração era preta. Seus olhos não mudaram, tais como me lembro quando éramos crianças, continuaram gentis, ela vestia um vestido infantil muito bonito, na cor rosa bebê, me lembro que tinha um laço bem grande de cor lilás em suas costas. Para a minha tristeza, ela não se lembra de mim, não lembra do nosso encontro quando pequenos e nem da social. E por eu ser tímido, nunca falei com ela na escola, apenas a observo de longe.

Bem, na escola eu sou completamente invisível, nunca chamei atenção e também nunca fui bom nos esportes, gosto de matemática. Mas nunca fui ao quadro quando o professor pedia voluntários, e para minha sorte, nunca fui um dos escolhidos., enfim, nunca tive nenhum tipo de destaque. Odeio a sensação de muitos olhares em mim, fico com a impressão que estão segurando o riso.

Olho para o relógio no meu pulso e faltam exatamente cinco minutos para o porteiro fechar o portão. Apresso meus passos, estou quase correndo, ainda faltam duas quadras. Faltando exatamente um minuto consigo alcançar o portão do edifício.

— Bom dia, senhor Mouares — cumprimento o porteiro.

— Bom dia, senhor Stevens, por pouco não ficou do lado de fora!

— Acho que estou com sorte — falo sorrindo.

— Sorte a semana toda, você mora tão perto, não entendo por que se atrasa.

— Tive que resolver alguns problemas — minto na maior cara de pau — Até depois senhor Mouares!

— Boas aulas senhor Stevens! Opa! Mais uma que quase perde o horário.

Sua fala me chama atenção e olho novamente para o portão, estou segurando o corrimão da escada com meu pé esquerdo pausado no primeiro degrau. Me sinto hipnotizado ao ver Aya passando pelo portão.

— Bom dia, senhor Mouares — ela falou simpática.

— Bom dia, senhorita Millenis, melhor se apressar.

— Assim farei!

Ela fica de costas para o porteiro e de frente para mim, mas não dirige seu olhar em minha direção, e nem me cumprimenta, passar por mim avoada correndo pelas escadas acima. Suspiro.

— Se continuar assim, não vai conseguir chamar atenção da menina — fala risonho o porteiro.

Se eu fosse mais bonito, bom em esportes, tivesse mais destaques entre os alunos, talvez ela olhasse para mim. Mas como sou um simples invisível no fundão da sala, tudo o que me resta é observá-la de longe. Na sala ela senta na primeira cadeira da última fileira perto da janela; eu me sento na última cadeira da primeira fileira perto da porta de entrada, escolhi me sentar lá porque assim tenho uma boa visão de suas costas.

Conformado, subo preguiçosamente os degraus, minha sala é a última porta à esquerda do corredor. O corredor não é tão longo, tem cerca de seis portas em cada lado do recinto, sou do segundo ano, sala-D. A porta já está aberta, entro na sala e todos já estão em seus devidos lugares, sobrando apenas o meu.

Leandro também está na mesma sala que eu, não sei o que fez ele repetir o ano, mas tenho para mim, que ele provavelmente deve ter sido expulso de alguma escola, apenas teoria.

Olho para Aya, ela está com seus fones de ouvido, eles tem orelhinhas de gato na colocação azul. Ela também não tem tanto destaque quanto as outras meninas, ela não usa maquiagem e nem uniforme curto como as outras, as capas de seus cadernos sempre são de animes, quando vi a primeira vez, fiquei feliz, pensei que sabendo desse fato que tínhamos em comum me faria criar coragem para conversar com ela, mas não consegui, desistir no meio do caminho.

Ela teve mais destaque por que a algumas semanas, ela se declarou para Leandro, ele apenas virou as costas e deixou ela falando sozinha. Isso me partiu o coração, ela gosta de outro, isso me doe. Leandro é alto, musculoso e bons nos esporte, burro nas matérias dentro da sala. Mas isso não impede das garotas caírem de amores por ele.

Ainda bem que ele nunca falou comigo, não gosto dele e nunca vou esquecer das maldades que ele e sua turma faziam comigo quando era mais novo.

— Terra chamando Iuri — saio de meus devaneios ao ouvir a voz de George.

— Oi, o que foi? — pergunto meio desnorteado.

— Você fez a atividade de matemática?

— Sim, por quê? — pergunto por pergunta, eu já sei qual é a resposta.

— Me empresta? Por favor, eu acabei esquecendo — faz carinha de cachorro sem dono.

— Novidade seria você se lembrar.

Abro a mochila, pego o caderno e abro na matéria de matemática.

— Bom dia turma! — o professor entra.

— merda! — George fala baixinho para o professor não escutar.

— Bom dia, professor Marcus! — todos, com exceção de mim e George, cumprimentam o professor.

— Tragam suas atividades, elas são equivalentes a dois pontos da unidade.

— Já vi que vou ficar de recuperação, ninguém merece — George reclama e abaixa a cabeça.

De certa forma eu até sinto pena dele, ele não é bom em praticamente todas as matérias, mas manda super bem no desenho. Eu espero todos entregarem, e aí por fim me levanto, levo o volto para meu assento o mais rápido possível.

— Antes de eu começar a correção, quero conversar com vocês que o baile de verão será para o final deste mês, todos já tem par?

Mais um baile em que eu não vou ter nenhuma participação, talvez eu até apareça, mas apenas para ver Aya. Talvez essa seja a última vez que eu a veja. O professor fala mais algumas coisas sobre o baile e então volta sua atenção para os cadernos em cima da mesa.

— Por que não convida a Aya para ser seu par  no baile? — George se vira para me perguntar, ele está sentado na cadeira da fileira ao lado da minha.

— Ela nunca aceitaria — afirmo me sentindo triste.

— O não você já tem, peça antes que outro o faça, eu nunca a vi com um par nos últimos bailes em que estive!

Nada o respondo, sei que não sou bonito, e as chances dela me aceitar são praticamente nulas, mas vou tentar, ao menos uma vez vou me arriscar, é melhor tentar e ouvir um não do que ficar com essa duvida me corroendo pelo resto da minha vida. Quando a aula acabar vou criar coragem e irei pedi-la para ser meu par no baile de verão. 

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