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Capa do romance Nos braços do Mafioso

Nos braços do Mafioso

Anna Bellucci vivia para o piano até salvar Salvatore D'Aquila, um líder brutal da Sacra Corona Unita, em um beco escuro. Esse ato de bondade a lança no império de sangue do mafioso. Salvatore, que abomina fraquezas, fica obcecado pela inocência da jovem. Anna tenta fugir, mas ele não aceita recusas. Entre beijos proibidos e perigos fatais, ela descobre que se entregar a essa paixão sombria é a única forma de sobreviver. Um dark romance intenso e perigoso.
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Capítulo 1

Prólogo

Salvatore D'Aquila

“Eu estava a um centímetro de seus lábios. Eu olhava para aqueles lindos olhos que estavam semicerrados esperando um beijo meu. Me aproximei lentamente, envolvendo-a em meu abraço, minha língua avançou um pouco encontrando com a dela em uma dança sensual, a minha salvadora, o meu anjo gemia se entregando para mim. Um sonho que finalmente se tornava real.”

Capítulo 1

Anna Bellucci

Eu tinha acabado de sair da Universidade, tinha ido para o ensaio de final de ano. Ajeitei as partituras em minha pasta e apressei os passos. Era uma caminhada de menos de vinte minuto até em casa.

Apesar das quatro estações, estarem tocando no meu fone de ouvido, a distância escutei freadas bruscas, um arrepio percorreu meu corpo. Não era tarde da noite, mas as ruas ficavam pacatas e poucas pessoas se arriscavam a te ajudar se você precisasse. Tudo culpa da Sacra Corona Unita, uma das máfias mais potentes. Assim todos diziam, eu tentava acreditar que isto era exagero.

Eu não frequentava os lugares que eles dominavam e eu não saia para outro lugar que não fosse casa, igreja, faculdade de música e o orfanato.

Ajustei os meus fones no ouvido, enquanto descia para a Bari Vecchia. Esta parte da cidade era um labirinto, que eu conhecia muito bem. Eu desci uma escada para a pequena rua de pedras. Era um pouco escuro, mas passando por lá, eu chegaria mais rápido em casa. Quando virei à direita, vi alguns homens batendo em alguém. Eu deveria ter corrido, mas eu não conseguiria ir embora e deixar alguém em perigo. Então, enchi meu pulmão de ar e buscando coragem gritei:

— Polícia! Por aqui, eles estão aqui!

Os homens se viraram em minha direção por um segundo. Eu congelei e somente então, vi que alguém estava caído e muito machucado. Um homem apontou a arma para mim, mas outro imediatamente cochichou algo em seu ouvido e eles correram na outra direção.

Eu me aproximei do corpo caído, apoiei sua cabeça no meu colo. Enquanto eu tirava lenços umedecidos da minha bolsa e limpava o seu rosto eu tentava falar com ele.

— Ei, você consegue me dizer como se chama?

Eu queria apenas me certificar de que ele não estava morto. Tremi com a possibilidade, mas logo o alívio veio quando ele levantou sua mão e tocou meu rosto. Seus olhos estavam nos meus. Ele murmurou:

— Meu anjo salvador...

Mesmo fraca a sua voz era grave. Ele realmente era muito bonito. Peguei meu telefone para chamar a polícia. Mas alguém o retirou da minha mão.

— Eu vou gritar....

— Não tema, garota. Você o encontrou? — o homem ajoelhado a minha frente tocava o outro e me olhava sério.

— Sim, tinham homens por aqui, estavam agredindo-o. Ele não disse muito, mas está respirando...

O homem sorriu. E entregou meu celular.

— Salvatore tem mais de sete vidas. Claro que ele está respirando. Como você se chama?

Eu estava fora do meu estado normal, provavelmente eu ainda estava em choque por tudo. Afinal eu estava sentada no chão, com um estranho desacordado e ferido em meus braços, tendo uma conversa com outro desconhecido.

— Anna. — Eu não consegui mentir.

— O que fez eles escaparem?

— Eu gritei que a polícia estava aqui.

O homem soltou uma risada desacreditada. Mas antes que eu pudesse dizer algo mais, uma dezena de homens chegaram e eles se aproximaram carregando Salvatore para o carro. Eu me levantei apressada, eu precisava sair dali.

— Muito prazer, Anna. Eu sou Raffaele Gotti. Melhor amigo e braço direito de Salvatore. Permita-me te levar em casa. — ele estendeu a mão para mim.

— Eu não vou entrar no carro...

— Tudo bem. Eu vou te acompanhar até a sua casa, vamos a pé se quiser.

— Não precisa, em dez minutos estarei lá.

— Escute, conheço Salvatore e ele não me perdoará se souber que eu não te acompanhei.

Eu mesmo com medo, concordei. Ele assim o fez, caminhou ao meu lado até a porta da minha casa. Eu agradeci por ele ter mantido silêncio. Quando cheguei no portão de casa, ele disse:

— Eles viram você?

A pergunta tinha me pegado de surpresa, após me recuperar eu apenas fiz que sim com a cabeça.

— Vou esperar você entrar. Boa noite, Anna.

— Boa noite.

Entrei e fechei a porta apressada. Agradeci por vovó estar dormindo. Se ele descobrisse o que eu tinha presenciado naquela noite, eu não sairia mais de casa. Tive dificuldade de dormir. Uma angústia estava pairando no peito.

***

No dia seguinte agradeci por vovó ter ido para a missa. Assim ela não me perguntaria sobre a noite passada. Voltaria cheia de novidades da paróquia e não me indagaria quando eu voltasse da faculdade.

Eu ainda estava angustiada, imagens da noite passada ainda estavam frescas em minha mente. Eu precisava me concentrar nos estudos. Voltar para a minha vida, apagar aquelas horas.

Peguei minha mochila e sai de casa. Comecei a caminhar, mas não fiz dois passos até que um carro se encostasse perto de mim. Olhei assustada para o Bentley Mulsanne preto, o vidro do banco de trás abaixou lentamente revelando um rosto da noite passada.

Salvatore— pensei.

— Anna...

Eu olhei assustada para ele. Eu estava paralisada mais uma vez perdida ao ouvir sua voz.

— Entre, vou te levar. — ele falou enquanto abria porta.

— Não, obrigada.

— Por favor, eu insisto. Tenho que te agradecer.

Eu parei de caminhar e olhei para ele. Pelo jeito ele estaria disposto a continuar por muito mais tempo aquela cena. Os vizinhos já estavam olhando pela janela. Respirei fundo e entrei rapidamente no carro.

Ele sorriu e estendeu a mão para mim.

— Prazer, sou Salvatore D’Aquila. — Estendi minha mão para ele enquanto ele falava.

— Anna Bellucci. Prazer.

O carro estava em movimento e eu ainda estava hipnotizada olhando o rosto bonito de Salvatore, mesmo com alguns machucados e inchados era visível a sua beleza.

— Agradeço por sua coragem na noite passada.

Meu rosto ficou quente e eu sabia que naquele momento eu estava vermelha. Ele olhava divertido o meu constrangimento.

— Eu não fiz nada demais.

— Você se arriscou por mim. Estou em débito com você. Você não pode sair por aí sozinha, principalmente à noite.

— Eu sempre saí sozinha. Eu ...

O carro parou, eu olhei para fora e estávamos na frente da minha universidade. Eu não tinha dito para ele onde eu estava indo. Mas ele já sabia. Por tudo o que tinha acontecido ontem e seu comportamento naquele momento, eu tinha minhas desconfianças. Ele me olhava e sorria. Eu não disse mais nada, abri a porta. Desci apressada, mas me atrapalhei tropeçando e quase caindo. Mal entendi quando fui amparada por braços fortes. Raffaele me segurou e sorriu. Salvatore ficou ao seu lado e pude ver o quanto ele era ainda mais imponente.

— Boa aula, Anna. — Ele se aproximou e beijou minha bochecha, me deixando sem palavras.

Virando-se para Raffaele ele calmamente disse:

— Quero que ela seja protegida o tempo todo. Todos os lugares que ela for, os meus homens devem segui-la.

— Eu não quero isto! — Falei bem mais alto que eu gostaria atraindo olhares de alguns colegas para a cena.

Ele apenas me ignorou e entrou no carro com Rafaelle. Eu estava nervosa e totalmente envergonhada por ser o centro das atenções enquanto eu entrava para o pátio.

Era impossível não chamar atenção, eu tinha cinco brutamontes em ternos pretos me seguindo. Todos desconfiam de quem eram aqueles homens, do que eles faziam parte. Os seus homens entraram comigo para a faculdade, nem mesmo na sala de aula eu tinha paz. Meus colegas estavam sempre cochichando a respeito. Os professores sempre irritados. Mas estranhamente ninguém tinha coragem de falar em voz alta ou fazer algo a respeito.

Eu tentei pedir para que se afastassem, que ficassem longe. Mas um deles apenas respondeu que seguia ordens do chefe Salvatore.

Claro, Salvatore! Eu não sabia exatamente o que a Máfia fazia, eu tinha minhas desconfianças claro, já tinha assistido filmes, eu já tinha escutado rumores. Mas tudo parecia tão surreal, tão longe da vida pacata que eu levava.

E em uma noite, com um ato samaritano eu trouxe para minha vida um mafioso. Eu tive esperanças de que ele me deixaria em paz, esqueceria esta história de me proteger. Mas eu estava enganada.

No dia seguinte, ele não apareceu, mas mandou um motorista em um carro luxuoso. Obviamente, eu me recusei a entrar no carro. Naquele mesmo momento meu telefone tocou e ele apenas disse:

— Entre no carro! Ou eu mesmo vou aí te pegar nos braços e te colocar em segurança!

Eu fiquei assustada, não sabia se pelo fato que Salvatore realmente faria isto ou pelo fato que eu realmente poderia estar em risco. Eu não disse nada, voltei para o carro que me esperava. Quando o motorista abriu a porta para mim, Salvatore do outro lado da linha disse apenas.

— Melhor assim. Tem algo para você no carro. Tenha um bom dia, Anna.

Ele não esperou por uma resposta minha e desligou. Somente aí percebi a rosa vermelha e uma pequena caixa acompanhada de um pequeno bilhete.

Ansiosa eu peguei o bilhete e comecei a ler: ...Non sono un angelo, né un genio, né un fantasma... (Gaston Leroux, Il fantasma dell'Opera

“...Não sou um anjo, nem um gênio, nem um fantasma...” - O fantasma da Ópera

Eu conhecia bem este trecho, aquela opera. Pelo jeito ele gostava de ler. Sorri. Peguei a caixa e abri. Dentro estava um colar com um pingente delicado em forma de clave de sol. Eu tinha amado o gesto. Eu peguei o telefone a agradeci por mensagem.

A partir daí virou rotina, carros luxuosos, uma rosa vermelha, o trecho de uma opera ou um poema. Eu escrevia e ele respondia. E seguíamos falando sobre arte, sobre a vida, de tudo. Mas sem aprofundar no seu lado obscuro. Eu amava falar com ele, era seguro por mensagem, não ter aqueles olhos intensos sobre mim.

Mas passaram alguns dias em que ele nada escreveu, apenas a rosa foi enviada. Me senti estranha. Até mesmo, abandonada. Então me dei conta, a quão patética eu estava sendo. Um homem como ele não acharia graça em uma garota como eu por muito tempo. Ele tinha perdido o interesse e eu precisava seguir. Foi então que cansada de tudo decidi quebrar sua regra.

Um dia após a aula, cansada de toda a situação em que eu mesma tinha me metido sozinha, pulei da janela de trás da sala do anfiteatro e corri para a rua. Conseguindo pegar um ônibus. Eu estava feliz, finalmente livre daquele espetáculo dele. Se eu tivesse escutado o que vovó dizia eu não estaria naquela situação.

Encostei minha cabeça na janela do ônibus, olhando o mar banhar a praia do outro lado da avenida. De repente uma Bugatti La Voiture Noire ultrapassou o ônibus e bruscamente freou. Todos gritaram e motorista do ônibus começou a xingar o motorista do carro esportivo. Mas quando o ocupante do carro luxuoso desceu ajeitando o seu terno caro e caminhou com elegância para dentro do ônibus todos se calaram. Salvatore caminhou lentamente e parou do meu lado.

Ele era irritante, convencido e eu estava muito zangada. Mas ele não me deixaria ali de qualquer maneira. E eu já tinha me dado por vencida. Afinal, ele tinha me tratado bem apesar de seu comportamento protetivo.

Ele estendeu sua mão e esperou tranquilamente. Eu estava perdida, pois segurei sua mão e fui levada para o seu carro. Ele nada disse e partiu estrada a fora acelerando forte, assim como estava acelerado o meu coração.

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