
Nos Braços do Vor - Amante do Mafioso Russo
Capítulo 2
Naquela semana, Sergei, o dono do restaurante, nos chamou em uma reunião apressada e anunciou com entusiasmo: nosso restaurante havia sido escolhido para fornecer o buffet em um evento de caridade importante. Alguns funcionários ficaram empolgados, animados com a chance de trabalhar em um ambiente de alta classe e, quem sabe, fazer contatos com clientes mais generosos e influentes. Eu, por outro lado, me limitei a forçar um sorriso. Esse tipo de evento significava, para mim, mais trabalho e um cansaço ainda mais intenso. Além disso, sabia que o reconhecimento sempre acabava nas mãos de Sergei.
Mesmo sem toda a empolgação, não pude evitar uma pontinha de curiosidade. Era uma chance rara de ver de perto aquele mundo de glamour e riqueza que eu sempre via à distância, de espiar por uma fresta o que seria viver cercada de luxo.
O evento foi marcado para uma noite gelada em uma mansão nos arredores de Moscou, um daqueles casarões que pareciam existir apenas em filmes. Me vesti com meu uniforme habitual de garçonete - um avental preto simples sobre uma blusa branca impecavelmente passada, o cabelo preso em um coque baixo - e peguei o primeiro táxi que passou. O caminho até o local foi uma eternidade, com o motorista se perdendo duas vezes, o que só aumentou meu nervosismo. Eu não podia chegar atrasada; Sergei não perdoaria.
Quando finalmente cheguei à mansão, fui surpreendida pelo tamanho do lugar. A fachada era imponente, com colunas brancas e amplas janelas. Parecia um palácio, e, por um instante, me senti ainda menor e mais insignificante, uma peça qualquer em meio a tanta opulência. Respirei fundo e entrei no salão.
Lá dentro, tudo era ainda mais luxuoso do que eu imaginava. O salão era decorado com lustres de cristal que lançavam um brilho dourado sobre os convidados. As paredes estavam adornadas com tapeçarias e obras de arte, cada peça mais cara que tudo o que eu tinha ou poderia ter. As pessoas estavam vestidas como personagens de uma ópera, cada uma em um traje mais extravagante do que o outro, suas vozes em conversas baixas, risadas contidas e olhares avaliadores.
A noite se estendeu em um ritmo frenético. Eu mal conseguia parar para respirar, correndo de um lado para outro com bandejas de champanhe e petiscos. Meus dedos congelavam enquanto eu segurava as taças de cristal, e o som das risadas e das conversas ecoava pelo salão como uma música orquestrada, harmoniosa e calculada. Por trás das palavras gentis, havia algo nas expressões dos convidados que eu não conseguia identificar, algo que parecia mesclado com arrogância e indiferença.
Enquanto eu servia, meus olhos vagavam pelo salão, tentando absorver cada detalhe daquela noite. Foi então que o vi. Nikolai Volkov. Mas aquele rosto não me era estranho. Era o mesmo homem que eu havia visto dias antes, com os homens encapuzados e o olhar de aço. Ele estava ali, parado, próximo a uma das enormes janelas que davam para o jardim coberto pela neve.
Nikolai estava de terno escuro, perfeitamente ajustado ao seu corpo, exalando uma confiança que intimidava qualquer um ao redor. Seus olhos, de um tom escuro quase preto, estavam voltados para o salão, observando as pessoas com uma calma calculada, mas havia algo em seu olhar que me causava arrepios. Uma frieza que parecia observar tudo, captar cada detalhe, cada movimento, como um predador paciente.
Nossos olhares se encontraram, e senti um choque percorrer meu corpo. Ele me fitou por alguns segundos, e parecia que o tempo havia parado. Não havia expressão em seu rosto, mas seus olhos... seus olhos tinham uma intensidade que me atravessava. Fiquei imóvel, sentindo um misto de nervosismo e fascinação. Não era apenas sua aparência que chamava atenção, embora ele fosse, sem dúvida, o homem mais impressionante que eu já havia visto. Era o que ele representava: poder. Um poder sombrio, envolto em segredos, como se ele carregasse o peso de algo maior e perigoso.
Desviei o olhar rapidamente, tentando disfarçar o embaraço, sentindo o rosto queimar. Voltei a servir as taças, me concentrando nos sorrisos automáticos e nos gestos ensaiados, tentando ignorar a sensação de que Nikolai ainda me observava. Não podia me permitir perder o foco. Esses eventos exigiam perfeição, e eu precisava fazer meu trabalho de forma impecável. Mas a presença dele permanecia em minha mente, como uma sombra constante, trazendo à tona um medo que eu não conseguia definir.
A noite avançou, e o salão ficou ainda mais cheio. Todos estavam rindo, brindando, discutindo sobre investimentos, e eu passava com as bandejas, forçando um sorriso, tentando ser invisível. A certa altura, senti uma mão segurar meu braço. Meu coração disparou.
Era um dos convidados, um homem com o rosto avermelhado, provavelmente mais bêbado do que gostaria de admitir. Ele me puxou um pouco mais forte do que o necessário, aproximando-se demais.
- Você trabalha aqui? - ele perguntou, arrastando as palavras, o hálito cheirando a vodka cara.
- Sim, senhor, posso ajudá-lo com alguma coisa?
Ele sorriu, mas seu sorriso não tinha qualquer traço de gentileza. - Eu só queria que alguém tivesse uma conversa interessante comigo. Todos aqui estão tão... entediantes.
Tentei me soltar, mas ele apertou meu braço ainda mais. Senti o desconforto se transformar em medo, mas mantive o rosto sereno. Um dos seguranças do evento percebeu a situação e se aproximou, mas antes que pudesse intervir, uma voz firme e gelada cortou o ar.
- Solte-a. Agora.
Olhei para o lado e vi Nikolai parado, observando o homem com uma expressão impassível. Seus olhos eram de aço, frios e calculistas, mas havia uma ameaça silenciosa em seu tom. O homem soltou meu braço imediatamente, murmurando alguma desculpa, e se afastou, visivelmente intimidado.
Nikolai então se virou para mim, e por um momento, não soube o que fazer. Ele me observou em silêncio, e, em seus olhos, havia uma curiosidade inesperada, como se ele quisesse entender o que me havia levado até ali, naquele ambiente que claramente não era meu.
- Você está bem? - perguntou, com um tom que me surpreendeu. Ele parecia genuíno, mesmo que sua voz ainda soasse dura e controlada.
Assenti, tentando manter a compostura. - Sim, senhor, obrigada.
Ele apenas balançou a cabeça, um leve sinal de aprovação, e voltou a sua atenção para o salão. Fiquei ali, por alguns segundos, tentando absorver o que acabara de acontecer. Nikolai havia me ajudado. Mas por quê? Ele não parecia o tipo de homem que interviria sem um motivo.
Passei o restante da noite em estado de alerta, ainda sentindo os olhos de Nikolai em mim a cada instante. Não olhava diretamente para ele, mas podia senti-lo, como uma presença constante. Em algum momento, precisei me apoiar em uma das paredes do salão para recuperar o fôlego, tentando acalmar meu coração que insistia em bater rápido demais.
Quando a noite finalmente acabou, eu estava exausta, mas a imagem de Nikolai continuava gravada em minha mente. Havia algo nele que me atraía e ao mesmo tempo me aterrorizava. Senti que havia algo mais, algo que ele escondia, uma força sombria que eu não conseguia ignorar.
Eu não sabia o que o futuro reservava, mas algo me dizia que aquele encontro havia mudado tudo.
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