
O Alfa e sua companheira rejeitada
Capítulo 3
Na manhã seguinte, acordei com uma dor de cabeça forte e pulsante. A claridade invadia o quarto pela janela, me cegando momentaneamente, e uma dor intensa se espalhava pela minha região inferior, como se tivesse sido machucada profundamente.
"O que... o que está acontecendo?"
Esforcei-me para levantar da cama e, ao puxar o cobertor, fiquei completamente em choque. Marcas de chupões cobriam meu corpo.
Fragmentos das memórias da noite anterior começaram a emergir na minha mente.
Espere… com quem eu passei a noite?
Confusa, virei a cabeça e vi um homem dormindo ao meu lado.
Droga!
Realmente eu havia passado a noite com um estranho?
"Um estranho?!", Ivy protestou: "Ele é seu companheiro."
"Meu companheiro? Ah, que alívio!"
As palavras de Ivy, por mais absurdas que fossem, amenizaram um pouco minha culpa.
"Você não quer dar uma olhada nele?", Ivy sugeriu.
"Sim, claro."
Inclinei-me, curiosa, para observar melhor este meu suposto companheiro.
Ele era, sem dúvida, extremamente bonito. Talvez fosse o homem mais atraente que já tinha visto.
Perto dele, algumas peças de roupa e pertences estavam espalhados pela cama. Um documento de identidade, jogado num canto, chamou minha atenção.
Ao ler o nome no documento, meu coração quase saiu pela boca.
"Olhe isso, Ivy! Estou perdida!" Bati na testa, sentindo o arrependimento invadir cada parte de mim.
Esse homem era ninguém menos que Caleb Wright!
Ele era o infame Alfa da Matilha da Noite Eterna, conhecido por sua terrível reputação. Nenhuma mulher em sã consciência se aproximaria dele, muito menos passaria a noite ao seu lado.
Diziam até que a própria Deusa da Lua o desprezava, razão pela qual ele não tinha uma companheira destinada. Pior ainda, havia rumores de que as crianças de sua matilha sempre morriam misteriosamente e que as mães não podiam fazer nada além de assitir à morte de seus filhos.
Se descobrissem que estive com ele, meu pai ficaria furioso, e toda a Matilha Montanha de Prata me rejeitaria. Até minha falecida mãe provavelmente se revolveria no túmulo.
Eu nem sequer conseguia imaginar as consequências devastadoras.
Por isso, eu tinha que sair dali antes que alguém me visse ao lado dele.
"Como isso pode ser possível?", Ivy reclamou, contrariada: "Ele é seu companheiro! Vocês foram feitos um para o outro!"
"Fique calada! Não quero que minha vida seja destruída por Caleb Wright!"
Ignorando as reclamações de Ivy, me vesti rapidamente e escapei em silêncio.
Parecia que tudo estava dando certo. Todos estavam comentando sobre o casamento do dia anterior, e ninguém percebeu minha presença. Fiquei mais aliviada.
Ao chegar em casa, percebi que meu pai e Marley não estavam lá. Provavelmente haviam partido para a lua de mel. Nesse instante, ouvi uma voz preocupada atrás de mim.
"Querida, onde você esteve? Passei a noite inteira procurando por você. Fiquei muito preocupada!", Vicky me olhou de cima a baixo, visivelmente aflita.
Isso me deixou péssima, mas não podia revelar a verdade. "Desculpe, Vicky. Bebi demais e acabei adormecendo lá fora."
"É mesmo?" Vicky me olhou com desconfiança. "Você estava tentando se vingar da sua madrasta ontem à noite?"
"O quê? Claro que não!" Fingi uma indignação e mudei de assunto: "E, mesmo se eu quisesse, o que teria de mais? Ela passou dos limites ontem. Se você não tivesse me impedido, eu teria dado uma lição naquela mulher."
Vicky suspirou, resignada. Ela sabia que pouco podia fazer para me controlar: "Bem, agora ela é a Luna da nossa matilha. Tente não criar problemas."
"Está bem."
Na verdade, eu não pretendia causar problemas a Marley. Eu amava meu pai e não queria colocá-lo numa posição difícil.
Infelizmente, Marley não pensava da mesma forma.
Assim que se tornou a Luna, ela começou a me atrapalhar.
Ela tentou convencer meu pai de que uma parceria entre a Matilha Montanha de Prata e a Matilha Sombra da Lua seria vantajosa. No entanto, logo percebi que essa aliança seria não só inútil, como também poderíamos sofrer grandes perdas.
Senti que algo estava errado e pedi para revisar os documentos, mas Marley não permitiu minha interferência.
Na verdade, ela me mantinha afastada de qualquer decisão da matilha, o que só a tornava mais suspeita.
Decidi então convencer meu pai a permitir minha participação nesses projetos.
Nesse período, descobri que a Matilha Sombra da Lua enfrentava problemas financeiros, mas Marley havia manipulado os relatórios, ocultando esse fato.
Como meu pai confiava cegamente nela, eu precisava agir com cautela, então decidi investigar em segredo.
No entanto, minha investigação não foi fácil. Marley parecia ter percebido e fez de tudo para me excluir das reuniões, instruindo a Sombra da Lua a me manter desinformada. Fiquei sem conseguir mais informações.
Numa dessas reuniões, enquanto tentava identificar os erros nos planos dela, recebi uma mensagem urgente para me apresentar ao meu pai.
No caminho, de repente, senti uma náusea forte.
"Você está se sentindo mal novamente?", Vicky perguntou, preocupada, enquanto acariciava minhas costas: "O que está havendo com você? Você já deveria ter recebido o resultado dos exames. Já faz dias."
"Não, ainda não. Também estou confusa. Tenho me sentido mal há algum tempo, mas não sei a razão."
Assim que entrei no escritório do meu pai, ele atirou o relatório médico em minha direção, furioso.
"Debra, você realmente conseguiu se superar desta vez!" A decepção e a raiva em seu rosto eram evidentes. "Olhe só isso!"
Jamais tinha visto meu pai tão zangado antes e isso me deixou assustada.
Respirei fundo, tentando me recompor, e olhei para o resultado dos exames.
No instante seguinte, meus olhos se arregalaram.
O exame indicava que eu... estava grávida.
Ao ler isso, senti o chão sumir e quase desmaiei na mesma hora.
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