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Capa do romance My lady

My lady

Dona de uma pureza angelical, a jovem Charlotte Leblanc desperta sentimentos profundos por onde passa. No entanto, sua beleza acaba atraindo a obsessão perigosa de Lord Tyler, o herdeiro do Duque Smith. Tomado por um desejo egoísta e avassalador, ele não medirá esforços para tê-la. Entre conflitos e graves mal-entendidos, resta saber se um sentimento genuíno pode florescer. Descubra os segredos e o destino deste romance de época intenso e marcante.
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Capítulo 2

Cap. 1 Uma fada

Ilha de Santa Helena, território Britânico (Inglaterra) 1836...

Todos na região sabiam que a Ilha de Santa Helena era um lugar onde seus poucos mais de 4.000 habitantes, se moldaram a um calmo estilo de vida. Um lugar sem praias com seu litoral rochoso perfeito para uma prisão.

Prisão... Assim Charlotte Leblanc via aquela ilha, uma moça jovem que emanava vida e beleza. Com seus quinze anos almejava conhecer o mundo e navegar através do mar, participar de bailes na corte e ser conduzida por um belo cavalheiro em uma contra dança no salão de festas do palácio.

Enquanto não podia fugir daquele marasmo, a garota aproveitava o tempo livre para explorar o lugar na pequena floresta e algumas vezes mergulhar nas águas de um pequeno lago que seria o coração da ilha. Sentir o vento soprar seus cabelos e andar descalço sobre a relva, conectando-se a natureza, era algo muito simples mas extremamente especial.

Certo dia, depois de algumas aulas tediosas de etiqueta e ser obrigada a vestir o maldito espartilho, Charlotte aproveitou que sua dama de companhia precisou ausentar-se para sair sem ser notada. Como de costume, embrenhou-se na floresta, em busca de liberdade, entretanto algo inusitado aconteceu naquela manhã.

Ela preparava- se para se despir de uma parte considerável de roupas para entrar no lago quando um barulho diferente chamou sua atenção. Um gemido sofrido e um sussurro por ajuda foi ouvido pela mata adentro. Um tanto curiosa, sem pensar nas consequências ou hesitar por medo, a menina segue os sons de dor. Mas à frente, ela se deparou com um rapaz com pouco mais de dezoito anos que estava com uma das pernas presa a uma armadilha de caçador.

Cautelosamente, Charlotte aproximou-se e notou as gotículas de suor que escorriam pelo rosto do jovem que aparentava delirar, certamente o mesmo ardia em febre e encontrava-se quase desacordado, provavelmente ele estaria preso alí desde a noite anterior. Com todo o cuidado que possuía, a garota agachou e desarmou o objeto que o prendia, rasgou um pedaço do tecido da sua anágua usando para conter o sangramento do corte.

Estando a poucos centímetros de distância ela pôde ver que o jovem tinha os cabelos castanhos escuros, um queixo másculo e seus lábios rosados eram bastante atraentes, de fato seu corpo era visivelmente forte e a Charlotte pode concluir que não teria forças para o carregar, não sozinha. Seria necessário que ele ao menos pudesse apoiar em algo para dar suporte e o alavancar até a sela que estava no cavalo, logo ela ficou esperando que o rapaz acordasse, pois assim tentaria colocá-lo na montaria e desta forma seguiria junto a ele rumo ao vilarejo para buscar ajuda.

Charlotte poderia ir até a colônia e pedir socorro, mas a verdade é que ela não deixaria o jovem ferido e sozinho em um local tão ermo.

A garota coloca a mão sobre o semblante do rapaz e retira umas mechas de cabelos que cobriam seus olhos. Em um breve momento, ele lentamente abriu os olhos e levantou uma mão em direção ao rosto de Charlotte, encarou o olhar azul em um tom de oceano e assistiu as bochechas de sua salvadora ruborizarem com um simples toque:

_Uma fada? - Ele falou e deslizou os dedos de forma leve sobre a boca da menina e um tanto confuso fez outro questionamento - Um anjo?

O instante breve em que os olhos do jovem encontraram os da garota, foi o suficiente para que o momento ficasse marcado na sua memória, mas devido à exaustão e a febre ele retirou a sua mão e voltou a fechar os olhos imaginando ser um sonho.

Ela não obteve reação para evitar tamanha ousadia por parte dele, e pode sentir internamente o quanto o olhar amendoado do rapaz era intenso. Charlotte balançou a cabeça buscando esquecer aquele momento constrangedor e com leves tapinhas em sua face, tentou voltar a sua concentração. Pegou o lenço que trazia e o umedeceu com a água do cantil, e rapidamente deslizou o tecido sobre os lábios ressecados do jovem. Quanto mais o tempo passava, mais a situação dele piorava, ela por sua vez decidiu que não poderia continuar alí, deveria ir atrás de ajuda:

_ Milorde, irei atrás de socorro. - Charlotte falou um tanto preocupada - Mas não se preocupe, voltarei com ajuda.

_ Por favor, não vá. Não quero ficar sozinho - Ele segurou a mão da menina com suavidade

A garota sentiu o coração saltitar, jamais alguém falou com ela daquela forma. Ela por sua vez, acabou desistindo de ir atrás de ajuda e resolveu esperar, pois sabia que não tardaria para que seu pai fosse a seu encalço. Dessa forma a garota permaneceu de mãos dadas com o rapaz que estava delirando e completamente vulnerável.

Passadas algumas horas, vozes na mata são ouvidas e como Charlotte suponha, seu pai chama por seu nome. Imediatamente a mesma grita sinalizando onde está e alguns funcionários de sua casa aparecem junto ao senhor Leblanc:

_ Aqui estou pai. - A moça fala aflita.

O senhor Leblanc carregava uma expressão confusa de fúria e de alívio:

_ Charlotte tem noção do quanto fiquei preocupado? - Ele pronunciava as palavras em um tom elevado - Graças aos céus, nada de pior aconteceu. Saíba que está proibida de perambular sozinha.

Ao aproximar-se, o senhor Leblanc pôde perceber que um jovem estava deitado, aparentemente machucado e ao seu lado Charlotte estava com um olhar aflito. Ela rapidamente soltou a mão do rapaz antes que algo fosse mal interpretado por seu pai.

Leblanc reconheceu o rapaz de imediato. Tratava-se do jovem lorde dos Smith, precisamente Tyler, o filho mais velho da família de nobres da ilha.

Uma inquietação tomou conta dos homens que estavam na mata, precisavam retirar o rapaz do local o mais rápido possível para tratar de seus ferimentos e em poucos minutos o resgate já estava acontecendo.

Charlotte foi acompanhando seu pai, até o forte do Duque Smith, pois apesar de não ter importância no momento, o senhor Leblanc achou melhor que sua filha o acompanhasse para contar o que sabia sobre o acidente do rapaz e também não deixar a mesma sassaricando pelo Vilarejo.

A menina fitava o rapaz ainda desacordado, sendo carregado pelos ex escravos, agora libertos, em uma espécie de maca improvisada. Percebia seu cenho suado devido a temperatura corporal elevada e não via a hora do rapaz enfim conseguir ajuda para seus ferimentos.

Uma comoção foi gerada, em torno do jovem, logo quando foi avistado deitado sobre a maca na entrada do forte Smith.

Os empregados junto com o duque, pai de Tyler, rapidamente levaram o rapaz para dentro da casa. Pouco tempo depois o senhor Leblanc já conversava com o senhor daquelas terras e explicou o que houve, já que Charlotte era apenas uma mulher e não seria de bom tom que a mesma estivesse em uma conversa de homens.

Após alguns agradecimentos, o Duque aproximou-se de Charlotte:

_Obrigado senhorita, por encontrar meu filho e ajudá-lo. - O velho duque estava com um sorriso singelo ao agradecer.

_Vossa graça, não é necessário agradecer. - Charlotte respondeu de forma cortês - Fiz o que julguei ser correto, mas confesso que não sei bem o que deveria ter feito em uma situação como essa. Cheguei a cogitar voltar ao vilarejo atrás de socorro, entretanto não obtive coragem para deixá-lo sozinho. Sinto muito.

_Minha querida, não é necessário desculpar-se - O duque permaneceu com o rosto amistoso - Sei que a senhorita fez o melhor que pôde e se não encontrasse Tyler, talvez não poderíamos cuidar a tempo dos seus ferimentos. Meu filho poderia ter sangrado até a morte e aí seria irreversível qualquer outro tratamento. - Os olhos do duque exibiam gratidão - Como recompensa, a sua bondade, darei um baile no forte e assim a senhorita pode debutar. Seu pai está convocado a vir. Assim apresentarei a senhorita ao meu filho formalmente para que ele mesmo possa agradecer a sua gentileza.

_ Fico lisonjeada, mas acredito que devo recusar - Charlotte responde educadamente - Ficarei um tanto envergonhada por receber tanta atenção.

_Ficarei desolado se não aceitar meu convite - O duque demonstra um pouco de decepção - Seria uma desfeita, não comparecer.

_Esta bem, vossa graça . - Charlotte assentiu com a cabeça. - Agradeço a oferta e atenção com o meu debute.

_Ótimo, pelo menos agora o baile terá algum significado, já que aconteceria de uma forma ou de outra. - O duque fala empolgado - Os melhores partidos da Inglaterra estarão presentes para conhecerem o belo anjo de Santa Helena. Tenho certeza que sairá do baile com vários pedidos de cortejo.

Charlotte sorri e faz uma referência em agradecimento. Realmente ela já estava em tempo de casar, mas no fundo isso não era algo que almejava, pois não imaginava a sua vida presa a um homem por conveniência ou por um estúpido acordo entre famílias. Mas como seria o primeiro baile que a mesma iria participar, uma certa euforia tomou conta do seu ser e apesar de ter perdido o seu lenço favorito, pois era algo que pertencia a sua falecida mãe, a menina estava feliz em ter ajudado alguém. Ao lembrar do toque suave das mãos do rapaz sobre seu rosto, ela pensou: _Uma fada? Um anjo? Ela então sorriu e falou internamente: _ Sim, ele estava a delirar!

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