
Miss Itália - A Vingança
Capítulo 3
MATTEO
UM ANO DEPOIS
Um belo par de scarpin preto com solado vermelho, surge de um carro luxuoso preto. Uma delicada mão com unhas em um vermelho vibrante se ergue para o cordial motorista que estava com sua mão direita estendida.
Uma bela silhueta em formato de ampulheta, sai do carro trajando um vestido preto de corte perfeito. A bolsa de grife sendo elegantemente carregada, não deixa dúvidas de que uma mulher muito poderosa está por trás daqueles óculos escuros de edição limitada.
Ela passa pela porta giratória e segue em direção ao elevador. E eu, é claro, vou atrás meio que à francesa.
Eu a conheço de algum lugar, mas de onde?
Ninguém ousa parar aquela elegante criatura, visto que ela parece saber exatamente onde vai.
Ao entrar no elevador, todos os olhares se voltam para ela. Mas isso não parece constrangê-la, muito pelo contrário, aqueles olhares de admiração e inveja fazem o pequeno nariz afilado se empinar ainda mais.
Ao sair do elevador, ela dá passadas elegantes pelo enorme corredor, se direcionando para a principal sala de reuniões da Fascino, e apenas o barulho dos seus saltos são ouvidos no caminho, visto que eu ando sorrateiramente alguns metros atrás.
Ao se aproximar da sala de reuniões, Alessia Rossi, a secretária e algumas coisas mais do meu irmão. Uma loira bonita e esguia, com algumas coleções de procedimentos estéticos, entre harmonizações e cirurgias, fica imóvel ao vislumbrar a mulher à sua frente.
A mulher, por sua vez, abaixa um pouco os óculos escuros, olha com desdém para a loira, e em seguida a ignora, girando a maçaneta da enorme porta de duas folhas.
- Você não pode... - a Alessia até tenta barrá-la, mas é ignorada com sucesso.
Eu faço sinal com a minha mão para que a secretária pare bem onde está.
- Bom dia, querido! - A mulher fala abrindo a porta, e todos naquela sala a olham dos pés à cabeça.
Peraí... Querido? Ela chamou o meu irmão de querido?
- Elena? - o Lorenzo que está em pé próximo a um aparador, tomando um café, e que estava segundos antes conversando com um dos acionistas, olha confuso, e parece levar alguns segundos para conseguir acreditar no que os seus olhos estão vislumbrando.
Ele olha a mulher dos pés à cabeça, provavelmente procurando as curvas na lateral da barriga saliente.
Ele vivia se gabando de ter pedido o divórcio após sua ex -esposa ter aumentado trinta quilos durante o casamento.
Eu não posso perder a oportunidade, então passo pela mulher, ando até o Lorenzo e pressiono o seu queixo para que feche a boca.
Ele falou... Elena? Não é possível... Não pode ser... É claro que é... Céus, é a Miss Itália, Elena Giordano.
Nesse momento, como quem adivinha os meus pensamentos, a Elena tira os seus óculos escuros, não deixando com que reste mais nenhuma dúvida de que eu realmente estou em frente a Miss Itália. Aquela que se manteve em meus pensamentos por tanto tempo.
- Como vai, Lorenzo? Vejo que nada mudou por aqui - ela fala, e logo dá uma risada carregada de sarcasmo. - Perdão, quase nada... Digo... O rosto da sua amante mudou bastante desde a última vez que a vi.
O Lorenzo, com sua testa levemente enrugada, não fala uma única palavra. O meu irmão parece estar tentando assimilar as coisas.
A Elena dá passadas lentas e percorre toda aquela mesa que mede aproximadamente cinco metros, se sentando na última cadeira da ponta. Ao ver que sua ex mulher sentou em sua cadeira, o Lorenzo sai do seu estado de transe.
- Elena, o que faz aqui? - ele pergunta visivelmente incomodado, visto que ninguém jamais ousaria se sentar no lugar reservado ao CEO da empresa.
Isso está divertido.
- Querido, não vai me apresentar para os outros acionistas? - a Elena pergunta girando sua cadeira levemente para o lado e cruzando as suas pernas. - Apesar de que dois eu já sei bem quem são - ela encara o Pasquale e o Dante, dois dos acionistas.
- Claro - ele força a garganta três vezes antes de falar. - Essa é Elena Marino, minha ex esposa, e assim como vocês, eu estou curioso para saber o que ela faz aqui - o Lorenzo fala ainda de pé.
- Giordano - ela diz.
- O que? - Lorenzo pergunta com os seus olhos em uma linha reta.
- Elena Giordano - ela o corrigi. - Eu não quero absolutamente nada vindo de você, muito menos o sobrenome que está tão manchado por polêmicas e repercussões negativas na imprensa - ela diz o fitando, e eu preciso fazer um esforço descomunal para conter o riso.
- Se não quer nada de mim, o que faz na minha empresa? - o Lorenzo pergunta com seu semblante endurecido. - Já não basta ter me roubado dez... Deixa para lá.
Eu sei exatamente do que ele está se referindo. Eu ouvi rumores, na época, de que a ex -esposa conseguiu arrancar do Lorenzo dez milhões de euros com o divórcio.
- Pode procurar uma cadeira e se sentar, Lorenzo - a Elena fala com um leve sorriso, quase imperceptível em seu rosto. - Eu não pretendo me levantar daqui tão cedo.
Se eu bem o conheço, ele está se segurando para não a tirar a força dessa cadeira.
- Elena, você não respondeu: o que faz na minha empresa? - dá para ver a mandíbula do bastardo pressionada.
- Sua empresa? - ela pergunta encostando os cotovelos na mesa, juntando os seus punhos abaixo do queixo. - Você não está sendo muito prepotente para um acionista que tem apenas vinte e nove por cento das ações da Fascino?
- Ainda assim, eu sou o sócio majoritário dessa empresa - o Lorenzo fala, travando ali, uma guerra de olhares com a sua ex-esposa.
- Lamento ser eu a te tirar do seu pedestal, Lorenzo... Na verdade, eu não lamento nem um pouco - ela sorri. - E estou amando ser eu a te dar essa notícia.
- Do que está falando? - ele pergunta com a sua testa bem franzida.
- Agora eu sou a sócia majoritária da Fascino, com trinta e quatro por cento das ações - todos na sala que acompanham aquele impasse, ficam perplexos diante de tal informação, inclusive eu.
- Como isso é possível? - Pasquale, um dos acionistas, pergunta.
- Digamos que as notícias negativas que estão sendo veiculadas sobre a família Marino, assustaram os irmãos Mancini, e eles resolveram me vender as ações deles - a Elena explica com toda sua calma. É palpável o quanto está saboreando cada segundo desse momento. - Eu comprei dezessete por cento de cada um, totalizando assim a maioria das ações da Fascino.
Perdoem a minha falta de educação de não ter me apresentado antes, mas é que a ex Miss Itália e ex do meu irmão, acabou roubando a cena. Eu me chamo Matteo Médici, sou irmão do Lorenzo Marino, CEO da Fascino.
Somos irmãos apenas por parte de pai, mas assim como a Elena, me nego a carregar o sobrenome Marino. Digamos que o nosso pai tem um caráter "questionável", e só se lembrou de contar para a minha mãe que era casado, quando ela já estava grávida de mim.
Eu sou acionista, detentor de dez por cento das ações da Fascino, e fotógrafo oficial da marca. A verdade é que eu comprei secretamente algumas ações do Lorenzo, apenas para fazê-lo passar raiva. Se soubesse que eu era a pessoa por trás da aquisição, ele jamais teria vendido.
Há um ano, ele colocou as ações à venda justamente para pagar os dez milhões de euros para a Elena.
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