
Nazli e Dante: O império forjado no fogo
Capítulo 2
Havia um problema, porém. Um dos grandes. Os Pazzani não eram apenas empresários; eles lidavam com negócios escuros e perigosos. Todos os funcionários sabiam disso, selados por um termo de confidencialidade que ninguém ousava quebrar. Eu conhecia bem o destino daqueles que não pagavam suas dívidas ou falhavam com a família. Mas o tempo de Rebeca estava acabando.
Bati à porta do escritório e ouvi um "entre" abafado.
- Ali? - O Senhor Pazzani pronunciou meu nome, surpreso pela minha expressão.
- Senhor...
- Que rosto é esse, homem? O que aconteceu? - Ele se levantou, percebendo meu estado de choque.
- Eu... eu preciso da sua ajuda.
- Diga logo! - ele exclamou, já em alerta.
- Minha esposa. - Ele me encarava, esperando o resto. - Ela precisa de uma cirurgia urgente e eu não tenho os recursos. Senhor, eu imploro, me empreste esse dinheiro.
Houve um breve silêncio antes de ele responder:
- Ali, acalme-se. Vamos até o hospital agora e veremos o que pode ser feito.
Assenti, sentindo um misto de alívio e terror. Eu sabia que, ao aceitar aquela ajuda, minha alma pertenceria aos Pazzani para sempre. E foi assim que tudo começou...
O trajeto até o hospital foi um borrão de luzes da cidade e o som do motor potente do carro do Senhor Pazzani. Eu não conseguia parar de apertar as mãos, sentindo o suor frio escorrer pela nuca. Ele não disse uma palavra, apenas dirigia com aquela postura rígida de quem está acostumado a carregar o peso do mundo - ou o peso de uma organização inteira.
Ao cruzarmos as portas da unidade de terapia intensiva, o cheiro de antisséptico pareceu me sufocar. Nazla estava sentada em um banco de espera, com o rosto inchado de chorar, enquanto Nazli andava de um lado para o outro, como uma leoa enjaulada, pronta para atacar qualquer um que desse uma notícia ruim.
- Pai! - Nazla correu para os meus braços, mas parou abruptamente ao ver quem me acompanhava.
Nazli também estancou. Seus olhos, idênticos aos da mãe, mas com o fogo que herdou de mim, percorreram o Senhor Pazzani de cima a baixo. Ela sabia quem ele era. Ela sabia o que aquele homem representava.
- Onde está o médico? - a voz do Senhor Pazzani ecoou pelo corredor, autoritária, atraindo olhares de enfermeiras e seguranças.
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