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Capa do romance Nós braços de um Selvagem

Nós braços de um Selvagem

Dono de uma beleza rústica e alma bondosa, Kadu vive em harmonia com a natureza em uma ilha isolada. Sua paz é interrompida por Dandara, uma estudante de jornalismo que busca entrevistá-lo. Enquanto se aproximam, a jovem rica tenta esconder as cicatrizes de um estupro cometido por seu ex-noivo, Danilo. Em meio à dor, ela vê nos olhos do sensível nórdico a chance de recomeçar. Resta saber se esse amor puro será capaz de curar as marcas de um passado tão cruel.
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Capítulo 3

Danilo lhe mostrou o caminho, lhe oferecia aquele olhar cheio de malícia. Dandara sentiu o coração se apertar ao ser obrigada a entrar naquela casa. Não era realmente a primeira vez que estava ali, foram muitos os jantares, os almoços em família aos domingos em que seus sogros viviam a elogiando por ser uma excelente garota para o filho. "Boa até demais" ela pensou com revolta, pois Dandara sabia que apenas o amor que tinha por ele não seria suficiente para suportar o jeito possessivo e machista de seu noivo.

Danilo a levou para a sala particular onde guardavam as bebidas, o que mais ele apreciavam eram sua coleção de vinhos europeus, sempre que ia a negócios a Itália ou a frança não deixava de trazer um bom vinho. Sabia que Dandara não gostava de álcool, mas sempre que insistia tinha sua aprovação.

Talvez fosse todas as diferenças que tinham que acabou atraindo um para o outro.

Eles se conheceram na inauguração de um hotel de seu pai em outra cidade. Ela estava com sua família durante o coquetel quando aquele rapaz de olhos penetrantes que parecia ler sua alma chegou se apresentando como sócio de seu pai.

Mais tarde Paulo elogiou as qualidade empreendedoras de Danilo e disse que confiava plenamente nele, mesmo ainda sendo jovem aos vinte e cinco anos.

Paulo apenas não pode ver o mau caráter que seu genro era. E aquela noite iria arrancar de sua filha algo que faria falta no futuro e deixaria marcado para sempre seu passado.

Após muitas taças de vinho Danilo já não estava sóbrio para se manter de pé, porém teve força suficiente para beijar os lábios de Dandara e força-la subir as escadas em direção ao seu quarto.

Ela.lutou enquanto pode, sabia que o inevitável acabaria acontecendo, mesmo contra sua vontade, ele não a deixaria escapar:

___ Por que não Dandara? (Ele disse acariciando os seios ainda escondidos por baixo da camiseta que ela usava)

Dandara sentiu o pavor percorrer todo seu corpo. Não estava preparada, havia cansado de dizer isso a ele e Danilo estava casando de ouvir a mesma coisa. Se ele já não demonstrava ter caráter nas pequenas coisas da vida como agradecer um garçom que trouxe sua comida ou mesmo doar uma esmola a algum morador de rua, aquele momento então Dandara iria conhecer o monstro insaciável que vivia dentro daquele homem que se fazia de "bom moço".

Ele a segurava por trás, a fazendo sentir o impacto de seu membro em seu quadril. Ter consciência do que aquele toque significava Dandara entrou em desespero e começou a chorar baixinho. Estava irritada com tanta insistência e se.odiava por não ter coragem suficiente para enfrenta-lo:

___ Para por favor Danilo... eu não quero... Não assim! (Ela disse chorando)

Ouviu a risada sombria de Danilo, ele a apertou nas nádegas. Dandara soluçou, não tinha mais força para implorar que ele parasse. Apenas um milagre a livraria e ela sabia que não teria ninguém por ela.

Seria eonas ela e sua dor, a infita dor que sentia quando pressentia que Danilo iria força-la a ter relações com ele:

___ E quer de que forma meu amor? (ele perguntou lambendo o lóbulo de sua orelha esquerda)

Dandara tentou empura-lo mas foi inútil, ele a mantinha presa em seus braços:

___ Eu não quero... (ela disse virando o rosto para evitar ser beijada na boca)

Danilo sorriu e a beijou a força:

___ Estou de saco cheio Dandara! Há quase dois anos não transo com ninguém respeito a você que é minha mulher... Agora vai me evitar? Só pode ser uma piada!

___ Não nós casamos ainda Danilo, você prometeu que esperaria nosso casamento!(Disse Dandara em lágrimas)

___ Não seja tola Dandara! Se vamos nos casar de todo jeito porque não fazer algo que é nosso por direito?

Danilo não ouviu sua súplica para parar, não a tomou com carinho com que ela sonhava de como seria a primeira vez que estaria nos braços de um homem.

Mesmo escutando seus soluços Danilo covardemente violentou o frágil corpo de Dandara. Nem seus gritos mais altos quando ele a penetrou com toda a brutalidade pode fazer com que parasse. A dor física não se comparava a dor que sua alma sentia em ter consciência que estava sendo estuprada por alguém que vivia em seu coração. Dizer te amo não amenizava o maldade sem precedentes que ele havia feito. E no final depois de ter arrancado sua pureza o miserável ainda lhe disse "Eu te amo baby".

Dandara sentiu a garganta secar, assim como seu coração, havia um silêncio perturbador, que fazia com que ela escutasse a própria agonia que se fazia em sua mente tentando compreender todo aquele terror que havia vivido.

Danilo roncava ali do seu lado naquela cama de casal. Dandara encolhida ainda tentava se mexer. Todo seu corpo doía, sentia vontade de vomitar, estava molhada, um líquido pegajoso escorria por suas pernas, ela sabia o que aquilo significava, mesmo sendo virgem havia assistido aulas de reprodução humana.

Não era o tipo de garota que tinha interesse por assuntos sobre a sexualidade e menos ainda teria apartir de todo aquele trauma que acabou de vivênciar.

A única coisa que passava em sua mente era: "Eu não posso engravidar".

Pensando desesperada sobre aquela possibilidade ela fugiu, precisava tomar uma atitude em relação aquilo. Vestiu sua peça íntima, colocou sua calça que estava jogada no chão, lembrou com angústia do momento em que Danilo arrancou sua roupa a machucou na perna quando ela tentou impedi-lo.

Seu corpo todo tremia e foi muito difícil conseguir andar, era como se não tivesse mais controle de suas próprias pernas.

Pegou sua bolsa e ligou para um táxi. Foi para a calçada e esperou por quinze minutos o que lhe pareceu uma eternidade. O taxista estacionou e rapidamente Dandara entrou.

O choro constante da garota no banco de trás começou a preocupar o taxista:

___ Para onde? (Ele perguntou)

___ Para o hospital! (Ela disse entre as lágrimas)

O motorista não compreendeu, não havia nada de errado com A garota, parecia ser uma das meninas filhas de ricos que viviam naquele condomínio, mas se ele pudesse saber a verdade. Que sua alma sangrava depois daquele estupro de seu próprio noivo, ele a socorreria com urgência.

Dandara começou a dar ânsias de vômitos, estava sentindo o cheiro do esperma que ainda estava impregnado nas suas pernas e desciam de sua região íntima. O cheiro era o pior de todos os aromas que já havia experimentado com sua hipersensibilidade ofativa. Sentia o cheiro de Danilo, sentia as mãos de Danilo arrancando suas roupas e sua alma. Não suportava mais segurar o vômito, abriu a janela e gorfou.

Em menos de dez minutos o taxista parou na entrada do hospital. Dandara lhe deu o dinheiro e nem se interessou em saber de seu troco.

Correu pela entrada da recepção, várias pessoas esperavam ali. Sua visão foi ficando cada vez mais turva e ela desmaiou ali no chão. Não podia mais ouvir as pessoas que falavam ali na sala da recepção do hospital. O eco daquela sala foi diminuindo a medida que todos os seus sentimentos desapareciam.

Minutos mais tarde ela acordou já deitada na cama. Havia um acesso levando um soro em sua veia do braço direito. Uma enfermeira fazia anotações ali do lado da cama quando ela finalmente acordou:

___ Está melhor?  Você teve uma queda de pressão... Quer que ligue para alguem da sua família? (Disse a enfermeira)

___ Quero falar com o médico que me atendeu!

A enfermeira não fez mais perguntas, apenas recolheu os papéis e saiu do quarto. Cinco minutos depois entrou um médico grisalho, de olhar cheio de olheiras denunciando as altas horas de um plantão que não teve interrupção:

___ O que precisa? (ele perguntou verificando a válvula do soro)

___ Tive relação com meu noivo e não quero engravidar! (ela disse o encarando)

Houve um silêncio no quarto, o médico com idade para ser seu avô tentava entender o que aquela moça lhe dizia.

___ Se eu engravidar dele eu vou abortar... Eu juro que vou! (Dandara disse aos prantos)

O médico então compreendeu a dimensão do problema que aquela jovem enfrentava:

___ Já foi a delegacia dar queixa do monstro que fez isso a você? (perguntou o médico se mostrando comovido com o sofrimento de Dandara)

Danada apenas mandou a cabeça negando. Ele respirou fundo e chamou a enfermeira. Falou algo em seu ouvido e ela deixou o quarto novamente:

___ Quando estiver melhor vou com você até a polícia, um filha da puta que faz isso merece prisão perpétua! (Disse o médico)

Dandara concordou, estava cansada, o choro não lhe dava trégua, a angústia que ela sentia sufocava seu coração a impedindo de respirar.

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