
Nove Escolhas, Um Adeus Final
Capítulo 3
Ponto de Vista: Alessa
As palavras de Sofia pairavam no ar, densas com falsa simpatia. Ela interpretava o papel da amiga preocupada tão bem, sua expressão uma máscara perfeita de compaixão.
As mulheres ao redor dela nos observavam, seus olhos como abutres circulando. Eu podia sentir o julgamento delas, afiado e implacável.
"Sempre foi Ricardo e Sofia," Bianca Costa disse em voz alta para outra mulher, mas suas palavras eram para mim. "Desde que eram crianças. Todo mundo sabia. Eles são almas gêmeas."
Sofia colocou uma mão delicada no meu braço. "Não ligue para elas, querida. O Ricardo se importa com você. Do jeito dele." Ela se inclinou mais perto, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. "Mas você tem que entender. Alguns laços... eles simplesmente não podem ser quebrados."
Então ela se afastou, um pequeno sorriso cruel brincando em seus lábios. "Afinal, fui eu quem te escolheu para ele."
O ar em meus pulmões virou gelo. Meu coração, que eu pensei que não poderia se quebrar mais, pareceu se estilhaçar em um milhão de pedacinhos. A sala girou, o falatório da multidão se transformando em um zumbido surdo em meus ouvidos.
"O que você disse?" Minha voz era pouco mais que um sussurro.
O sorriso de Sofia se alargou. Ela sabia que tinha desferido um golpe fatal. "Ah, vamos, Alessa. Você não podia ter pensado que ele te escolheu por conta própria, podia? Ele estava um caco depois que eu fui embora. Precisava de alguém estável. Alguém... simples. Sem problemas. Eu sabia que você seria perfeita. Você o faria companhia, manteria a linhagem da família Moretti segura, e não atrapalharia quando eu precisasse dele."
Suas palavras foram uma agressão física. Minha compostura se quebrou. Recuei cambaleando, para longe dela, da verdade venenosa de sua confissão.
Fugi para a varanda, engolindo o ar fresco da noite, minhas mãos agarrando o parapeito de pedra fria.
Tudo fazia sentido agora. Os quatro anos inteiros do meu casamento, uma mentira cuidadosamente construída. Eu não era apenas um tapa-buraco; eu era um peão escolhido a dedo em seu jogo doentio e manipulador. Eu era a esposa quieta e estável que olharia para o outro lado, que não faria ondas, que aceitaria com gratidão quaisquer migalhas de atenção que ele me jogasse.
E eu tinha desempenhado meu papel perfeitamente.
Um garçom tocou meu ombro. "Senhora? Eles estão começando um jogo lá dentro. A Sra. Santoro solicitou sua presença."
Voltei para a sala como um fantasma. Sofia estava no centro de um círculo, uma taça de champanhe na mão.
"O jogo é simples," ela anunciou. "Nós compartilhamos uma história sobre a coisa mais extravagante que alguém já fez por nós por amor."
Bianca riu. "Você primeiro, Fia! Aposto que você tem a melhor."
Os olhos de Sofia encontraram os meus do outro lado da sala. "Bem," ela começou, sua voz suave como seda, "teve a vez em que ele fretou um jato particular para Paris para mim, só para jantar, porque eu mencionei que estava com vontade de uma sobremesa específica."
Um calafrio percorreu minha espinha. Lembrei-me daquele fim de semana. Ricardo me disse que tinha uma reunião de negócios urgente e de última hora em Chicago.
"E então," Sofia continuou, sua voz ganhando impulso, "teve a vez em que ele comprou uma empresa inteira de fogos de artifício para escrever meu nome no céu no meu aniversário."
Meu sangue gelou. Ele me disse que era um evento corporativo ao qual ele era obrigado a comparecer. Ele ficou fora por três dias.
Ele faltou ao casamento da minha irmã por uma viagem de negócios. Ele perdeu o aniversário da morte do meu pai para fechar um negócio. Mentiras. Tudo. Tudo por ela.
A sala estava girando. Meu estômago se revirou. Eu tinha que sair.
"Quem era, Fia?" alguém gritou. "Quem é esse homem misterioso?"
Sofia apenas sorriu, um olhar secreto e conhecedor em seu rosto. "Ele estará aqui em breve."
Como se fosse um sinal, as portas do salão de festas se abriram.
Ricardo entrou.
Seus olhos percorreram a multidão, um lampejo de ansiedade em seu rosto. E então ele a viu. A tensão derreteu de seus ombros, substituída por um olhar de alívio puro e absoluto. Seu olhar se fixou em Sofia, e era como se ninguém mais na sala existisse.
Ele nem me viu. Eu estava a três metros de distância, e era completa e totalmente invisível para ele.
Ele foi direto para ela.
"Desculpe o atraso," ele disse, sua voz baixa, destinada apenas a ela. "A reunião se estendeu."
Eu sabia onde ele estivera. Angie me mandou uma foto. Ele estava em um racha de alto risco com Vinícius Salerno, um dos associados imprudentes de Sofia. Ele estava quebrando a *Omertà*, o código sagrado de silêncio, arriscando exposição e uma *vendetta* de famílias rivais, tudo para provar sua lealdade a ela.
Ele finalmente se virou, seus olhos passando por mim com um lampejo de reconhecimento. "Ah. Alessa. Você está aqui."
"Estou de saída," eu disse, minha voz oca.
"Ok. Vou pegar o carro." Ele mal pareceu registrar minhas palavras, sua atenção já se voltando para Sofia.
"Não," eu disse, minha voz firme. "Eu pego o meu."
Afastei-me, deixando-os juntos. Eles pareciam perfeitos. O belo e tóxico príncipe e sua princesa venenosa. Um casal feito no inferno.
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