Capa do romance O Alfa e sua companheira rejeitada

O Alfa e sua companheira rejeitada

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Debra, filha de um Alfa, vê sua vida ruir após ser rejeitada por Caleb, seu parceiro predestinado. Expulsa e grávida, ela encontra refúgio na Matilha da Noite Eterna enquanto sua família sofre um golpe. Cinco anos depois, o destino a coloca frente a frente com Caleb em uma missão perigosa na Vila de Rodes. Embora ele tente se redimir ao se apaixonar, Debra guarda mágoas profundas e esconde a existência da filha deles. Entre segredos e perigos, o perdão parece impossível.

O Alfa e sua companheira rejeitada Capítulo 1

Ponto de vista de Debra:

Mantive-me afastada, observando de longe o casamento suntuoso que acontecia diante de mim, enquanto a multidão ia e vinha em celebração. Mas, ao contrário deles, meu coração estava repleto de tristeza e mágoa.

Esse era o segundo casamento do meu pai, e a Matilha Montanha de Prata organizara uma rica cerimônia em sua homenagem. Pois, afinal, ele era o Alfa.

Embora essa não fosse a primeira vez que ele se casava, meu pai ainda assim deu grande importância a cada detalhe. Ele garantiu que tudo estivesse luxuosamente decorado, e ouvi alguns comentários sobre como esta celebração estava ainda mais bela do que a que ele teve com minha mãe. Ele também convidou muitos outros Alfas, o que deixava claro o quanto ele prezava sua nova esposa.

Mas o que ele parecia não perceber era que hoje também marcava o aniversário da morte da minha mãe.

A cerimônia seguia perfeitamente, e todos pareciam felizes. Enquanto isso, o túmulo da minha mãe permanecia esquecido, solitário, sem nenhuma visita.

Para mim, esse casamento era vazio de significado e eu não queria estar ali. Tudo que eu queria era poder estar perto da minha mãe neste dia.

"Debra, aonde você está indo?"

Uma voz feminina e estridente soou perto de mim, interrompendo minha conversa com Vicky Todd, minha serva.

Virei-me e vi minha madrasta, Marley Clarkson, aproximando-se acompanhada de sua criada.

Marley era bem mais jovem que meu pai, apenas quatro anos mais velha do que eu, e filha do Alfa da Matilha Sombra da Lua. Seus cabelos loiros emolduravam seu rosto perfeitamente, e o vestido de noiva branco balançava ao vento, realçando sua beleza de boneca de porcelana.

Não querendo interagir com ela, desviei o olhar.

"Está tentando deixar de comparecer a um momento tão importante e envergonhar a nova Luna de seu pai?", Marley me questionou.

"Claro que não!", minha fiel Vicky se apressou em intervir: "Ela só está cansada e queria descansar um pouco."

"É mesmo?", Marley estreitou os olhos para mim, antes de abrir um sorriso sutil. "Bem, de qualquer forma, preciso falar com você sobre algo."

"Sobre o quê?", perguntei, a encarando com desconfiança.

Jamais me dei bem com Marley, mas, pelo bem do meu pai, mantive a distância. E, até então, Marley jamais viera me procurar por conta própria.

Agora, ela queria conversar. Algo dentro de mim dizia que nada de bom poderia vir disso.

"Fique tranquila." O sorriso de Marley se ampliou. "Só queria pegar emprestado o colar que você está usando. Ele ficaria perfeito com meu vestido de noiva."

"Lamento, mas não", recusei sem hesitar: "Este colar era da minha mãe."

Esse colar era a única coisa que eu tinha dela e eu o guardava com muito carinho. Sempre que o usava, sentia uma conexão com minha mãe, como se ela ainda estivesse perto de mim.

Claro que eu não o emprestaria para ninguém, muito menos para Marley.

Ela pareceu perceber meus pensamentos e suavizou o tom: "Por que você é tão fria comigo? Hoje é o nosso primeiro dia como uma família de verdade."

Se ela realmente me tratasse como família, não tentaria tirar de mim o único vínculo que eu ainda tinha com minha mãe.

"Desculpe, mas não posso emprestar", respondi com frieza, estreitando os olhos.

"Então não me culpe, mas preciso deste colar." O sorriso de Marley rapidamente se transformou em escárnio.

Ela fez um sinal para seus servos e, no instante seguinte, dois deles me seguraram pelos braços, me forçando a ajoelhar. Senti meus joelhos baterem no chão com força.

Estremecendo de dor, tentei erguer a cabeça e lá estava Marley, olhando para mim com desprezo.

Seu belo rosto estava manchado de escárnio. Ela estendeu a mão e puxou o colar do meu pescoço.

No momento seguinte, senti o fecho se abrir, e o colar foi tirado de mim.

"O que você pensa que está fazendo?" Nunca imaginei que ela fosse capaz de tamanha crueldade. "Marley, devolva meu colar!"

Vicky também ficou horrorizada: "Você não pode fazer isso! Esse colar é uma lembrança da mãe de Debra!"

Enquanto Vicky tentava impedir que Marley se afastasse, um dos servos de Marley interveio com brutalidade, empurrando Vicky com força.

Ela tropeçou e, ao perder o equilíbrio, bateu a testa contra o pilar de pedra próximo. O sangue começou a escorrer de seu ferimento, tingindo sua pele pálida de vermelho.

Após a morte da minha mãe, Vicky, sua amiga mais próxima, optou por permanecer na matilha, se dedicando a cuidar de mim e permanecendo solteira. Praticamente, foi ela quem me criou desde então.

Ver Marley feri-la desse jeito acendeu uma raiva intensa dentro de mim.

Minha loba, Ivy, não conseguia se conter. Eu sentia minha fúria fervendo junto com a dela.

Ivy rosnou em minha mente: "Acabe com eles, Debra!"

Mas, antes que eu perdesse o controle, Vicky se ergueu com dificuldade, apoiando-se no pilar, e disse num tom firme: "Debra, não faça nenhuma loucura!"

Ela estava certa. Casada com meu pai, Marley agora era a Luna da nossa matilha. Qualquer atitude contra ela não passaria despercebida. Meu pai e todos da matilha defenderiam sua nova esposa.

Enquanto Vicky me acalmava, o sangue continuava a escorrer de sua sobrancelha, descendo até seu queixo.

Essa cena grotesca me partia o coração. Corri até ela, oferecendo apoio.

"Eca! Que colarzinho mais ordinário", Marley zombava enquanto examinava o colar que havia pertencido à minha mãe: "Como sua mãe pôde deixar algo tão vagabundo para você? Que patético."

Ela brincava com o colar de forma indiferente, girando-o entre os dedos.

"Não se preocupe, vou devolver. Afinal, é só um colar. Agora que sou a Luna, terei quantos acessórios melhores eu quiser."

De repente, Marley soltou o colar no chão com toda a força, estilhaçando a corrente. As pedras preciosas se espalharam pelo piso, uma a uma.

A única coisa que minha mãe havia me deixado, agora, estava arruinada.

Por um momento, senti como se algo apertasse meu peito de maneira insuportável.

Atordoada, ajoelhei-me para juntar as peças que restavam, meus dedos trêmulos.

De repente, uma dor aguda atravessou minha mão.

Marley havia pisado em meus dedos, cravando o salto na pele com força.

"Você, filha de um Alfa, tocando essa porcaria suja? Levante-se, minha querida enteada."

Ergui o olhar e a encarei, sentindo a fúria arder em mim.

"Acabe com essa vadia!" Ivy se enfurecia cada vez mais, gritando em minha mente: "Tire seu pé da minha mão, sua vadia!"

Marley, porém, nem se abalou. Afinal, ela não tinha nada a temer.

Com um sorriso de escárnio, ela se inclinou e sussurrou: "Debra, é melhor que você aprenda a respeitar sua nova Luna."

Nesse momento, a música da cerimônia começou a tocar, e Marley tirou o pé de cima da minha mão, ajeitando o vestido com um ar de superioridade, antes de se afastar com seus criados a seguindo.

Ignorando a dor, continuei a recolher as pedras quebradas do colar, agora em pedaços no chão.

A verdade se revelou para mim nesse instante: Marley nunca quis o colar, ela apenas queria me humilhar e deixar claro seu poder e dominância.

Antes do casamento, Marley me evitava. Mas agora que era oficialmente Luna, ela queria me mostrar quem mandava. Era uma lição destinada a mim, a enteada indesejada, para que eu soubesse meu lugar.

"Oh, minha querida…" Vicky suspirou ao me ver ali e estendeu a mão para me ajudar a levantar: "Não se preocupe. Eu vou consertar o colar. Prometo que ele ficará como antes."

"Obrigada, Vicky." Forçando um sorriso, tentei conter a tristeza.

O casamento do meu pai e de Marley finalmente começava para valer.

Sob as luzes exuberantes, meu pai celebrava sua nova união e todos os lobisomens da matilha saudavam a chegada de sua nova Luna. Ninguém parecia notar a filha de luto, lamentável e ignorada no canto. E ninguém sequer se lembrava da minha mãe, que tanto amei.

Magoada e enraivecida, peguei uma garrafa de vinho e bebi para entorpecer a dor que sentia.

Minha resistência ao álcool era fraca, e logo comecei a sentir a visão embaraçar e o mundo ao meu redor girar.

Mas, por mais que bebesse, não conseguia esquecer o sorriso cruel no rosto de Marley, um sorriso que me fazia sentir náuseas.

Não suportando mais tudo isso, decidi sair dali.

Quando me virei para sair, acabei esbarrando em alguém.

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