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Nos Braços do CEO

Kathleia cresceu negligenciada pelos pais, vivendo à sombra da irmã. Após a morte do pai e o sumiço da irmã, ela assumiu o sustento da mãe, embora prefira missões internacionais como investigadora da Narcóticos. Sua vida vira um caos ao saber que a irmã foi morta no México. Decidida a vingá-la, ela assume a identidade da falecida, mergulhando em uma perigosa teia de mentiras e traições ao descobrir que a irmã levava uma vida dupla complexa e sombria.
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Capítulo 3

- Vai ficar bem? – Sara pergunta, após estacionar o carro na frente de casa, uma semana depois.

Tiro o cinto de segurança, assentindo com um suspiro.

-Vou ficar bem, nos vemos amanhã – Abro a porta, segurando a mala de mão.

-Qualquer coisa me liga, está bem?

Sorrio em concordância.

-Sim, senhora – brinco, fechando a porta.

Sara dá partida quando vou em direção à porta, procurando á chave certa para a fechadura.

Suspiro profundamente ao entrar no vestíbulo, sendo recebida pelo silêncio, constatando que minha mãe deveria estar no bingo.

Subo os degraus da escada em direção ao meu quarto, ouvindo às madeiras rangerem embaixo dos meus pés, abrindo a segunda porta do lado esquerdo.

Dona Rosa, como costumava carinhosamente chamá-la, mantinha meu quarto impecável, mesmo na maioria das vezes não estando em casa devido ao trabalho; Não somente meu quarto, mas também a casa toda, mesmo durante estes últimos anos sendo apenas eu e ela.

Desde que comecei a entender o mundo, tinha meus pais como o final de um conto de fadas, no qual acreditava veemente que viveriam para sempre, mesmo com os conflitos no cotidiano, ainda éramos vistos como uma família feliz, pelo menos era assim que pensava.

Me livro das roupas que vestia, entrando embaixo da água quente que saia do chuveiro. Minha respiração sai tremula, quando lembro tudo com exatidão.

Era mais uma das brigas que tinha com Katerina, pelo mesmo motivo de sempre: por sempre pegar no meu pé. Discutíamos na sala quando nosso pai chegou e calmamente tentou entender o motivo da discursão, ignorando completamente o pedido do médico para evitar situações de estresse.

Aquela noite era a noite de pizza na escola e antes de sairmos, prometeu que quando voltássemos colocaríamos uma pedra sob aquela desavença.

Porém, no caminho da escola, outra discursão se iniciou, mamãe tentava a todo custo nos fazer parar de discutir, em vão, até que desferi um tapa no rosto de Katerina e consequentemente ela avançou em mim.

Meu pai acabou tendo um infarto enquanto dirigia, mamãe assustada não conseguiu o controle do carro e acabamos batendo em um poste.

Lembro claramente dos gritos desesperados de mamãe ao entender o que havia acontecido.

Uma ambulância foi acionada, mas não havia mais nada que pudesse ser feito por papai e Katerina ainda estava desacordada, sendo levada às presas para o hospital, permanecendo em um coma induzido por um mês por conta de um traumatismo craniano.

Com a morte de papai e com o estado clínico de Katerina grave, mamãe praticamente evitada minha existência. Não se importando se comparecia na escola ou nas atividades extracurriculares. Perambulava pela casa sempre com lágrimas nos olhos, sempre dedicando uma parte de seu tempo à Katerina.

Deixo o banheiro enrolada em uma toalha, usando outra para secar meu cabelo. Meus olhos vão de encontro a fotografia na pequena estante ao lado da porta, tínhamos oito anos e estávamos contentes em ir pela primeira vez ao cinema.

Papai também estava sorridente e mamãe tinha um sorriso contido.

Éramos seus milagres, suas gêmeas que lutaram bravamente em uma uti neonatal, por terem nascido prematuras.

Talvez seja por isto que após a alta de Katerina, mamãe anunciou durante o jantar silencioso que iríamos para a América. Usará como argumento o fato de não podermos mais morar em Cholula, devido á todas as lembranças que a faziam lembrar de papai e por acreditar que merecíamos um recomeço.

Então em um belo dia ensolarado, cujo não havia nenhuma nuvem no céu, uma de meus dias preferidos, é claro, deixamos o México com destino a Harlem em Manhattan, onde apenas uma vendedora de imóveis nós aguardava.

Dona Rosa acreditava que era um bom recomeço e que estaríamos longe de problemas.

Só que não foi exatamente o que aconteceu.

Os meses seguintes se tornaram um inferno e tinha minha parcela de culpa.

Acabo por dormir, ainda enrolada na toalha, despertando tempo depois com barulhos vindo do andar inferior.

Esfrego meus olhos enquanto caminho em direção a cozinha, bocejando ao ver minha mãe no cômodo a frente.

-Kathléia - diz pousando o copo sobre a mesa - Não sabia que voltaria hoje para casa –Ela se aproxima me abraçando, inspiro profundamente seu perfume, ignorando a dor do contato com o ferimento abaixo do meu ombro - Está tudo bem?

-Sim. Está - digo automaticamente, me servindo de água - Foi ao bingo?

Ela assenti terminando de beber sua água.

-Deveria vir quaisquer dias deste. Iria gostar.

Sorrio levemente, sem mostrar os dentes.

-A filha da Sra. Johnson sempre vai – continua – Katerina gostava de ir a bingos.

Dona Rosa solta o ar dos pulmões, fechando os olhos por alguns instantes.

-Katerina – diz nostálgica – Ela abre os olhos, inclinando a cabeça para o lado – Vejo ela em você, mas você não é ela – diz séria.

Baixo a cabeça, engolindo em seco.

-Katerina era uma ótima filha, tirando seu comportamento estranho depois do acidente...- Ela inspira profundamente, se servindo de mais água.

-Vou preparar o jantar – digo atraindo seu olhar.

-Sabe de como gosto do meu jantar – diz dona Rosa, deixando a cozinha.

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