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Capa do romance Nas garras da fera

Nas garras da fera

Nesta releitura envolvente do consagrado conto de fadas A Bela e a Fera, mergulhamos em um universo de fantasia e romance. A trama explora o encontro inesperado entre uma jovem corajosa e uma criatura enigmática, prisioneira de uma terrível maldição. Entre segredos escondidos e sentimentos profundos, a história revisita os temas de redenção e amor verdadeiro, oferecendo uma nova perspectiva sobre o clássico que atravessa gerações de leitores.
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Capítulo 1

Adam Rivera

Era uma vez um príncipe encantado, chamado Adam, não, Adam estava longe de ser um príncipe encantado, na verdade de príncipe Adam não tinha nada, tanto por conta de sua aparência, que convenhamos não é agradável de se olhar, mais principalmente por suas atitudes cruéis, mesmo com sua aparência grotesca, o cruel assassino almejava ser amado, pela flor mais Bela de toda cidade, vamos lá Adam, você vai ter que se esforçar muito para alcançar o coração da delicada e exuberante Bela, que tal a presentear com livros? Algo me diz que a Bela adora histórias de amor, então vamos recomeçar mais uma vez! Era uma vez um homem implacável e temido chamado Adam Rivera...

- Ele pediu mais um prazo chefe, parece que uma de sua filha ficou doente e ele teve gastos a mais.

- A porra do prazo dele acabou, hoje Ivan me paga o que me deve, de uma vez por todas,

estou pouco me fodendo para seu estado de saúde ou da sua filha, eu não sou médico, eu quero a porra do meu dinheiro e quero já.

Falo puto, me levantando da mesa, arrastando a cadeira, que sai deslizando para trás, como se fosse de papel, meus funcionários saltam para trás assustados, sem conseguir esconder o medo que sentem de mim.

- Me tragam o Ivan imediatamente!

Ordeno andando a passos largos e rápidos por meu escritório, sabendo que estou sendo observado atentamente por meus homens.

Um esquema é armado, logo meus homens estão em carros blindados, indo até a casa de Ivan, quatro carros especificamente, já passa da meia noite, fico pensando em tudo que vou fazer com Ivan, quando colocar minhas mãos nele.

Até três meses atrás, Ivan trabalhava para mim, em meu estabelecimento, um bar estilizado que mais serve de fachada para algo maior, foi descoberto que ele estava roubando meu dinheiro, ele conseguiu desviar uma boa grana para uma conta em seu nome, não quis saber o motivo do roubo, ninguém pega o que é meu e fica impune, eu lhe dei uma surra que tenho certeza, que nunca será esquecida, o jurei de morte, mas ele se humilhou igual cachorro pedindo um prazo para pagar o valor, então lhe dei uma oportunidade para me pagar, um prazo e esse prazo vence hoje, Ivan assinou uma promissória com o valor da dívida se responsabilizando em pagar, já incluso os juros, muito alto por sinal, a final eu nunca saio perdendo, eu quero receber meu dinheiro de uma forma ou de outra e dessa vez eu não terei clemência.

O mundo em que cresci e que vivo, me moldou e não me permite ser diferente do que sou, um animal, uma besta enjaulada e nada pode ser feito contra isso. 

Sou diferente dos demais homens, as várias cicatrizes e marcas por todo meu corpo, não me deixam esquecer nunca o que me tornei, o quanto eu sou horrendo e desprezível, não nasci para amar e muito menos ser amado, não sou o tipo de homem que tem família, nunca serei, isso para mim já é um assunto resolvido e encerrado.

Sou filho único de Dimas Riviera, um homem que foi meu espelho e meu exemplo, o qual eu amei com todo meu coração, mas numa fria noite de agosto, meu pai estava me levando a escola de carro, foi quando nosso carro passou a ser perseguido, meu pai tinha alguns inimigos, isso acontece quando você passa a prosperar financeiramente, a perseguição terminou em um grave acidente, o carro em que estávamos captou três vezes e pegou fogo, meu pai morreu na hora, eu fiquei preso entre as chamas e estilhaços, fui resgatado antes que o carro explodisse, mas tive boa parte do meu corpo queimado, cortado por vidros e ferro, inclusive no rosto, esse é um dos motivos pelo quando não me olho no espelho a anos, eu tinha sete anos de idade, quando tudo aconteceu.

Após a morte do meu pai, minha vida mudou completamente, às vezes penso que deveria ter morrido junto com ele naquele acidente, mas eu sobrevivi, após sua morte fui criado por meu tio Cássio, ele foi meu tutor e meu carrasco, me assombrou até completar minha maioridade, foi com meu tio Cássio que começou meu inferno na terra, que o diabo o tenha em um bom lugar, pois ele já morre, eu fiz esse favor a humanidade, foi a primeira ver em que sujei minhas mãos de sangue. 

Fui criado isolado e servindo meu tio, sendo jogado em minha cara todos os dias, o monstro que tinha me tornado, não frequentava escola, os professores viam até mim e assim terminei o ensino médio, fiz faculdade a distância, o que me fez mergulhar no mundo dos livros, não aquelas bobagens de literatura ou romances, isso eu não leio nem fodendo, mas livros de guerras, teorias, documentários, o que me fez criar uma biblioteca gigantesca em minha mansão com milhares de livros, sim, livros de romances também embora eu nunca os toque, tem prateleiras com centenas deles, porém eu não chego nem perto dessa ala da biblioteca nada atrativa.

Tenho 37 anos e vivo pelas sombras, isolado do mundo externo, aparições públicas minhas são raras, não socializo, não interajo com as pessoas, tudo que sai sobre mim na internet, são suposições, eles me chama de a fera solitária ou o empresário misterioso, aos sete anos de idade minha vida mudou para sempre, me sentenciando, me tornando a besta que sou hoje.

Alguém bate em minha porta.

- Entre!

Autorizo em alto e bom tom, dos meus funcionários entram.

- Chefe, ele o aguarda na masmorra.

Não respondo e caminho até a porta, indo em direção a masmorra, que fica no subsolo de minha mansão, um tipo de prisão onde uso para casos como esse, o caminho é pouco iluminado, me acostumei com a penumbra, me sinto confortável assim, a única cela da masmorra é protegida por grossas correntes pressa a um cadeado, pego a chave no meu bolso e abro a porta, entrando em seguida.

O lugar é um quadrado com o básico, um colchão velho de solteiro e um banheiro pequeno para as necessidades fisiológicas, tem uma lâmpada no centro da cela, que clareia o ambiente, vejo Ivan deitado no colchão, assim que me vê, o velho levanta-se com dificuldades, ele está aparentemente bem debilitado, sua cabeleira inteira branca também mostra sua idade avançada.

- Ivan, você já tem meu dinheiro?

Pergunto já sabendo a resposta.

- Se o senhor me der mais um tempo.

- Sem tempos!

Olho para ele, que tenta se manter neutro diante da minha aparência, mas sei que me acha repulsivo, eu poderia mata-lo fácil, não vejo muita serventia para ele aqui.

- O que você sabe fazer?

Pergunto direto. 

- Sei fazer de tudo um pouco, sou bom em concertar coisas e improvisar!

Ivan fala tentando ser convincente e me fazer não matá-lo, mas mantê-lo como meu escravo será um grande prejuízo, duvido que esse velho seja útil, mas antes de matá-lo decido lhe dar falsas esperanças.

- Vai trabalhar para mim, até o resto de sua vida, o que não deve ser muito, não pode sair dessa casa de forma alguma, caso faça isso, será morto imediatamente.

- Mas senhor eu preciso voltar para casa, a Bela precisa de mim.

- Não me importo com essa tal de Bela, você escolhe, ou isso ou a morte, vou te deixar a noite a pensar, talvez o escuro o deixe pensar melhor.

Devido a minha altura descomunal, facilmente alcanço a lâmpada e a quebro, ouvindo pedaços de vidros caírem no chão.

- Adam, me deixe voltar para casa, eu vou te pagar, dou minha palavra!

O Deixo falando sozinho, saio da cela o trancando novamente, espero que o velho entenda que não tem opção, não vou aturar chilique de ancião.

Olho a hora e são duas da madrugada, Leonor e Hélio estão dormindo, caso contrario estriam a encherem meus ouvidos com falatórios, principalmente o Leonor, agradeço o horário e caminho até meu quarto, pronto para dormir, mas antes que alcance o topo da escada, alguém me chama aos pés da mesma.

- Chefe, o senhor tem visita!

Me viro perplexo, eu não recebo visitas, ninguém vem me ver, absolutamente ninguém, muito menos as duas horas da madrugada. 

-Mande embora, seja quem for!

- Ela mandou avisar que não vai embora sem seu pai, seu nome é Isabela, filha do Ivan seu prisioneiro.

Eu realmente não tenho a mínima vontade de recebe-la essa criatura e impertinente.

- Chefe, ela falou que se o senhor não a recebe, ela iria a delegacia e também a televisão fazer uma denúncia contra o senhor!

- Mudei de ideia, tragam até a filha do ladrão.

Falo, de dois um! Ou a garota era completamente burra, em querer me enfrentar ou corajosa demais, eu estava prestes a descobrir a resposta para minha pergunta.

Continua...

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