
Nem pensem no perdão
Capítulo 3
Quando Kathryn chegou em casa, encontrou seus pais biológicos e três irmãos reunidos em volta de Jolene, a enchendo de carinho e atenção. Uma risada amarga escapou dos seus lábios enquanto ela observava tudo.
Sem perder tempo, ela se aproximou, agarrou um punhado do cabelo de Jolene e deu um tapa forte no rosto dela, o estalo agudo ecoando pela sala.
A família Brown ficou paralisada de choque ao ver que foi Kathryn quem acabara de bater em Jolene. Ela não estava com aqueles sequestradores?
Jolene segurou a bochecha, gritando incrédula: "Kathryn, você perdeu completamente a cabeça?"
Austin foi o primeiro a sair do choque. "Kathryn, o que está fazendo? Por que bateu em Jolene do nada? É melhor pedir desculpas agora mesmo!"
Anne Brown, a mãe deles, franziu a testa profundamente, cruzando os braços. "Kathryn, que tipo de problema está arrumando desta vez? Desde que você voltou, só trouxe caos. Talvez nunca devêssemos ter te buscado de volta."
Kathryn balançou a cabeça, achando as acusações deles hilárias. "Eu? Arrumando problemas? Por que não perguntam a Jolene o que ela realmente fez? Foi ela quem armou todo aquele sequestro para se livrar de mim!"
Quando Kathryn nasceu, foi trocada intencionalmente com Jolene, filha da babá, e depois abandonada. Felizmente, seu mentor a viu e a criou.
Há cerca de seis meses, a família Brown descobriu a verdade e trouxe Kathryn de volta para casa.
Mas, como eles preferiam Jolene, que havia sido criada com todo o cuidado e era habilidosa na manipulação, tratavam Kathryn com frieza.
Jolene vivia incriminando Kathryn e, mesmo quando suas mentiras eram descobertas, os Brown sempre a perdoavam, o que deixou Kathryn profundamente magoada e decepcionada.
Anne foi pega de surpresa pela resposta de Kathryn, e sua expressão se obscureceu de desagrado. "Jolene nunca faria uma coisa dessas. Você está entendendo a situação mal."
"Entendendo mal?" A voz de Kathryn baixou, mas era afiada como uma faca. "Os sequestradores confessaram tudo. Como pode simplesmente ignorar isso?"
Anne hesitou, depois soltou um suspiro pesado. "Por que está sendo tão teimosa? Jolene também se machucou, mas tem feito tudo o que pode para ajudar a te encontrar. O que mais você quer?"
"O que eu quero? Quero sair desta família. De agora em diante, não tenho nada a ver com vocês!"
Após dizer isso, Kathryn se virou e subiu as escadas para fazer as malas.
Quando ela desceu, Jolene estava abraçada a Anne, suas unhas cravadas na própria mão, mas seu rosto estava pálido e cheio de lágrimas. "Kathryn, você entendeu tudo errado. Como eu poderia ter algo a ver com aqueles sequestradores? Eles são monstros cruéis. Se eu tivesse planejado algo, como você conseguiu voltar para casa viva?"
A raiva fervilhava sob as lágrimas de Jolene. Esse sequestro deveria ser infalível — Kathryn deveria ser estuprada e deixada para morrer. Como as coisas puderam dar tão errado?
Kathryn riu friamente. "Pelo visto, você não admitirá a verdade até que esteja diante dela."
Sem sequer olhar para Jolene, ela fixou o olhar nos Brown, seus olhos calmos, mas cheios de uma profunda e amarga resignação. "Vocês acham que estou mentindo, que estou sendo teimosa e irracional, não é?"
Anne franziu a testa. "Não é exatamente isso que está acontecendo? Jolene expôs seu ponto de vista com muita clareza."
"Ah, entendi", disse Kathryn, pegando seu celular lentamente. "Então me deixem esclarecer as coisas um pouco mais para vocês."
A estática ecoou pelo alto-falante e, em seguida, duas vozes invadiram a sala — a primeira de Jolene, a segunda de um homem desprezível, inconfundivelmente o líder dos sequestradores.
"Quando isso for feito, o último pagamento será o dobro. Quero ela completamente destruída, sem chance de voltar para os Brown!"
"Não se preocupe. Meus homens cuidarão de tudo, e talvez até capturemos algumas fotos inesquecíveis, haha!", respondeu o homem com uma risada.
"Certifique-se de que isso seja feito discretamente. Sem evidências que me liguem a isso, entendeu?"
"Entendido! Pode confiar em nós para fazer o trabalho."
Embora a gravação fosse curta, cada palavra era clara como cristal, e cada frase era impactante.
A sala de estar mergulhou num silêncio pesado, tão profundo que até o menor som parecia alto.
De repente, Jolene parou de chorar, seu rosto se empalidecendo enquanto todo o seu corpo tremia de medo.
Os Brown a olhavam com uma descrença atônita.
"Não... isso não pode ser real. Deve ser falso!", Jolene gritou desesperadamente.
"Falso?" Os olhos de Kathryn brilharam com um desprezo gélido. "Quer que eu envie isso para um profissional verificar? Ou talvez ligue para a polícia e deixe que eles resolvam? Afinal, tentativa de sequestro não é algo que se deva levar na brincadeira."
"Não! Você não pode chamar a polícia!" A voz de Jolene se embargou enquanto ela desabava.
Mudando de tática, ela implorou, suas lágrimas escorrendo pelo rosto: "Kathryn, me desculpe. Por favor, me ouça. Não é o que parece. Não fique com raiva. Sou eu quem deveria sair desta casa. Sou a intrusa aqui..."
Os Brown se comoveram com as lágrimas dela, e suas expressões se transformaram em simpatia.
"Kathryn, Jolene já pediu desculpas. Deixe isso para lá", pediu Anne, suas sobrancelhas franzidas de preocupação.
Kathryn observava esse espetáculo absurdo com um aperto no peito. Mesmo com provas concretas, eles estavam caindo na encenação de Jolene.
Pegando sua mala, Kathryn declarou: "Ou é ela, ou sou eu. Já que vocês a escolheram, estou indo embora."
Sua saída determinada deixou os Brown sem palavras, com Anne batendo o pé em frustração. "Ela teve mesmo a coragem de ir embora?"
Aproveitando o momento, Jolene começou a chorar. "Farei o que for preciso para trazê-la de volta. Até sairei de casa se for necessário."
Anne a abraçou com força. "Não diga isso. Você é minha filha preciosa e não vai a lugar nenhum!"
Laurence Brown, o pai deles, acenou com a cabeça furiosamente. "Exatamente. Aquela encrenqueira de Kathryn tem atrapalhado tudo desde que voltou. Se ela quer ir embora, que vá. Ela já é adulta e pode se virar sozinha."
"Isso mesmo", acrescentou Austin. "Jolene é linda e gentil. Não há como Kathryn sequer chegar perto dela."
Jolene hesitou, mordendo o lábio. "Mas ela possui 35% das ações da empresa. E se ela tentar atrapalhar as coisas usando isso?"
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