
Minha Vingança: Seu Império Desmorona
Capítulo 3
O carro deslizava suavemente pelo trânsito de São Paulo, um casulo silencioso me separando do mundo agitado lá fora. Meu mundo, no entanto, estava um caos. Quando os portões da mansão Vasconcelos se abriram, uma figura familiar surgiu da entrada grandiosa.
— Dona Alina — Alfredo, nosso mordomo de longa data, curvou-se levemente, seu rosto vincado de preocupação. Ele sempre sabia quando algo estava errado. — Confio que seu dia não tenha sido muito cansativo?
Seus olhos, discretamente, piscaram para a mancha vermelha persistente em minha bochecha. Eu sabia que ainda estava lá, um fantasma da humilhação da manhã.
— Apenas mais um dia, Alfredo — respondi, tentando firmar a voz.
Ele hesitou, depois pigarreou.
— Dona Alina, há algo que a senhora deveria saber. O Sr. Heitor... ele esteve aqui mais cedo. Ele levou algo.
Meu coração martelou.
— O que ele levou, Alfredo?
Alfredo se mexeu desconfortavelmente.
— O vestido, Dona Alina. O vestido de alta-costura que a senhora mandou fazer sob medida para o baile de caridade. Ele disse que precisava dele para esta noite.
Uma onda fria me percorreu, mais fria que o inverno paulistano. Não qualquer vestido. O vestido. Aquele que eu havia desenhado meticulosamente com o ateliê, tecido com fios de prata e luar, uma obra-prima destinada a simbolizar nossos sete anos de casamento, nossa jornada compartilhada até o topo da sociedade paulistana. Não era apenas tecido; era uma promessa, um sonho. Era um testemunho da fé que eu tinha nele, do apoio que eu havia investido na construção de seu império.
Lembrei-me de seu rosto extasiado quando lhe mostrei os primeiros esboços, da maneira como ele beijou minha mão e jurou devoção eterna.
— Alina — ele sussurrara, os olhos brilhando —, este vestido, é como o nosso amor. Requintado. Atemporal. Você é minha rainha, e eu sempre vou te valorizar.
Agora, aquele vestido requintado, aquele símbolo do nosso vínculo antes inquebrável, estava nas mãos de Carla. Ele havia dado a ela o meu futuro. Ele havia dado a ela o meu sonho. A lembrança de suas palavras, antes um conforto, agora se torcia em uma zombaria cruel.
O mundo girou. Minha visão embaçou. Como um homem podia mudar tão completamente? Como ele podia esquecer tudo o que compartilhamos, tudo o que construímos, por um caso passageiro com uma estagiária? A dor no meu peito era uma dor física, um espaço oco onde antes residia a esperança. Minha compostura cuidadosamente construída ameaçava se estilhaçar.
— Dona Alina? — A voz de Alfredo era gentil, me puxando de volta do abismo do desespero.
Eu assenti, forçando um sorriso.
— Obrigada, Alfredo. Eu dou um jeito.
Passei por ele, minhas pernas parecendo chumbo. Uma empregada, ao me ver, correu com um pano úmido.
— Senhora, deixe-me ajudá-la com essa marca.
Ela limpou suavemente, mas a tinta carmesim teimosamente se agarrava à minha pele, uma mancha permanente, assim como a traição em meu coração.
Meu celular vibrava incessantemente. Amigos, bem-intencionados e perplexos, inundavam minha caixa de entrada. Eles tinham visto algo.
Abri as notificações. Não era apenas algo. Era tudo. Fotos minhas, no escritório de Heitor, com o carimbo "CARNE DE PRIMEIRA" estampado no rosto, estavam circulando online. Carla havia transmitido ao vivo, com a legenda sarcástica: "Algumas pessoas simplesmente não sabem lidar com um pouco de competição."
Os comentários eram uma mistura de indignação e pena. "Coitada da Alina, depois de tudo que ela fez por ele." "Que humilhação! A própria esposa!"
Minha melhor amiga, Cassandra, ligou, a voz tremendo de fúria.
— Alina, querida, você está bem? Eu acabei de ver... aquela vagabunda! Como ela ousa! E o Heitor! Juro que vou acabar com os dois!
— Estou bem, Cass — eu disse, minha voz estranhamente calma, embora minhas mãos tremessem. — Eu vou resolver isso.
— Resolver? Alina, seu rosto está em toda a internet! Todo mundo está falando! Aquela sirigaita está praticamente comemorando!
— Deixe que falem — eu disse, um brilho perigoso surgindo em meus olhos. — Deixe que comemorem. Eles não vão comemorar por muito tempo.
Nesse momento, a porta da frente se abriu com um estrondo. Dois homens corpulentos de ternos escuros entraram, suas expressões sombrias. Eles arrastavam uma Carla Clements aterrorizada e se debatendo. Ela claramente havia sido arrancada diretamente do baile. Seu vestido de alta-costura, o que era para mim, estava amassado e rasgado, sua maquiagem cuidadosamente aplicada, borrada.
— Me soltem! O que é isso? Heitor! Heitor, me ajuda! — ela gritava, se debatendo contra o aperto deles. Ela tropeçou, caindo de joelhos no chão de mármore polido.
— Você não pode fazer isso! Você sabe quem eu sou? Estou esperando um filho do Heitor! — ela chorou, os olhos arregalados de medo. — Você é só uma velha bruxa ciumenta, Alina Vasconcelos! Você não é nada sem o nome da sua família!
Eu dei um passo à frente, minha voz calma, quase serena.
— Carla, querida, você sabe o que o nome Vasconcelos significa? Significa que eu sou dona desta cidade. Significa que eu construí o Heitor. E significa que eu posso desconstruí-lo com a mesma facilidade.
O rosto dela empalideceu, sua ousadia vacilando.
— Você... você não pode. Ele me ama. Ele me escolheu.
Eu sorri, um sorriso frio e sem humor.
— Ele escolheu a conveniência. Você escolheu a ganância. E ambos escolheram me humilhar. Grande erro, querida. Um erro muito grande.
Os dois homens arrastaram Carla para o centro do hall. O carimbo especialmente feito, uma réplica personalizada de "CARNE DE PRIMEIRA", foi trazido. Era maior, mais imponente, e a tinta era um vermelho vibrante e indelével.
Carla observava, os olhos arregalados de terror, enquanto os homens a seguravam. Um grito agudo rasgou sua garganta quando o carimbo desceu, uma, duas, três vezes, em seus braços, suas pernas, seu peito. Cada pressão deixava uma marca clara e inegável.
Ela se contorcia, soluçava e implorava, mas eu permaneci impassível. As marcas de "CARNE DE PRIMEIRA" se espalharam por seu corpo como uma tatuagem grotesca.
Quando terminaram, peguei um lenço de seda e limpei calmamente minhas mãos.
— Não se preocupe, Carla — eu disse, minha voz fria como gelo. — Isso é permanente. Assim como a marca que você deixou em mim. E assim como a marca que você vai deixar no Heitor.
— Sua... sua monstra! — ela soluçou, a voz rouca. — Isso não é justo! Você só está fazendo isso para se vingar de mim!
Inclinei a cabeça, uma sombra cruzando meu rosto.
— Justo? Querida, a vida não é justa. Mas eu vou garantir que ela seja equilibrada.
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