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Capa do romance Não Mais a Sra. Cooley: O Retorno da Arquiteta

Não Mais a Sra. Cooley: O Retorno da Arquiteta

Ao buscar documentos legais, descobri que meu casamento com Gray Cooley era uma farsa: ele nunca registrou a união para me privar de bens. Enquanto ele celebrava três anos com minha melhor amiga grávida, planejava me descartar após herdar uma fortuna. Fui usada como peça de um golpe, mas não serei vítima. Com sede de vingança e sem nada a perder, decidi me aliar ao maior rival da família Cooley para destruir quem tentou me arruinar.
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Capítulo 2

A iluminação no lounge do hotel era fraca, projetada para casos ilícitos e negócios de alto risco. Haleigh estava sentada em uma poltrona de veludo de encosto alto, escondida em um canto onde as sombras eram mais densas.

Na mesa baixa à sua frente, havia um tablet fornecido pelo detetive particular que ela contratara três horas antes. A velocidade com que o dinheiro podia comprar informações em New York era assustadora.

O arquivo confirmava tudo. As contas bancárias conjuntas entre Gray e Brylee. O contrato de aluguel de um apartamento no Upper East Side em nome de Brylee, pago por uma empresa de fachada ligada a Gray.

Mas foi o arquivo de áudio que fez o sangue de Haleigh gelar.

Ela ajeitou seus AirPods e apertou o play.

A voz era inconfundível. Aguda, anasalada e escorrendo arrogância. Sra. Cooley.

"Finalmente, um herdeiro de verdade. Haleigh, aquela mula estéril, já deveria ter ido embora há anos. Certifique-se de que os advogados tenham a ordem de despejo pronta para a manhã seguinte à festa de aniversário."

Haleigh encarou o copo de uísque em sua mão. O gelo havia derretido, diluindo o líquido âmbar. Ela segurou o copo com tanta força que temeu que ele pudesse se estilhaçar, cortando a palma de sua mão. Ela quase desejou que isso acontecesse. A dor física poderia distraí-la da dor oca em seu peito.

Uma sombra caiu sobre sua mesa.

Haleigh ergueu o olhar, esperando um garçom. Em vez disso, viu um homem de terno escuro com um fone de ouvido. Ele não parecia ser da segurança do hotel. Parecia um agente paramilitar.

"Sra. Oliver", ele disse. Não foi uma pergunta. "O Sr. Barrett gostaria de uma palavra."

O celular de Haleigh vibrou sobre a mesa. Um número local que ela não reconheceu.

Ela hesitou, depois atendeu. "Alô?"

"Sra. Oliver." A voz do outro lado da linha era velha, rouca e impunha obediência imediata. "Aqui é Hjalmer Barrett."

A respiração de Haleigh falhou. Os Barretts eram a realeza americana. Dinheiro antigo. O tipo de riqueza que fazia os Cooleys parecerem ganhadores de loteria morando em um trailer park. Eles eram donos de metade do horizonte da cidade.

"Sr. Barrett", ela conseguiu dizer. "Eu não entendo."

"Eu conheço sua situação", disse Hjalmer. Seu tom era seco, desprovido de simpatia, mas cheio de propósito. "Na verdade, sei mais sobre isso do que você. Há um carro esperando lá fora."

Haleigh olhou para o segurança, depois para a janela. Um Rolls-Royce Phantom preto estava parado no meio-fio, destacando-se da fila de táxis amarelos.

Ela não tinha mais nada a perder. Seu casamento era uma mentira, sua casa estava prestes a ser tomada, e sua carreira estava entrelaçada com uma família que a desprezava.

"Estou indo", ela disse.

Ela virou o uísque aguado de um só gole e se levantou.

A viagem foi silenciosa. O interior do Rolls-Royce cheirava a couro de luxo e colônia cara. A cidade passava borrada pelas janelas escuras, um rastro de luzes e chuva.

Eles chegaram à torre da Barrett Holdings. O segurança a acompanhou até um elevador privativo que subiu direto para o escritório da cobertura.

Hjalmer Barrett estava sentado atrás de uma mesa que parecia ter sido esculpida do casco de um galeão. Ele era mais velho do que em suas fotos, seu rosto mapeado com linhas profundas, mas seus olhos eram de um azul afiado e predatório.

Ele não lhe ofereceu um assento. Deslizou um dossiê grosso pela madeira polida.

"Abra."

Haleigh deu um passo à frente e abriu a pasta.

Era uma planta. O Projeto Zenith. Sua obra-prima. O projeto arquitetônico que ela passara os últimos dois anos aperfeiçoando para a Cooley Enterprises.

Mas o cabeçalho no documento não dizia Arquiteta Principal: Haleigh Oliver.

Dizia Arquiteta Principal: Brylee Franklin.

E abaixo disso, uma análise financeira. O projeto foi estruturado para desviar ativos do nome de Haleigh para um fundo fiduciário para o "Bebê Cooley."

"Eles não estão apenas expulsando você", disse Hjalmer, sua voz cortando a sala. "Eles estão apagando sua existência profissional. Vão alegar que você era apenas uma assistente, que teve um colapso nervoso. Você sairá desse casamento sem nada. Sem dinheiro. Sem reputação. Sem carreira."

Haleigh encarou o papel. A assinatura de Gray estava no final, bem ao lado da de Brylee.

"Por que está me mostrando isso?", Haleigh perguntou, erguendo o olhar. Sua voz tremia de raiva.

"Porque eu odeio os Cooleys", Hjalmer disse simplesmente. "E preciso de uma nora."

Haleigh piscou. "Como disse?"

"Meu filho, Kane", disse Hjalmer. "Você já ouviu os rumores."

Ela já tinha ouvido. Todo mundo já tinha. Kane Barrett. A Fera de Wall Street. Os tabloides o chamavam de recluso, de monstro. Diziam que ele era desfigurado, que tinha um temperamento capaz de arrancar tinta das paredes. Ele nunca aparecia em público.

"Você quer que eu... me case com Kane?"

"Preciso de uma mulher que seja inteligente, desesperada e vingativa", disse Hjalmer. "Kane precisa de uma esposa para acalmar os nervos do conselho. Eles acham que ele é volátil demais. Um casamento estabiliza sua imagem."

"E o que eu ganho com isso?", Haleigh perguntou, com o coração martelando contra as costelas.

"Vingança", disse Hjalmer. Ele se inclinou para a frente. "Você se casa com meu filho. Eu lhe dou os recursos da Barrett Holdings. Nós esmagamos os Cooleys. Tomamos o Projeto Zenith. Nós os deixamos na miséria."

Ele empurrou um segundo documento para a frente. Um acordo pré-nupcial.

Haleigh examinou a última página. Apenas a pensão era mais do que todo o fundo fiduciário de Gray.

"O casamento é apenas de fachada", acrescentou Hjalmer. "Kane não tem interesse em... romance. Você viverá na cobertura. Você fará o seu papel."

Haleigh olhou pela janela que ia do chão ao teto. Muito abaixo, a Torre Cooley parecia um bloco de brinquedo. Pequena. Insignificante.

Se ela fosse embora, seria uma vítima. Uma mulher divorciada e estéril que foi enganada pelo marido e pela melhor amiga.

Se ela assinasse... seria a noiva de um monstro. Mas seria a noiva de um monstro poderoso.

Ela pegou a pesada caneta-tinteiro da mesa. O metal estava frio contra sua pele.

"Ele sabe?", ela perguntou. "Kane?"

"Ele faz o que é necessário para a família", disse Hjalmer.

Haleigh destampou a caneta. A ponta pairou sobre a linha da assinatura.

"Eu quero um casamento", disse ela, com a voz dura. "Uma cerimônia. Maior do que a que eu tive com Gray."

Hjalmer assentiu uma vez. "Fechado."

Haleigh assinou seu nome. O arranhar da caneta no papel soou como uma faca sendo afiada.

Ela se endireitou e olhou Hjalmer nos olhos.

"Prazer em fazer negócios com você, sogro."

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