
Não Mais Uma Vítima: O Renascer de Sofia
Capítulo 3
No dia seguinte, o Léo finalmente apareceu.
Ele não veio sozinho.
A Clara estava agarrada ao seu braço, o rosto pálido e os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela parecia frágil, como uma boneca de porcelana.
"Sofia", disse o Léo, a sua voz fria. "Viemos ver como estavas."
Ele não se aproximou da minha cama. Ficou perto da porta, como se tivesse medo de apanhar alguma doença.
"Estou viva", respondi, a minha voz vazia.
A Clara soluçou. "Oh, Sofia, desculpa. Foi tudo culpa minha. Se eu não te tivesse pedido para me ires buscar àquela festa, nada disto teria acontecido."
Ela estava a chorar, mas os seus olhos estavam fixos no Léo, a ver a sua reação.
O Léo abraçou-a com força. "Não digas isso, Clara. Não foi culpa tua. A Sofia é que foi imprudente."
Ele olhou para mim com acusação. "O médico disse que tinhas bebido."
"Eu bebi um copo de vinho. Horas antes. Não estava bêbada."
"Mas bebeste. E conduziste. Puseste a vida da tua irmã em risco. Ela podia ter morrido, Sofia."
Eu olhei para eles, o noivo que eu amava a consolar a minha meia-irmã, culpando-me por um acidente que quase me matou.
A minha cabeça começou a latejar de novo, com mais força.
"Eu não pus a vida dela em risco. Ela não estava no carro, Léo."
"Mas podia estar! Eu disse-lhe para não ir contigo! Graças a Deus que ela me ouviu!"
Então era isso. Ele tinha-a avisado para não entrar no meu carro. Como se soubesse que algo ia acontecer.
"Saiam", disse eu, a minha voz um sussurro.
"O quê?", perguntou o Léo, chocado.
"Eu disse para saírem. Os dois. Agora."
A Clara começou a chorar mais alto. "Sofia, por favor, não sejas assim. Nós só viemos porque estávamos preocupados."
"Preocupados?", ri amargamente. "Tu não estás preocupada comigo, Clara. Estás a desfrutar disto. E tu, Léo, não te importas se eu vivo ou morro."
O rosto do Léo endureceu. "Não sejas dramática, Sofia. Estás a agir como uma criança."
Ele agarrou a mão da Clara. "Vamos, Clara. Ela não merece a nossa preocupação."
Eles viraram-se e saíram, deixando-me sozinha no silêncio do quarto de hospital.
O silêncio era ensurdecedor.
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