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Capa do romance O Altar, As Mentiras, A Penitência Dele

O Altar, As Mentiras, A Penitência Dele

Traída pela família e abandonada no altar por Caio, vivi cinco anos de dor criando meu filho, Léo. Agora, Caio retornou obcecado, usando testes de DNA para me tirar a criança e me levar à loucura. Após enfrentar agressões de minha irmã e romper com meus pais, descobri verdades cruéis sobre o passado. Embora Caio busque penitência, meu coração pertence ao homem que me protegeu em segredo por anos, finalmente pronta para um novo amor.
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Capítulo 1

Cinco anos atrás, meu noivo, Caio, me abandonou no altar. Minha irmã, Camila, armou para mim, e meus próprios pais ajudaram a me marcar como uma mulher promíscua que engravidou de um desconhecido.

Abandonada e humilhada, fui deixada para criar meu filho, Léo, sozinha, sobrevivendo a três tentativas de suicídio e a um colapso mental completo.

Agora, Caio está de volta. Ele está obcecado, convencido de que Léo é seu filho, e está tentando tirá-lo de mim. Ele até usou um teste de DNA para provar que Léo não é meu filho biológico, me empurrando de volta para a beira da insanidade.

Quando minha irmã tentou me desfigurar com ácido, eu finalmente revidei. Esbofeteei meus pais, cortando laços com a família que me usou e abusou.

Mas a verdade era muito mais distorcida do que eu jamais imaginei. A mãe de Caio confessou tudo — as mentiras, a manipulação, a verdadeira razão pela qual ele me abandonou.

Ele destruiu sua própria carreira em um ato de penitência, mas era tarde demais.

Porque o homem que me salvou, o homem que ficou ao meu lado por tudo isso, me amava em segredo há anos. E eu finalmente estava pronta para vê-lo.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Elisa Duarte:

O ar gelado de outono geralmente trazia uma calma silenciosa para as minhas manhãs, mas o toque do celular de Joel estilhaçou tudo, me puxando de volta para um passado que eu tentava desesperadamente enterrar vivo.

Estávamos sentados um de frente para o outro no pequeno café. O cheiro de grãos torrados e canela geralmente me enchia de um calor confortável. Hoje, parecia sufocante.

Joel sempre deixava o celular no silencioso, um hábito que eu aprendi a apreciar. Mas o toque repentino e estridente fez meu estômago se contrair. Ele olhou para a tela. Seu maxilar travou.

— Caio — ele murmurou, quase para si mesmo. O nome pairou no ar, pesado e cortante, como um caco de vidro.

Ele levantou o olhar, encontrando meus olhos por uma fração de segundo. Houve um lampejo de algo que não consegui decifrar — culpa? Pedido de desculpas? Ele desviou o olhar rapidamente.

Eu não reagi. Apenas virei a cabeça, olhando pela janela para a rua movimentada. Um grupo de adolescentes com moletons coloridos passou correndo, suas risadas ecoando.

Então, uma figura menor, um redemoinho de energia inesgotável, explodiu pelas portas do café. Léo. Meu filho. Ele segurava um pequeno troféu de plástico, o rosto iluminado de orgulho. Ele me viu, seus olhos se arregalando em círculos perfeitos de alegria.

Lá fora, as últimas folhas secas rodopiavam até o chão, pintando a calçada em tons de dourado e laranja queimado. Uma brisa fria as perseguia, uma dança final e cansada antes do inverno. Tudo parecia estar mudando.

Joel baixou a voz, um murmúrio grave enquanto falava ao telefone. Eu conseguia ouvir fragmentos — "não, ela não está aqui", "estamos apenas... tomando um café" — cada palavra carregada de uma calma forçada, projetada para acalmar quem quer que estivesse do outro lado. Ele estava tentando explicar algo, suavizar arestas que não eram dele para suavizar.

Empurrei minha cadeira para trás, o arrastar do metal contra o chão soando alto no silêncio tenso. Ele olhou para mim, depois seu olhar vagou para Léo, ainda pulando na calçada do lado de fora da janela, alheio à tempestade se formando lá dentro. A testa de Joel franziu levemente, uma pergunta não feita pairando no ar entre nós.

Saí, direto para o abraço frio da manhã de outono. Léo se lançou sobre mim, seus bracinhos envolvendo minhas pernas.

— Mãe! Eu ganhei! Olha! — Ele praticamente empurrou o troféu nas minhas mãos, seu sorriso tão largo que ameaçava dividir seu rosto.

Afaguei o cabelo dele, uma onda de calor me invadindo.

— Você foi ótimo, campeão. Eu sabia que conseguiria. — Minha voz soou mais firme do que eu me sentia.

Joel emergiu do café, sua presença uma nuvem escura atrás de mim. Ele olhou para Léo, depois para mim. Seus olhos estavam arregalados com uma descrença que cortava mais fundo do que qualquer acusação.

— Elisa — ele disse, a voz inexpressiva. — Você... você tem um filho?

Olhei para ele, minha expressão vazia.

— Ele é meu filho, Joel. — Meu tom não deixava margem para dúvidas.

Antes que Joel pudesse responder, uma risada aguda e debochada cortou o ar. Camila. Minha irmã. Ela veio em nossa direção, uma mancha de cor vibrante e caótica contra o cenário outonal suave. Seu lenço de grife esvoaçava, mas não conseguia esconder o inchaço revelador sob seu vestido de seda. Ela estava grávida. E estava agarrada ao braço de Caio.

— Ah, Elisa, querida — Camila ronronou, seus olhos varrendo Léo com desdém. — Não me diga que você está tentando passar isso como filho do Caio. Sério? Depois de todo esse tempo, ainda jogando joguinhos?

Meu estômago despencou. O passado não estava apenas à espreita; estava parado bem na minha frente, grávido e venenoso.

O rostinho de Léo se contraiu. Ele se afastou de mim, batendo o pé.

— Ele é meu pai! O Joel é meu pai! — Sua voz era aguda, tremendo de fúria.

Camila jogou a cabeça para trás, outra gargalhada escapando de seus lábios.

— Ah, docinho, coitado de você. Sua mamãe conta as maiores mentiras. — Ela nem olhou para Joel, apenas para Léo, seu sorriso uma distorção cruel.

Joel deu um passo à frente, um músculo tremendo em seu maxilar.

— Camila, já chega. — Sua voz era baixa, perigosa.

Caio, que estivera em silêncio até agora, finalmente falou. Seus olhos, geralmente tão compostos, tinham um brilho estranho enquanto ele olhava para mim.

— Você mudou, Elisa — disse ele, as palavras uma avaliação silenciosa. Ele parecia quase... decepcionado. Como se a garota obediente e passiva que ele deixou para trás fosse a única versão de mim que ele compreendia.

Não respondi. Apenas peguei a mão de Léo, apertando-a com força. Seus dedinhos apertaram de volta. Puxei-o em direção ao meu carro, longe do espetáculo, longe deles.

Enquanto eu me atrapalhava com as chaves do carro, Léo puxou minha manga.

— Mãe, aquele homem... ele é seu amigo? — Sua voz era pequena, hesitante.

Liguei o motor, o ronco familiar um conforto estranho.

— Não, querido — eu disse, meu olhar fixo no espelho retrovisor onde Caio e Camila ainda estavam parados, um quadro dos meus piores pesadelos. — Ele não é meu amigo.

Léo ficou quieto por um momento, então falou:

— Mas mãe, eu vi uma foto dele no seu livro de histórias antigo. Ele era bem jovem e estava segurando uma flor. É ele?

Minhas mãos apertaram o volante, meus nós dos dedos brancos. Um calafrio, mais gelado que o ar de outono, desceu pela minha espinha.

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