
Nos Braços do Vor - Amante do Mafioso Russo
Capítulo 3
A vida nunca me ofereceu opções fáceis, nem abriu portas por gentileza. Para chegar onde estou hoje, cada passo foi meticulosamente calculado, cada gota de sangue derramada, um investimento necessário. Meu nome é Nikolai Volkov, o vor de Moscou. Para muitos, isso significa ser o chefe da máfia russa, um título que inspira respeito e medo. Mas para mim, ser o vor é mais do que isso. É uma sentença, um fardo que carrego com orgulho e ressentimento. Porque a verdade é que o poder não vem sem custo, e o que mais custa é o passado que deixamos enterrado.
Nesta cidade, todos sabem quem eu sou e o que eu faço. Moscou respira a meu comando. Ela é uma amante traiçoeira, que exige controle constante, vigilância constante. Cada esquina, cada negócio, cada rosto que cruza o meu caminho tem um propósito que se relaciona, de alguma forma, com o império que construí. E enquanto cuido de manter essa cidade em linha, em casa, levo um casamento tão gelado quanto as ruas de Moscou no inverno.
Meu casamento com Viktoria é uma conveniência estratégica, algo que eu e ela compreendemos. Viktoria não me ama, e eu... tampouco me permito amar alguém. Nosso vínculo é forjado a partir de interesses mútuos e benefícios calculados. Ela é filha de um ex-chefe do governo que me ofereceu vantagens políticas quando tudo começou. Casar-me com ela foi uma maneira de solidificar meu poder, de me tornar inquestionável. Ela sabe de minha vida, de meus negócios, mas há uma frieza entre nós que nem o álcool ou as noites silenciosas conseguem aquecer. E para mim, isso é conveniente. Sentimentos são fraquezas que não posso me permitir.
Hoje à noite, enquanto caminho pelas ruas de Moscou, sinto o peso de cada decisão que me trouxe até aqui. Visto meu terno preto e saio, como faço todas as noites, inspecionar meus negócios. As pessoas nas ruas evitam meus olhos, afastam-se, como se minha presença fosse um aviso. E, em certo sentido, é. Viktor, meu braço direito, me segue, atento como sempre. Ele é o único em quem confio para estar ao meu lado, silencioso e letal.
- Senhor, o problema com os negócios no sul parece estar piorando - Viktor diz enquanto caminhamos. - Ouvi dizer que estão pensando em atrair novos investidores.
Suspiro, sentindo a familiar frustração crescer. Sempre há aqueles que acreditam que podem desafiar a autoridade do vor, achando que um novo dinheiro, uma nova aliança, vai lhes dar alguma vantagem. Uma ilusão. Moscou não perdoa quem brinca com o poder. Eu os ensinarei, um por um, o que significa se opor aos Volkov.
O Jantar e a Visita
Chego ao restaurante que funciona como fachada para um dos meus negócios. Lá, um grupo de homens me aguarda. São investidores, alguns com rostos familiares, outros estrangeiros que estão aprendendo o que significa negociar em solo russo. Sentado à mesa, observo o ambiente. A comida é farta, o vinho é caro, mas o verdadeiro valor daquela sala está no silêncio que ela impõe. Cada palavra que dizem é cuidadosamente calculada, cada olhar, medido. Moscou não é lugar para amadores, e minha presença ali os lembra disso.
Enquanto as discussões continuam, percebo um olhar nervoso vindo de um dos homens, um novo rosto que claramente não entende as regras do jogo. Ele tenta argumentar sobre lucros, propor uma reestruturação de contrato. Sorrio, um sorriso vazio que é suficiente para silenciá-lo. Não há espaço para negociações quando o assunto é o império Volkov.
Depois do jantar, volto ao meu escritório, onde a verdadeira ação da noite se desenrola. Dmitri, um dos antigos aliados que recentemente decidiu agir pelas sombras, aguarda amarrado a uma cadeira no centro da sala. Ele é um homem forte, mas sua postura agora é de um homem derrotado, sua respiração pesada ecoando no silêncio do lugar. Aproximo-me, observando-o em silêncio, e ele me encara, uma mistura de medo e arrependimento no olhar.
- Dmitri, por que me obrigou a fazer isso? - pergunto, com a voz baixa.
Ele balbucia algo sobre desespero, fala sobre necessidade, sobre como precisou buscar alternativas para se sustentar. Suas palavras são como veneno, tentando justificar a traição. Sinto o peso de cada justificativa inútil, cada palavra vazia que sai de sua boca. No mundo que construí, não há espaço para traição. Não há espaço para erros.
Com um aceno de cabeça para Viktor, dou o sinal. Ele puxa uma arma e a coloca na mão de Dmitri. Este é o único presente que ofereço aos que traem a família: a chance de escolher seu fim.
- Dmitri, sei que sabe o que fazer. Escolha - murmuro, cruzando os braços e observando enquanto ele, com as mãos trêmulas, segura a arma.
Ele hesita, o suor escorrendo pelo rosto, a respiração agora descompassada. Por um momento, vejo em seus olhos o mesmo pavor que me cercava quando era um garoto tentando sobreviver nas ruas de Moscou. Lembro-me do sangue, da escuridão, do medo que me forçou a endurecer, a me tornar quem sou hoje.
Mas não há piedade em meu olhar, apenas uma aceitação fria do destino que Dmitri escolheu para si. Ele finalmente levanta a arma e, com um último olhar, aperta o gatilho.
Reflexos e um Passado que Nunca Dorme
Após o som seco do disparo, deixo Viktor cuidar dos detalhes. Dmitri é apenas mais um, um exemplo do que acontece com aqueles que decidem cruzar a linha. Saio do escritório e dirijo-me para casa, o silêncio me envolvendo. Naquelas horas da madrugada, minha mente vagueia, lembrando-se de como cheguei aqui.
O passado é uma sombra que nunca me deixa. Quando era jovem, não havia proteção, não havia ninguém para me amparar. Cresci no meio de prédios decadentes e pessoas que apenas sobreviviam. Tive que lutar, tive que sangrar e fazer escolhas que ninguém deveria fazer. Não foi uma vez, mas diversas vezes que estive à beira da morte, e cada vez que me levantei, sentia que me tornava um pouco mais imune ao medo, mais ciente do que era necessário para sobreviver.
E, então, veio Viktoria. Ela também tinha cicatrizes, embora as escondesse por trás de seu rosto frio e sua elegância calculada. Nosso casamento foi uma fusão de interesses, uma transação fria, um contrato sem sentimentos. Ela nunca perguntou sobre os detalhes do que faço, e eu nunca precisei explicar. De alguma forma, isso a torna uma parceira ideal. Mas no fundo, ambos sabemos que estamos apenas jogando papéis que a sociedade exige.
Enquanto entro na casa silenciosa e vejo Viktoria na sala, sentada com um livro nas mãos, ela apenas levanta o olhar brevemente. A expressão em seu rosto não muda, mas os olhos dela me observam com uma curiosidade contida, como se quisesse perguntar, mas desistisse antes que a pergunta saísse.
- Boa noite, Nikolai - ela diz, com um tom distante.
Respondo com um aceno, sem me aproximar. Ambos somos prisioneiros desse acordo, mas prisioneiros conscientes, que conhecem as razões e aceitam o destino. Eu me dirijo ao meu escritório, onde mantenho as luzes baixas e deixo apenas o som da cidade preenchendo o silêncio.
Em Moscou, não há descanso. Cada dia traz novos problemas, novos inimigos, novas ameaças. E enquanto isso, a cidade continua sob o controle da família Volkov. Este é o meu legado, minha condenação. E, no final, enquanto a cidade dorme, eu vigio, como o guardião silencioso de um império que jamais descansará.
Enquanto olho pela janela para a vasta escuridão da cidade, sinto o peso do título de vor. É um fardo que carrego sozinho, sem espaço para arrependimentos. Aqui, no silêncio de minha solidão, sei que o amanhã trará mais desafios, mais sangue, e que cada passo que dou para manter o poder é uma escolha que me afasta de qualquer traço de humanidade que ainda possa restar em mim.
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