
Muito Prazer, Ceo
Capítulo 3
Liv,
Espero ansiosamente enquanto eles terminam de conversar, como se estivesse presa, sem alternativas caso ele não me aceite aqui. Será difícil encontrar outra empresa à beira da falência, ou pior ainda, ter que começar do zero e montar meu próprio negócio, algo que desconheço por completo. Talvez eu devesse considerar uma empresa de assassinato por encomenda ou até mesmo formar uma nova máfia. Dessa forma, meu pai entenderia que esse é o meu verdadeiro caminho, em vez de ficar presa atrás de uma mesa usando roupas sociais.
Após alguns minutos, o senhor Braga sai da sala e se aproxima de mim. Ele me informa que seu sobrinho deseja falar comigo a sós. Decido usar todo o meu poder de sedução para conquistar sua aprovação. Tudo o que preciso é permanecer aqui e fazer com que o dinheiro do meu pai triplique até o final do ano. Depois disso, poderei voltar para minha vida na máfia.
Respiro fundo, solto o ar e entro na sala dele. Seus olhos já estão fixos em mim, como se estivesse me avaliando minuciosamente. Decido adotar uma expressão inocente, para que ele não perceba quem eu realmente sou. Ele estende a mão, indicando que eu me sente na cadeira em sua frente, enquanto ele coloca os cotovelos sobre a mesa e me observa atentamente.
— Não me olhe assim, senhor Castilho, ou eu posso me apaixonar. — Ele se mexe desconfortavelmente na cadeira, pigarreando a garganta e ajustando sua postura.
— Eu li o seu plano para o novo modelo, você não acha um tanto exagerado?
— Tem que ser um aparelho impecável, no qual ninguém possa encontrar falhas. Meu celular atual é de última geração, mas ainda sinto que falta algo nele. Por isso, coloquei todos os recursos que considero essenciais para este lançamento.
— Por que escolheu a minha empresa?
— Porque ela está à beira da falência, e, sabe, eu adoro um desafio. Levantar essa empresa, que está na lista negra da população, será o ápice para todos nós, concorda?
Ele morde o canto da boca, pensativo, e depois abaixa o olhar para as imagens do celular que projetei. Ele abre sua pasta, retira um papel e me entrega. Nele, há um modelo de celular, que se assemelha ao que descrevi.
— Vamos incorporar todos esses elementos nesse aparelho, mas o design do meu é mais sofisticado que o seu. — Ele fala franzindo a testa.
Concordo com ele, pois é verdade, ele é um bom desenhista, e eu utilizei inteligência artificial para projetar o meu modelo, enquanto o dele é claramente fruto do seu próprio trabalho. Fechamos o negócio, apertando as mãos um do outro. Olho para ele com um sorriso, mas ele mantém sua expressão séria. Parece ser alguém um tanto rígido, espero conseguir me adaptar a esse jeito dele.
Me levanto e ele diz que posso começar a trabalhar amanhã. Informo que o tio dele irá me mostrar a empresa, e ele me manda sair. Encontro o tio dele do lado de fora, e ele me guia por cada canto, mostrando e explicando onde cada funcionário trabalha e qual é a sua função.
Peço para realizar uma reunião inicial com os funcionários da empresa e, em seguida, outra reunião com a equipe de fabricação, a fim de evitar confusões entre as funções. Ele convoca todos e eles se reúnem no amplo salão.
— Como todos sabem, a empresa está à beira da falência. Vamos tentar mais uma vez dar a volta por cima. No entanto, vou observar o desempenho de cada um de vocês durante uma semana. Aqueles que estiverem desempenhando bem suas funções, não serão afetados. Porém, aqueles que não estiverem alcançando resultados satisfatórios, serão realocados até encontrarmos o lugar certo para cada um.
— Quem é a senhora?
— Sou a nova sócia da empresa. Serei responsável por orientá-los, com a ajuda de vocês, e espero que possamos ser mais do que chefes e funcionários. Quero que sejamos parceiros, para que ninguém perca seu emprego e todos possam continuar sustentando suas famílias.
Acho que me expressei de forma eloquente, pois todos me aplaudiram, exceto o dono da empresa, que me observa lá de cima de sua sala, com os braços cruzados. Mas, se eu alcançar bons resultados, tenho certeza de que ele irá me agradecer. Mando um beijo para ele, e quando vê, se vira de costas.
Será que ele está me ignorando por ser gay? Se for esse o caso, talvez eu precise arrumar um amigo para ele, pois esse mau humor todo pode ser resultado de falta de intimidade.
Em seguida, seguimos para a área da fábrica, onde compartilho as mesmas palavras, pois é assim que fazíamos na máfia: colocamos cada pessoa em sua melhor função. Parece que agradou alguns e desagradou outros. Sou uma mulher desconfiada por natureza, especialmente quando alguém evita olhar nos meus olhos.
Alguns dos funcionários da fábrica fizeram exatamente isso, desviando o olhar, e vou anotar seus nomes para investigá-los mais a fundo. O senhor Braga mencionou que há infiltrados aqui, então preciso descobrir quem são antes de iniciar a produção dos novos aparelhos.
Depois da reunião, mostro ao senhor Braga as fichas das pessoas com quem desejo conversar pessoalmente. Ele fica um pouco nervoso, mas me entrega as informações de todos. Vou para a minha sala, que o Braga disse que poderia ser minha, e me sento na cadeira.
Olho atentamente para cada ficha de trabalho de cada indivíduo. Percebo que alguns deles não possuem experiência no ramo, mas podem ser aprendizes. Esses descartarei durante a produção, não porque são ruins, mas porque não quero que sejam curiosos em relação à nova tecnologia.
Para elevar a empresa, vou precisar dos melhores profissionais trabalhando no desenvolvimento do aparelho, aqueles que já têm experiência. Os demais apenas atrapalhariam. Alguém bate na porta, e sem nem olhar para ver quem é, autorizo a entrada. Sua voz ecoa pela minha sala.
— O que você está fazendo? — Levanto minha cabeça e, antes mesmo que eu o instrua a se sentar, ele o faz por conta própria.
— Estou eliminando aqueles que não possuem habilidades necessárias e procurando por possíveis traidores.
— Traidores?
— Sim, seu tio mencionou que o último modelo não foi bem-sucedido devido a alguns funcionários que trabalham para a concorrência e sabotaram o aparelho, resultando em um desastre.
— Ele não me contou isso. — Ele se levanta e começa a andar de um lado para o outro. — Como você vai encontrá-los? Existe a possibilidade de demitir pessoas inocentes.
— Deixe essa parte comigo, sou bastante habilidosa em investigar a vida das pessoas. Descubro tudo o que quero, inclusive o que não quero.
— Você é uma investigadora?
— Não, sou uma mafiosa. — Ele para, olha para mim, esperando que eu diga que estou brincando, mas se tem uma coisa da qual não me envergonho, é ser uma integrante da máfia.
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