
Nazli e Dante: O império forjado no fogo
Capítulo 3
Um homem de jaleco branco aproximou-se, consultando uma prancheta.
- O estado da Senhora Rebeca é crítico. O bloqueio arterial é severo e o plano de saúde não cobre a prótese necessária para a cirurgia de emergência. Sem o depósito imediato de...
- Não me fale de números - interrompeu Pazzani, com uma calma que chegava a ser assustadora. - Faça o que precisa ser feito. Use os melhores cirurgiões da Sicília. Eu assino o que for necessário.
O médico hesitou por um segundo, mas, ao encarar os olhos gélidos do meu patrão, apenas assentiu e saiu apressado.
Senti um peso sair do meu peito, mas um novo, muito mais denso, se instalou em meus ombros. Eu estava salvo, e ao mesmo tempo, condenado. Olhei para Nazli; ela não parecia aliviada como a irmã. Ela me encarava com uma pergunta muda: "A que preço, pai?".
O Senhor Pazzani se aproximou de mim e colocou uma mão pesada sobre o meu ombro. Ele não sorria.
- Ela vai ficar bem, Ali. Rebeca é da família. E nós cuidamos dos nossos.
Ele enfatizou a palavra "nossos". Naquele momento, entendi que eu não era mais apenas o motorista ou o funcionário de confiança. Eu acabara de me tornar uma dívida viva.
- Obrigado, senhor. Eu farei qualquer coisa para retribuir... - as palavras saíram antes que eu pudesse contê-las.
- Eu sei que fará - ele respondeu, com um brilho enigmático no olhar. - Na verdade, Dante está precisando de alguém com a sua lealdade para uma "viagem de negócios" amanhã cedo. Considere isso o início do seu pagamento.
O pavor gelou meu sangue. Dante. O filho implacável. O homem que não conhecia a palavra misericórdia. Minha esposa ainda nem tinha entrado na sala de cirurgia, e as sombras da Sicília já estavam cobrando o seu dízimo.
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