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Capa do romance Não mexa com essa mulher misteriosa

Não mexa com essa mulher misteriosa

Traída pelos pais adotivos que tentaram vendê-la por negócios, Yelena descobre ser a herdeira de uma linhagem poderosa em sua cidade natal. Enquanto recebe o afeto de sua família de sangue, ela enfrenta a inveja de uma falsa irmã, superando obstáculos e brilhando com seus talentos ocultos. Em meio à sua ascensão e vingança, ela atrai o olhar do solteiro mais cobiçado da elite, que decide confrontá-la para expor todos os seus segredos guardados.
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Capítulo 2

"Jonathan! Ela não passa de uma ladra! Temos que chamar a polícia agora mesmo!", a voz de Tatiana ecoou com urgência, sua frustração transbordando.

Sendo sempre a imagem fingida da benevolência, Sonya interveio com um suspiro: "Pai, mãe, não vamos tirar conclusões precipitadas. Talvez só tenha sido um mal-entendido e Yelena tenha colocado a pulseira na bolsa sem nem perceber. Tenho certeza de que ela não fez isso por mal."

"O quê? Você tem certeza de que ela não fez isso por mal? Está realmente insinuando que a pulseira simplesmente caiu na bolsa dela? Isso não se trata de uma bijuteria barata, mas de um design original de Yvonne, uma verdadeira obra-prima. Essa pulseira é insubstituível e Yelena sabia exatamente o valor dela. Olhem, a ganância está estampada no rosto dela. Aconteceu exatamente o que eu temia! Não importa por quanto tempo a criamos, não podemos mudar sua natureza."

As palavras de Tatiana eram como um chicote, carregadas pelo desprezo.

"Mãe, deixe isso para lá, por favor", disse Sonya num tom suave, chegando até a dar pena.

Com um suspiro, ela se virou para Yelena e seus lábios se curvaram num leve sorriso de simpatia. "Se ela gostou tanto da pulseira, deixe-a ficar com a joia. De qualquer forma, não vamos vê-la novamente. Mas não posso negar que essa pulseira sempre foi especial para mim. Yvonne é minha ídola, e aprecio muito seus designs."

Yelena observava a atuação da mulher à sua frente em silêncio, sua expressão impossível de se interpretar. Cada fala ou gesto era executados com a precisão de uma atriz experiente. Se um dia eles decidissem abandonar suas vidas privilegiadas, poderiam fazer fortuna no teatro. O absurdo de tudo isso por pouco não a fez rir.

Calmamente, Yelena se abaixou e pegou a pulseira, cujo brilho reluzia sob a luz. Em silêncio, ela se aproximou de Sonya e segurou a pulseira diante do seu rosto, dizendo com uma voz fria e composta: "Olhe bem para isso e leia o que está gravado aqui."

O sorriso de Sonya vacilou, sua confiança se esvaindo à medida que ela hesitava. Com os olhos cerrados, ela se inclinou, seu olhar recaindo sobre a gravação, que se destacava claramente: Y.R.

"Como... como isso é possível?", Sonya gaguejou, sua voz se embargando enquanto o choque transparecia na sua fachada polida.

"Você não é uma fã fiel do trabalho de Yvonne, Sonya? Certamente você sabe que essa coleção foi projetada com a opção de gravações personalizadas, e cada pulseira é criada unicamente para seu proprietário. Por ser uma edição limitada, cada peça é registrada com um código de identificação. Essa é uma peça única, impossível de ser duplicada", declarou Yelena, seus lábios se curvando num sorriso irônico. Seu tom, calmo, mas com um toque de zombaria mordaz, ecoava como uma lâmina afiada.

Antes que Sonya pudesse responder, som de passos apressados quebrou o silêncio quando uma empregada desceu a escada com outra pulseira na mão.

"Senhorita Roberts, é esta a pulseira que estava procurando?"

A sala caiu num silêncio atordoante, todos os olhares se fixando na pulseira na mão da empregada.

Tentando se recompor o mais rápido possível, Sonya esboçou um sorriso forçado e soltou um suspiro de alívio exagerado. "Ah, aí está! Não acredito que ela estava aí o tempo todo! Que tolice a minha!"

Sua voz carregava um entusiasmo forçado e sua mente estava agitada, o pânico fervilhando por dentro.

Como assim?! Sonya tinha certeza de que havia colocado a pulseira na bolsa de Yelena.

O olhar gélido de Yelena estava fixo em Sonya, os cantos dos seus lábios contraídos num sorriso frio e condescendente. "Bom, Sonya, ainda acha que roubei sua preciosa pulseira? Tem certeza de que quer chamar a polícia?"

A compostura de Sonya vacilou por um breve momento antes de responder: "Essa pulseira vale uma fortuna. Então me responda você, Yelena. Como conseguiu pagar por algo assim? A menos que..."

Ela parou por um momento, seu sorriso se transformando em algo mais sinistro. "A menos que você tenha recorrido a algo menos... honroso. Certas garotas hoje em dia costumam fazer qualquer coisa por um preço razoável."

O sorriso de Yelena assumiu um aspecto incisivo, seus olhos brilhando com um desdém gélido. "Você parece muito bem informada sobre esse tipo de atividade, Sonya. Me diga qual foi a experiência pessoal que te ensinou como essas coisas funcionam? Você estava se vendendo antes de voltar para a família Roberts? Por isso sabe tão bem os pormenores?"

O rosto de Sonya ficou vermelho, sua boca se entreabrindo numa indignação desesperada. "Você... você está fazendo acusações infundadas!"

"Yelena, sua insolente!", Tatiana rugiu, seu rosto contorcido de raiva enquanto ela batia o punho no braço do sofá. "Como ousa falar assim com Sonya? Saia desta casa! Você está fora desta família! Nunca mais volte!"

Em meio aos gritos da mulher, o sorriso de Yelena ficou mais aguçado, radiante de rebeldia. Seus olhos cintilavam com uma determinação gélida à medida que ela falava com uma voz composta: "Mesmo se você me implorasse de joelhos eu não pisaria neste lugar novamente."

Após se virar, ela colocou sua bolsa preta no ombro e foi em direção à porta sem olhar para trás. Para ela, a família Roberts e suas aparências falsas e vazias já haviam se tornado um capítulo encerrado na sua vida. Ela não sentia tristeza, apenas alívio. Afinal, toda essa farsa havia acabado.

"Finalmente que essa pirralha foi embora!", Tatiana zombou atrás dela, o veneno gotejando das suas palavras. Ela se sentou de volta ao assento e exalou profundamente, com os lábios curvados num sorriso de satisfação enquanto pensava que a família finalmente se livrara de um fardo indesejado.

Yelena saiu em meio à brisa fresca da noite, a mansão cada vez mais distante atrás dela. Nesse momento, seu celular começou a tocar no bolso e ela atendeu sem cessar os passos.

"Yelena, ouvi dizer que a família Roberts te expulsou, é verdade?", perguntou Brody Hewitt num tom incisivo e marcado pela apreensão.

"Sim", Yelena respondeu, seu tom calmo mas resoluto.

Uma pausa se seguiu, e então a voz enrijecida de Brody ecoou, transbordando de indignação: "Essa família não tem vergonha nenhuma! Eles são a definição de amigos que te jogam no fundo do poço. Sem você, Jonathan Roberts ainda estaria se debatendo na miséria. Eles nem sequer percebem que você foi a razão do sucesso deles..."

"Já chega", Yelena interrompeu num tom firme. "Alguma notícia sobre meus pais biológicos?"

Jonathan havia alegado que fora um erro do hospital e não um ato intencional de abandono. Esse detalhe permaneceu na mente de Yelena, reforçando sua determinação em encontrar sua família verdadeira.

Brody soltou um suspiro audível, na tentativa de controlar sua frustração. "Sim, a busca está em andamento. Creio que teremos resultados concretos em breve."

"Ótimo", respondeu Yelena com firmeza antes de encerrar a ligação.

Quando ela se aproximou da estrada principal, um cheiro forte e metálico pairou sobre a brisa fria, penetrando no ar noturno. Ela parou no meio do caminho, suas sobrancelhas franzidas e o desconforto fazendo sua nuca se arrepiar.

De repente, uma figura emergiu das sombras e começou a cambalear na sua direção. A camisa branca do homem estava encharcada de sangue, o vermelho vívido tingindo seu peito e mãos. Cada passo que ele dava parecia mais pesado do que o anterior, sua força se esvaindo visivelmente.

"Pare de fugir, seu covarde! Aceite seu destino!", uma voz ameaçadora gritou atrás dele.

Ao ouvir isso, os olhos Yelena se desviaram para a origem da agitação, encontrando um grupo de homens vestidos de preto perseguindo o homem ferido como predadores em busca da sua presa. Seus movimentos eram deliberados, e a intenção clara.

O homem ferido, Austin Barton, parou por um momento, cambaleando, mas com uma postura desafiadora. Seu rosto estava pálido e sua respiração irregular, mas sua voz era firme ao perguntar: "Quem enviou vocês?"

"Cale a boca! Não temos nada a falar." Um homem do grupo então se virou. "Vamos acabar com ele logo."

"Esperem." Outro homem parou abruptamente, seu olhar se desviando para o lado. "Há mais alguém aqui."

Com sua presença descoberta, Yelena congelou enquanto os olhares se voltavam para ela, seu coração indo até a garganta.

Era só o que faltava! Simplesmente fantástico! Como se já não bastasse a série de desastres que aconteceu no dia, agora surgiu isso.

Estava dolorosamente claro que esses homens não pretendiam dispensar uma testemunha.

O causador da sua desgraça estava diante dela, o homem ensanguentado que cambaleava na sua direção.

Nesse momento, o líder do grupo, uma figura corpulenta com um sorriso cruel, deu um passo à frente. Seus olhos a percorreram, prolongando-se por um bom tempo à medida que seus lábios se curvavam de uma forma predatória.

Enquanto isso, os homens ao redor dele riam sinistramente, com uma clara intenção perversa.

Com os olhos fixos em Yelena, um dos homens disse num tom sarcástico: "Não tenha medo, querida. Assim que lidarmos com esse cara, cuidaremos muito bem de você. O que quer que seu lindo coraçãozinho deseje, será concebido."

Yelena não titubeou. Seus olhos, frios e inabaláveis, encaravam os dele com uma intensidade que congelou a atmosfera entre eles. Por fim, ela pronunciou uma única palavra, sua voz baixa e imponente penetrando o clima tenso como uma lâmina. "Saiam."

Mantendo a zombaria, os homens trocaram olhares de diversão, mas as risadas se cessaram quando viram um brilho de prata na luz tênue.

Na mão dela, um conjunto de agulhas longas e elegantes brilhava, com as pontas afiadas e resistentes.

Percebendo os olhares dos homens, Yelena esboçou um sorriso zombeteiro e um olhar letal ilustrou seu rosto. Antes que qualquer um deles pudesse processar o movimento dela, ela entrou em ação. Com uma precisão fluida, seu braço arqueou pelo ar, as agulhas cortando a escuridão como raios de luz.

Cada uma delas atingiu seu alvo com uma exatidão infalível, fazendo com que pescoços, ombros e pernas dos indivíduos fossem incapacitadas antes que um único grito pudesse escapar dos seus lábios.

Um por um, os homens caíram no chão, com as armas escapando das suas mãos. A confiança deles se transformou num silêncio atordoante ao perceberem que era tarde demais para agir.

Lutando para se levantar, Austin olhava para a cena em volta de si com os olhos arregalados de incredulidade.

Quem era essa mulher? Seus movimentos foram precisos e calculados, muito além de qualquer coisa que ele já havia testemunhado.

Ela não era apenas habilidosa, mas uma mulher simplesmente incrível!

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