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Capa do romance Nikolai | Série Pavlov

Nikolai | Série Pavlov

Nikolai Pavlov foi moldado pelo pai cruel para se tornar o implacável sucessor da máfia russa. Contudo, antes de assumir o trono do crime, ele confronta a regra mais rígida da organização: a obrigação de um casamento. Entre conflitos intensos e sentimentos inesperados, Nikolai encara um dilema decisivo. Ele deve escolher entre superar seu passado sombrio para encontrar a felicidade ou repetir o ciclo de amargura e frieza que marcou seu mentor.
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Capítulo 3

Capítulo 1 — Página 1

“Tanto a máfia como a moralidade têm herdeiros numa sociedade...”

— Fernando Matos

12 anos depois...

Encostei na cadeira do meu escritório e respirei fundo. Já eram quase oito da noite, havia acabado de chegar de mais uma das sessões de tortura.

Alguns homens haviam roubado uma grande carga necessária de nós e após muito esforço, conseguimos recuperar. Drogas, o maior número de drogas que já havíamos transportado.

Vários homens mortos, diversos feridos e seis capangas pegos. Nenhum deles ligava para as suas vidas o suficiente para saber quem havia feito isso. Mas eu havia descoberto...

Depois de resolvermos os assuntos, alguns pauzinhos foram mexidos e finalmente, tínhamos chegado ao maior juiz do país. Bóris Semyonova.

Ele apanhou, mas não abriu o bico. Já sabíamos para quem ele trabalhava, não era necessário toda essa tortura, mas eu queria poder ouvi-lo gritar e implorar por sua vida.

Eu estava me tornando um maldito bastardo como Vladimir, mas ainda era o de menos.

Meu celular tocou sobre a mesa e eu o peguei desinteressado. Atendi e o levei ao ouvido rapidamente.

— Oi, Nikolai. — Era Mikhail. — Meu pai quer que você venha em casa. Agora.

Ele parecia nervoso.

— Você aprontou, Mikhail? — Perguntei, pegando o blazer das costas do sofá e saindo da sala.

— Por favor, só vem. — Ele disse preocupado. — Não quero que ele desconte na mamãe.

— Chego em meia hora. — Desliguei e devolvi o celular ao bolso.

— Para onde vai, menino? — Victória, a governanta da casa me perguntou.

Era uma mulher de cinquenta e poucos anos, gentil e muito simpática. Eu a amava, me fazia lembrar a minha mãe.

A contratei pouco depois de sair da casa dos meus pais, aos dezoito. Tentei arrastar os meus irmãos mais novos, e por súplicas da minha mãe, acabei deixando-os lá, mas não totalmente.

Dmitry havia ido embora e agora, era meu consigliere, ou melhor, seria... assim que o velho, finalmente, morresse.

— Parece que o Mikhail se colocou em problemas, estou tentando ajudar. — Avisei. — Não sei que horas volto, beijos.

Bati a porta atrás de mim e corri para o carro. Dei partida poucos segundos depois e acelerei o máximo que eu pude.

O trajeto até a casa dos meus pais parecia mais longo hoje.

Deixei o carro na frente da casa e sai, indo até a porta rapidamente. Quase pude ouvir os berros do meu pai, mas estava tudo estranhamente silencioso.

Franzi a testa. Mikhail estava nervoso.

Bati na porta e ela foi atendida alguns minutos depois. Minha mãe me deu um sorriso nervoso e passou a mão no vestido.

— Nikolai. — Disse aliviada. — Como está, meu filho?

— Bem, mãe. — A abracei. Sentia falta do seu abraço todos os dias. — O que aconteceu com Mikhail?

— O seu irmão é um inconsequente. — Ela pôs a mão na testa. — Vou deixar que seu pai explique, não quero que ele se estresse mais.

— Ele não iria encostar em você, não mais. — Eu disse sério. — Eu quebraria as duas mãos daquele filho da puta.

— Não fale assim do seu pai. — Repreendeu e olhou para os lados.

— Ele não é meu pai. — Cruzei os dedos na frente do corpo. — Podemos ir agora? Estou curioso.

Minha mãe assentiu nervosa e passou a mão nos cabelos. Seja lá o que estivesse acontecendo, era ruim.

Ao chegar na sala, franzi a testa e curvei os lábios. O Don da máfia colombiana, Maximiliano, estava sentado ali, junto da sua filha e esposa. Aaliyah e Celeste.

O clima parecia estar tenso, mesmo que os mais velhos estivessem sorrindo e bebendo copos de whisky.

Dmitry estava sentado ao lado de Mikhail, que parecia nervoso e apertava seus dedos das mãos com força. Corri os olhos pela sala rapidamente e suspirei.

— Que porra está acontecendo dessa vez? — Perguntei, cortando o clima e chamando toda a atenção para mim.

— Nikolai.. — Meu pai disse calmo e deu uma última golada, antes de deixar seu copo de lado. — Onde está a sua educação?

— Vamos logo, Vladimir. — Revirei os olhos. — Que merda Mikhail fez e porque me chamaram?

— Vamos deixar que ele mesmo responda, já que é homem. — Vladimir cruzou as pernas e o encarou.

Mikhail limpou a garganta algumas vezes e finalmente me encarou, parecia com medo da minha reação. Ele abriu a boca algumas vezes para falar, mas desistiu.

— Aaliyah está grávida. — Disse por fim.

— E o que você tem haver com isso, Mikhail? — Cruzei os braços.

— O filho é meu. — Ele disse e desviou o olhar.

E então, eu senti como se o mundo estivesse caindo na minhas costas novamente. Esse era um problema que eu não podia resolver.

Mikhail podia ter criado uma guerra, ou ele seria obrigado a se casar. Por Deus, ele só tem quinze anos.

— Levante-se. — Mandei. Mikhail se levantou e encarou o chão. — Mikhail, olhe para mim, porra.

Ele me encarou, seus olhos estavam cheios pelas lágrimas. Eu sabia que ele queria chorar, era o mais sensível dos três.

— Dimitry, venha também. — E então, eu comecei a subir para o andar de cima.

Ao entrar no quarto de Mikhail, esperei que eles entrassem e tranquei a porta.

Mikhail se sentou na cama e encarou o chão. Dimitry respirou fundo e passou a mão no rosto nervosamente, enquanto manti os olhos fixos nele.

— Por Deus, Mikhail.. — Começou. — Como você fez essa merda? Como engravidou essa garota?

— Você está preso a ela, pelo resto da sua vida. — Completei, exasperado.

— Eu sei, e eu.. — Ele disse com a voz embargada.

—Não adianta chorar agora, porra. — Gritei. — Você terá que virar a porra de um homem, Mikhail, terá de crescer, sustentar uma família.. ou você acha que aquela garota vai comer e beber sozinha? — dei uma pequena pausa antes de continuar. — Você não queria e eu te protegi até onde deu, Mikhail, mas esse erro foi feio e agora, você vai ter que entrar nos negócios da família.

— Mas.. mas.. — Ele tentou argumentar.

— Você tem que engolir o choro e virar o maior filho da puta possível, Mikhail, ou eles vão te destruir.. como o seu pai tentou fazer com o Nikolai. — Dimitry apontou para mim. — Ele protegeu a gente, ele apanhou por nós dois e você, o único que tinha chances, jogou tudo no lixo.

— Me desculpa.— Ele fungou.

— Não posso, não consigo.. — Dimitry sussurrou. — eu queria ter tido uma chance, Mikhail, eu queria ter feito faculdade, eu queria ter salvado uma vida.. mas eu sou só uma maquina que tira elas.

— Entrar na máfia não deve ser tão ruim. — Mikhail se encolheu.

— É horrível, Mikhail, é devastador. — me sentei ao seu lado e encarei a porta. A porta que tranquei tantas vezes. — Isso te mata todos os dias, a sensação é sufocante. Hoje eu matei um homem, sabia? — Encarei seu rosto e ele negou. — E ele tinha filhos, ele tinha uma família e eu o matei, enquanto ele implorava pela vida. E sabe o que foi pior, Mikhail?

— Não. — Ele murmurou.

— Eu gostei, isso foi o pior.. — Eu encarei meus pés. — Eu estou me transformando nele e não quero isso para você, mas essa é a vida que você vai viver a partir de hoje, ou você caça, ou você será caçado e não é bom ser pego.

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