
Nunca olhe para trás
Capítulo 2
Gracie saiu do hotel e foi direto para um cemitério tranquilo nos arredores.
Ao se aproximar de uma lápide, ela se agachou e fitou o nome gravado — Paulina Hughes, sua amada filha.
"Paulina, a mamãe sente tanta falta de você."
Paulina sofria de cardiomiopatia dilatada no estágio mais grave. A espera por um doador de coração durou um ano inteiro. No entanto, Gracie descobriu que Lorenzo desviara o coração disponível para o filho de sua amante, que precisava de um transplante urgente após um acidente de carro. Sem que Gracie soubesse, Lorenzo renunciara ao direito deles ao órgão.
O filho da amante sobreviveu. Paulina, porém, faleceu na mesa de cirurgia aos cinco anos de idade.
No próprio dia da cremação da filha, ao voltar para casa, Gracie encontrou Lorenzo beijando apaixonadamente a outra mulher, completamente alheio à sua presença.
Naquele momento, ouviu o marido admitir que ela sempre fora apenas uma substituta para o verdadeiro amor dele.
Tudo então ficou claro.
O casamento deles não passara de uma fachada; ela era só uma substituta.
Até a ilusão de Lorenzo como um pai amoroso se desfez — ele desprezara completamente a vida de Paulina.
Ironicamente, mesmo após o divórcio ter sido finalizado no dia anterior, Lorenzo ainda ignorava a morte da filha.
"Paulina, a mamãe promete, eles vão pagar pelo que fizeram."
Lorenzo era filho ilegítimo de Lanny Hughes, o segundo filho da família Hughes.
Com o apoio do pai, sua carreira decolou rapidamente.
Gracie sabia que, para derrubá-lo, precisava atacar a raiz: a própria família Hughes.
E o verdadeiro poder dentro da família não era outro senão Waylon — primo mais novo de Lanny e tio de Lorenzo.
Uma figura distinta e nobre em Jorvine, a quem todos demonstravam respeito.
Gracie sabia que usar a influência de Waylon era a chave para tirar de Lorenzo tudo o que ele valorizava.
À noite, a lua lançava uma luz suave sobre a cidade.
Era a noite do banquete em comemoração à promoção de Lorenzo.
No suntuoso salão, sob o brilho de opulentos lustres de cristal, dignitários e membros da elite enchiam Lorenzo de elogios.
"Senhor Hughes, com a maior votação no conselho, a presidência está praticamente em suas mãos! Um brinde ao seu futuro sucesso!"
"De fato, senhor Hughes, ascender ao topo do Grupo Hughes em menos de seis anos prova seu talento excepcional! Todos contamos com sua liderança."
Lorenzo agradecia a cada cumprimento, ao mesmo tempo que lançava olhares expressivos para sua amada, Norene Bailey, do outro lado do salão.
Vestida com um elegante vestido negro, Gracie permanecia discreta em um canto. Sorvia o vinho tinto e observava a cena com um sorriso leve. Será que Norene ainda permaneceria ao lado de Lorenzo se ele perdesse tudo?
Gracie terminou a taça justo quando Norene se aproximou, com um ar desafiador. "Gracie, devo agradecer por você ter feito seu papel ao lado de Lorenzo todos esses anos, ajudando a moldar um homem tão admirável. Não deixe de vir ao nosso casamento, claro."
Os dedos de Gracie se contraíram em torno da taça, com força quase suficiente para estilhaçá-la. Mesmo assim, sua resposta veio com uma calma perturbadora: "Não é necessário. Só ratos vasculham o lixo."
Norene captou a ferida nas palavras, e seu rosto se alterou por um instante antes de recuperar a compostura.
"Ah, e agradeço pelo coração doado ao meu filho. Você sabe por que Lorenzo preferiu salvar meu filho à sua filha?" Gracie manteve o silêncio. Norene prosseguiu, baixando a voz. "Porque eu contei a ele que Gavin é filho dele."
As palavras de Norene acenderam em Gracie um desejo feroz de fazê-la pagar caro.
Contudo, a dor forte que sentiu na palma da própria mão — onde as unhas se cravavam — a fez voltar à realidade.
Havia policiais entre os convidados. Qualquer ato impulsivo poderia arruinar seus planos de vingança e até levá-la à prisão.
Era isso que Norene queria? Provocá-la?
Por enquanto, Gracie decidiu ceder. Deixaria Norene ter essa pequena vitória.
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