
Minha Vingança, Nosso Amor Renasce
Capítulo 3
O primeiro passo era cortar o mal pela raiz.
No dia seguinte, liguei para Marcos.
"Acabou, Marcos. Não quero mais ver você", eu disse, minha voz fria como gelo, sem dar espaço para perguntas.
"O quê? Luana, do que você está falando? É por causa de ontem? A Clara? Ela é só uma garota estranha."
"Não tem nada a ver com a Clara. Tem a ver comigo. Eu não te amo. Nunca amei. Foi um erro."
Desliguei o telefone antes que ele pudesse responder. Bloqueie o número dele e de toda a sua família. Apaguei todas as nossas fotos das redes sociais. Em uma hora, eu o deletei da minha vida digital.
Claro, ele não aceitou.
Dois dias depois, ele apareceu na minha porta com um buquê de rosas enorme.
"Luana, precisamos conversar."
Meu pai abriu a porta. Ele olhou para Marcos, depois para as flores, e seu rosto não mostrou nenhuma emoção.
"Minha filha já disse tudo o que tinha para dizer", meu pai falou, sua voz era uma barreira. "Por favor, vá embora e não volte mais."
Marcos tentou argumentar, usar seu charme, mas meu pai foi inflexível. Ele fechou a porta na cara dele.
Isso desencadeou a primeira consequência. Uma pequena amostra do que eles eram capazes.
Uma semana depois, a empresa do meu pai sofreu uma auditoria surpresa da Receita Federal. Fomos acusados de sonegação de impostos, uma alegação completamente falsa.
Os advogados nos disseram que a denúncia era anônima, mas nós sabíamos de onde vinha. Era a mão do Deputado Valente, o pai de Marcos, nos punindo.
Na minha vida passada, isso foi o começo do nosso fim. Meu pai lutou, gastou o que não tínhamos com advogados, e acabou perdendo.
Desta vez, eu estava preparada.
Enquanto a batalha legal começava, Clara entrou em cena.
Sem mim para servir de ponte até Marcos, ela começou a agir de forma ainda mais descontrolada. Ela me ligava de números desconhecidos, dezenas de vezes por dia.
"Luana, por que você fez isso? Marcos está sofrendo. Você é tão cruel."
"Você tem que me ajudar a consertar as coisas. Ele gosta de mim, eu sei que gosta. Ele só precisa de um empurrãozinho."
"Se você não me ajudar, eu vou fazer você se arrepender."
As mensagens eram uma mistura bizarra de súplica e ameaça. A mente dela era um labirinto de delírios. Ela realmente acreditava que Marcos a amava e que eu era o obstáculo.
Ela começou a aparecer na frente da minha casa, do meu trabalho. Ficava parada do outro lado da rua, apenas observando. Era assustador.
Eu a ignorei. Fingi que ela não existia. Meus pais e meu irmão faziam o mesmo.
"Não dê a ela a atenção que ela quer, Luana", meu pai aconselhou. "Pessoas como ela se alimentam do drama."
Mas a falta de atenção só a deixava mais desesperada.
A situação financeira da nossa família começou a piorar, exatamente como na primeira vez. A auditoria forjada estava drenando nossos recursos.
Meu pai teve que hipotecar a casa para pagar os custos legais e manter a empresa funcionando. Minha mãe vendeu suas joias.
Era um sacrifício enorme, e a culpa pesava sobre mim. Mas desta vez, a dor da culpa era menor que a fria determinação da vingança.
Na minha vida passada, eu chorei e me desesperei. Agora, eu observava tudo com um coração de pedra. Era um preço necessário a se pagar.
Clara, em seu mundo particular, não percebia nada disso. Para ela, o único problema do universo era o fato de Marcos não estar com ela.
Ela conseguiu o endereço do escritório de Marcos e apareceu lá.
Ela levou um almoço caseiro para ele, em uma cesta de piquenique, como em um filme antigo.
"Eu fiz sua comida favorita, Marquinhos", ela disse, com um sorriso que beirava a insanidade.
Os seguranças a barraram na entrada. Marcos se recusou a vê-la. Ela fez um escândalo no lobby do prédio comercial, gritando que eles eram almas gêmeas e que todos estavam conspirando contra o amor deles.
Ela foi arrastada para fora pelos seguranças. O incidente foi filmado por dezenas de celulares e viralizou em blogs de fofoca locais.
A humilhação, em vez de fazê-la recuar, apenas alimentou sua fantasia.
Ela me ligou naquela noite, eufórica.
"Você viu, Luana? Ele ficou com ciúmes! Ele mandou os seguranças me tirarem de lá para me proteger dos abutres da mídia. Ele está me testando! É um teste de amor!"
Eu ouvi seu monólogo delirante em silêncio. A desconexão dela com a realidade era total. Era patético e perigoso.
"Clara, procure ajuda", eu disse, e desliguei.
Meu pai, exausto, sentou-se comigo na cozinha uma noite.
"A situação está ruim, Luana. Os advogados dizem que temos poucas chances. O poder do Deputado é grande demais."
"Nós vamos vencer, pai. Eu sei que vamos", eu disse, com uma confiança que eu não sentia totalmente.
Nesse momento, meu irmão Pedro entrou na cozinha, pálido.
"Luana, você precisa ver isso."
Ele me mostrou o celular. Era uma postagem no Instagram de Clara.
Era uma foto dela, sorrindo, na frente de um carro esportivo luxuoso. O carro de Marcos. Na legenda, ela escreveu: "O primeiro presente do meu amor. Ele sabe como me fazer feliz. Em breve, a oficialização do nosso noivado. Os invejosos vão chorar."
Era uma mentira descarada. Ela provavelmente tirou a foto quando o carro estava estacionado em algum lugar.
Mas o que me chamou a atenção foi a seção de comentários.
Um comentário se destacava, feito por um perfil falso.
"Se você o ama tanto, prove. Prove que faria qualquer coisa por ele."
A resposta de Clara, postada segundos depois, fez meu sangue gelar.
"Eu faria. Eu morreria por ele. E mataria por ele."
A ameaça não era mais velada. Estava ali, para todo mundo ver.
E eu sabia que o alvo daquela ameaça não era mais só eu. Era qualquer um que entrasse no caminho dela.
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