
Nos braços do Mafioso
Capítulo 2
Eu tinha subido naquele ônibus fugindo e acabei no carro com Salvatore. Ele avançou pela estrada em alta velocidade, muito acima do limite permitido. Eu nunca tinha andado com alguém que quebrasse tantas regras em tão poucos minutos. Seus gestos conduzindo o carro eram seguros, ele parecia à vontade. Eu normalmente tinha medo de desobedecer a qualquer uma das regras a mim impostas.
Mas Salvatore parecia ser feito para desafiar todas as regras que surgissem em sua vida. E de certa forma, algo me atraia para ele.
Eu sabia que estava errado e que Deus me perdoasse, mas eu estava gostando de sentir aquela adrenalina.
— Você não pode sair sozinha!
Ele falou, mas os seus olhos estavam na estrada.
— Eu não preciso que você me proteja. — respondi prontamente.
Ele deu um sorriso torto. Mas nada falou. A voz melancólica de Lana Del Rey cantando Salvatore, estava tocando. A melodia me causava uma estranha sensação e a presença de Salvatore D’Aquila parecia ditar que aquela letra era um presságio, uma advertência.
Eu não era experiente em nada que se tratava do coração, muito menos de pele. Mas ao meu lado estava um homem mais que experiente e letal. Não pela arma que eu vi escondida em sua jaqueta, mas ele era letal apenas por ser quem era. Salvatore possuía a beleza de uma escultura de Canova. Seu corpo alto e forte, seus densos cabelos negros e seu olhar escuro davam a ele uma beleza que não passava despercebida.
Ele parou o carro, tínhamos chegado no Castello Normanno. Ele não disse nada, desceu do carro e abriu a porta para mim, estendendo a sua mão. Eu nem deveria ter entrado em seu carro, mas lá estava eu. A curiosidade era um pecado? Salvatore me instigava a querer conhecê-lo.
Caminhamos de mãos dadas até a parte mais alta do castelo.
— Você ama música. Sempre tocou piano?
— Sim. O meu sonho é tocar na Orquestra de San Remo. Eu sempre assisto as apresentações pela TV e eu me imagino fazendo parte ...
Parei de falar, eu estava sendo estupida falando sem parar. Ele me olhava atentamente ainda segurando a minha mão.
— Um sonho bobo. — falei enquanto tirava minha mão da dele.
Me virei observando o imenso mar a nossa frente.
— Não é um sonho bobo, Anna. Gostaria de te ver tocando algum dia.
Tudo era muito estranho, toda quela situação entre nós. Não fazia sentido algum.
— Salvatore, eu não posso ser seguida o tempo todo. Você não pode me forçar a fazer tudo do seu jeito. Mal nos conhecemos.
— Por isto eu te trouxe aqui. Para conversarmos, para mim é essencial que você confie em mim. Pois, eu preciso te proteger.
— Eu não preciso de proteção, não faço parte do seu mundo...
Ele se aproximou de mim, tirando uma mexa de cabelo do meu rosto quando começou a falar:
— Infelizmente, agora faz.
— Eu não...
— Quando você me salvou, meu anjo. Você declinou para o meu mundo. Os homens que viram você, poderão atentar contra a sua vida.
Meus joelhos fraquejaram, minhas pernas estavam bambas, me apoiei no muro de pedra.
— Mas eu não fiz nada.
— Se você não tivesse me ajudado, talvez aquele teria sido meu fim. Os meus homens estavam a minha procura, mas me perderam por alguns minutos que poderiam ter sido cruciais.
— Raffaele disse que você tem mais de sete vidas.
Ele riu.
— Algo que dizem por aí. Mas não acredite em tudo o que ouve, anjo. Pergunte, o que quer saber ao meu respeito, vou tentar sanar todas as suas dúvidas.
Respirei fundo. Eu queria saber mais, eu estava curiosa a respeito daquele belo e perigoso homem.
— Você machuca pessoas?
Ele sorriu novamente.
— Você sabe que sim. Naquela noite não fui o único a apanhar, eu me defendi. Geralmente, não perco muitas lutas. Mas naquela noite eu estava embriagado, fiquei em desvantagem quando meus homens me perderam. Foi por isto que corri risco. Pergunte....
Ele alisou meu rosto. E seu toque me causou arrepios.
— Você tem namorada?
— Eu não namoro. E você?
Eu fiquei vermelha, eu sabia que sim. Minhas bochechas estavam quentes demais.
— Nunca namorei.
Ele tensionou o maxilar, como se engolisse o que queria dizer. Mas depois de um silêncio embaraçante ele quebrou o silêncio.
— Você tem mais alguma pergunta? — ele me estudava atentamente.
— Não. — a maneira como ele estava me olhando me deixava nervosa, pois ele olhava meus lábios.
— Preciso te levar para a casa.
Ele não pegou a minha mão na volta para o carro. E o ato me decepcionou um pouco. Eu deveria ter perguntado mais sobre ele. Mas algo na maneira como ele se movia e me olhava me fazia ficar sem fôlego e sentir um calor anormal em meu corpo.
O percurso até minha casa foi silencioso até chegarmos na minha rua.
— Eu vou pedir para que meus homens te deem mais espaço. Mas a proteção continua! Eles apenas manterão uma distância segura para te deixar confortável. Mas nada de fugas!
— Obrigada. Eu prometo que estou tentando aceitar tudo isto.
— Já é um início, Anna.
Eu sorri para ele. E Deus, ele sorrindo para mim, ficava ainda mais bonito. Ele se aproximou lentamente, se curvando sobre mim quando coloquei a mão para abrir o carro.
Eu podia ver os detalhes perfeitos de seu rosto, mesmo com as marcas leves da agressão, ele parecia perfeito demais. Seu olhar era perigoso e o meu coração alterou as batidas quando os seus lábios preguiçosamente passaram pelo meu rosto, pousando um beijo demorado em minha bochecha.
Quando ele se afastou eu estava em transe, olhando para ele que sorria.
— Nos vemos em breve, Anna.
Eu reuni as minhas forças junto com as minhas bolsas e desci do carro fazendo de tudo para não olhar para trás.
Quando entrei em casa, vovó limpou a garganta.
— Boa noite, Anna. Quem era o homem bonito que te trouxe?
Quase pulei do susto, eu pensei que ela estaria dormindo.
— Apenas um amigo da faculdade, vovó. — tentei parecer convincente.
Eu nunca mentia, eu nunca tinha mentido em toda a minha vida. Mas de repente a minha vida já não era como antes.
Ela parecia ter acreditado no que eu disse, pois seguimos por um tempo em uma conversa amigável sobre a quermesse que em breve aconteceria.
Quando fui para a cama, antes de dormir, Salvatore veio a minha mente bagunçar com a minha sanidade.
***
No outro dia quando sai de casa pela manhã, não tinha carro me esperando e eu agradeci por isto. Comecei a caminhar pela rua. Era o meu dia livre da faculdade e eu queria passear um pouco, distrair a minha cabeça de tudo o que estava acontecendo.
Mas o destino reservava algo diferente, pois de uma das pequenas vielas um homem pulou na minha frente e me arrastou com ele para um beco.
Eu não podia gritar, ele estava tampando a minha boca, o pânico tomou conta de mim. Eu tentava escapar, mas ele era muito mais forte do que eu. Lembrei das palavras de Salvatore me advertindo sobre os riscos que eu estava correndo. Lágrimas desceram do meu rosto, minha bolsa estava jogada no chão e o homem se esfregava em meu corpo.
— Fique quietinha, vai ser melhor...
Um disparo foi feito, o homem que me segurava caiu no chão gemendo e eu gritei. Na minha frente estava Salvatore com um olhar totalmente diferente do que eu já tinha visto. Ele me segurou me puxando para atrás dele.
— Eu vou te matar bastardo! A próxima bala vai ser no coração!
Ele apontou a arma para o homem que só gemia de dor. Sem pensar eu puxei a camisa de Salvatore.
— Salvatore, por favor, não o mate... não quero isto.
Ele parecia travar uma luta interna. Mas me puxou para os seus braços e me tirou dali, me levando para o seu carro. Ele acelerou, e eu estava tremendo, limpando as lágrimas que desciam. Eu não conhecia Salvatore, o pouco que tivemos por mensagens, por conversas não eram o bastante.
— Você está bem? Escute, sinto muito por isto. Eu posso te levar para algum lugar divertido...
Ainda com a adrenalina e a dor em meu peito, eu disse:
— Eu quero te conhecer, quero ver o seu mundo.
Ele parou o carro bruscamente e me olhou por um momento, secando minhas lágrimas. Foram longos os minutos que antecederam a sua fala:
— Tudo bem. Vou te levar para um acerto de contas. Mas será do meu jeito, você vai obedecer e ficará em segurança.
Eu apenas concordei e ele voltou o carro para a estrada. Até parar de frente a um galpão abandonado. Descemos e ele segurou a minha mão me levando para dentro. Os seus homens estavam lá, eu já conhecia muitos deles. Raffaele se aproximou, me olhou, mas suas palavras foram para Salvatore.
—Os homens vão desarmá-los assim que entrarem, assim será seguro para que você desça.
Rafaelle apontou para baixo, mostrando os homens entrando em ação. Tudo foi muito rápido alguns homens entraram no galpão sendo surpreendidos e rendidos por vários homens de Salvatore, a luta teve início.
Vi que eram os mesmos homens que agrediram Salvatore e rapidamente falei.
— São os homens daquela noite, que te machucaram.
Raffaele, desceu correndo as escadas. Salvatore tirou algo de seu bolso e colocou em meus ouvidos, me entregando seu celular.
— As coisas ficarão violentas, se sentir medo escute a música que preparei para você.
Ele beijou minha testa e desceu as escadas. Eu vi quando um homem avançou para cima dele. Mas ele rapidamente o acertou com um soco nocauteando-o. Ele seguiu, em ação. Todos combateram, realmente eles não estavam usando armas. Talvez porque queriam informações e matar não ajudaria, comecei a imaginar. Minhas mãos tremiam e eu aumentei o volume.
Eu estava ouvindo Beethoven, como trilha sonora para a cena violenta que eu estava assistindo, como se fosse um filme do cinema. Estranhamente meus olhos não saíram de cima de Salvatore, ele era uma máquina potente, sagaz e violenta. Sua camisa estava cheia de sangue e não era o dele. Ele ergueu o seu olhar e sorriu para mim, isto fez o meu coração falhar por um segundo, eu estava atraída por ele. A sua violência já não me parecia tão assustadora e eu queria ficar mais perto de Salvatore.
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