
Nem pensem no perdão
Capítulo 2
Quando reconheceram Liam, os sequestradores começaram a tremer. "Senhor Warren, não sabíamos que você estava aqui. Por favor, tenha piedade!"
Eles baixaram a cabeça, o arrependimento estampado em seus rostos.
Todos sabiam que Liam não era de brincadeira. Ele comandava um império gigantesco que apagava a linha entre o crime e os negócios legítimos, e sua reputação implacável amedrontava qualquer um que fosse tolo o bastante para mexer com ele. Que azar dar de cara com ele aqui!
Sem sequer olhar para eles, Liam foi até Kathryn e a desamarrou. Para seu espanto, ela se moveu como um relâmpago e pegou uma adaga do chão.
Num piscar de olhos, a lâmina penetrou na garganta do sequestrador que acabara de tentar estuprá-la, e o sangue jorrou por toda parte.
A cena fez os outros homens congelarem de terror.
"Quem... quem é você?", um deles gaguejou.
"Sou a pessoa que vai mandá-los direto para o inferno", respondeu Kathryn, um sorriso cruel e perverso se formando nos lábios.
No próximo segundo, o galpão ecoou com gritos, súplicas desesperadas e o som repugnante de ossos se quebrando.
Kathryn então se aproximou do homem com o rosto cheio de cicatrizes, líder dos sequestradores.
"Fale logo. Quanto Jolene te pagou? Qual era o plano?", ela exigiu friamente.
"Ela nos pagou 5 milhões para te sequestrar. Imaginou que seus irmãos iriam escolhê-la... e então... então queria que te matássemos depois de fazermos o que bem entendêssemos com você", confessou o homem, tremendo e gaguejando, seus olhos arregalados de terror como se ela fosse um monstro aterrorizante.
Os olhos de Kathryn brilharam como aço. Jolene, seus supostos irmãos e o noivo que ela amara por três anos logo perceberiam que nunca deveriam subestimá-la!
Ela ansiara pelo amor deles e se esforçara ao máximo para atender a todas as exigências dos Brown. No entanto, eles nunca a aceitaram e sempre passavam dos limites.
Desta vez, ela se cansara de insistir e não teria piedade! Os Brown eram tolos por terem virado as costas para a própria irmã para proteger Jolene, a impostora!
"Saiam daqui e nunca mais voltem!", Kathryn ordenou num tom ríspido.
Aterrorizados, os sequestradores se dispersaram e desapareceram num piscar de olhos.
Liam observava em silêncio, intrigado com ela.
Ele havia presumido que ela fosse indefesa, mas, na verdade, era forte e feroz, nada do que esperava.
Kathryn olhou para ele e agradeceu sinceramente: "Obrigada pelo que fez hoje."
Quando Liam estava prestes a responder, uma onda repentina de sangue, metálico e amargo, subiu por sua garganta.
Ele tossiu violentamente, cuspindo uma grande quantidade enquanto seu corpo cambaleava e seu rosto empalidecia.
Ao perceber o sofrimento dele, Kathryn franziu a testa e o amparou. "Você foi envenenado, não foi?"
Liam hesitou, então olhou para ela e perguntou: "Como descobriu isso?"
A toxina dentro dele era extremamente rara. Seus sintomas eram sutis e impossíveis de serem detectados pela maioria dos médicos. Então como ela conseguiu identificá-la tão rapidamente?
Kathryn analisou cuidadosamente o estado dele, depois soltou sua mão e afirmou com convicção: "Esse veneno está no seu organismo há cerca de um mês. Se não for tratado logo, pode causar sérios danos."
De fato, ela estava certa.
Alguém próximo a ele havia sido comprado pelo Serpents para envenená-lo. Mesmo depois de oferecer uma grande recompensa na DarkNet, ele não encontrara ninguém capaz de reverter os danos.
"Você consegue me curar?", Liam perguntou, sua voz baixa.
"Você confia em mim? Se sim, me dê sua mão", pediu Kathryn com firmeza.
Liam encontrou o olhar firme e resoluto dela e, embora normalmente cauteloso e desconfiado, respondeu instintivamente: "Confio em você."
"Fique parado." Sem hesitar, Kathryn pegou uma pequena lâmina, segurou a mão dele e fez um corte preciso no seu dedo indicador, fazendo uma gota de sangue escurecido escorrer.
"Senhor Warren!", gritou um dos homens de Liam, correndo alarmado.
"Não temos o equipamento para remover completamente o veneno aqui, mas podemos liberar algumas das toxinas para retardá-lo por enquanto", explicou Kathryn calmamente.
Um tempo depois, Liam percebeu que os sintomas estavam diminuindo e se sentiu consideravelmente melhor.
Ele olhou para Kathryn e, notando gotas de suor na sua testa e um olhar concentrado e intenso, disse suavemente: "Se precisar de alguma coisa, é só falar."
Kathryn balançou a cabeça. "Não precisa me agradecer. Considere isso como uma retribuição por ter me salvado com aquele tiro. Vou garantir que esse veneno seja completamente eliminado do seu corpo."
Ao ouvi-la, Liam estreitou os olhos ligeiramente. Havia algo misterioso nela que ele não conseguia entender muito bem.
"Até que o veneno seja totalmente eliminado do meu corpo, você terá que ficar perto de mim", ordenou ele com uma autoridade discreta.
Ele era um homem que nunca deixava ninguém, principalmente mulheres, se aproximar tanto. Mas, com Kathryn, quebrou sua própria regra pela primeira vez.
Ela não parecia se incomodar, apenas arqueando uma sobrancelha. "Tudo bem, e você terá que providenciar comida e abrigo. Mas, primeiro, preciso voltar para casa e cortar todos os laços com os Brown."
Liam abriu um leve sorriso. "Combinado."
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