
Noiva Abandonada, Vida Reconstruída
Capítulo 2
No dia do meu casamento, o meu noivo, Pedro, desapareceu.
A igreja estava cheia, a música tocava suavemente, e eu estava no altar, sozinha, com o meu vestido branco a parecer uma piada.
As horas passaram, os convidados começaram a murmurar, e o meu telemóvel não parava de vibrar com mensagens de pena e perguntas.
Ignorei todas elas, mas atendi a chamada do meu irmão, Leo.
A sua voz estava tensa. "Ana, onde estás? O Pedro não está aqui."
"Eu sei, Leo. Estou no altar. Onde mais estaria?"
Houve uma pausa, depois um som de algo a cair do outro lado da linha.
"Espera, o que disseste? Tu não recebeste a mensagem dele?"
"Que mensagem?" O meu coração começou a bater mais depressa, um mau pressentimento a instalar-se no meu peito.
"Ele mandou uma mensagem para toda a gente, a dizer que o casamento estava cancelado, que tinha uma emergência familiar."
Uma emergência familiar? A única família que o Pedro tinha era a sua irmã, Sofia.
E a Sofia estava sentada na primeira fila, a olhar para mim com uma expressão de falsa preocupação.
O meu olhar encontrou o dela, e ela desviou-o rapidamente, começando a mexer nervosamente na sua mala.
Naquele momento, eu soube. Soube que ela estava a mentir, que o Pedro estava a mentir, e que eu era a única que não sabia da piada.
Respirei fundo e falei para o telemóvel. "Leo, está tudo bem. Diz a todos para irem para casa. Eu trato disto."
Desliguei antes que ele pudesse protestar.
Caminhei pelo corredor, passando pelas caras confusas e piedosas dos convidados.
Parei em frente à Sofia.
"Onde é que ele está?", perguntei, a minha voz surpreendentemente calma.
Ela não me olhou nos olhos. "Ana, eu não sei... Ele disse que a avó não estava bem..."
"A avó dele morreu há dois anos, Sofia. Nós fomos ao funeral juntos."
O rosto dela ficou pálido.
"Vamos, diz-me. Onde está o meu noivo?"
Ela engoliu em seco, as mãos a tremer. "Ele... ele foi para o hospital. A ex-namorada dele, a Clara, teve um acidente de carro. Ele tinha de ir."
Clara. O nome atingiu-me como água fria.
A mulher com quem ele tinha tido uma relação tóxica durante anos, a mulher que ele me jurou que tinha superado.
"Um acidente de carro?", repeti, a incredulidade a misturar-se com a raiva. "E ele escolheu ir ter com ela, no dia do nosso casamento?"
"Ela ligou-lhe a chorar, Ana. Disse que estava a morrer. O que é que ele podia fazer?"
"Ele podia ter-me dito. Podia ter-me ligado. Podia não me ter deixado aqui, sozinha, a parecer uma idiota."
Virei-me e saí da igreja, o som dos meus saltos a ecoar no silêncio.
Lá fora, o sol brilhava, indiferente ao colapso do meu mundo.
Tirei o telemóvel e disquei o número do Pedro.
Foi diretamente para o correio de voz.
Claro que foi.
A minha mãe aproximou-se, o rosto dela uma máscara de preocupação. "Querida, o que se passa? Onde está o Pedro?"
"Ele foi-se embora, mãe."
"O quê? Como assim, foi-se embora? Para onde?"
"Para o hospital. Para a Clara."
A minha mãe ficou sem palavras, o choque evidente nos seus olhos. Ela sabia da história da Clara, das noites que passei a chorar por causa das mentiras e manipulações dela.
"Eu vou matá-lo", disse ela finalmente, a voz dela baixa e furiosa.
"Não vale a pena, mãe. Já acabou."
Naquele momento, tomei uma decisão.
Não haveria mais lágrimas. Não haveria mais segundas oportunidades.
O Pedro fez a sua escolha.
Agora, eu ia fazer a minha.
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