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Capa do romance Minha Segunda Chance, O Arrependimento Dele

Minha Segunda Chance, O Arrependimento Dele

Fé viveu para amar Breno Monteiro, mas colheu apenas traição e morte. Após ser humilhada publicamente e envenenada pelo marido em prol de sua meia-irmã, ela recebe uma oportunidade divina. Fé desperta no exato momento da festa de aniversário que selou seu destino cruel no passado. Ciente das agressões e do desprezo que a aguardam, ela decide romper o pacto de casamento. Agora, a jovem não será mais vítima; ela renunciará ao homem que planejava destruí-la.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Fé Almeida

A sala estava silenciosa novamente, mas desta vez era um silêncio pesado e expectante. Todos os olhos estavam em mim, esperando. Eles estavam esperando que eu desmoronasse, que negasse, que corresse de volta para os braços de Breno como eu sempre fizera antes.

Nesse momento, um criado, claramente agindo sob a deixa cruel de Breno, empurrou a cadeira de rodas de Caio para o centro da sala. Ele parecia exatamente como Breno o descrevera — pálido, magro, confinado à cadeira. Ele não ergueu o olhar, seu olhar fixo em suas próprias mãos que repousavam em seu colo.

Uma onda de sorrisos presunçosos e cúmplices passou entre Breno e seus comparsas. A armadilha estava montada. Minha humilhação estava completa.

Abri a boca, as palavras "Eu escolho o Caio" na ponta da minha língua.

Mas então me lembrei das palavras de Fernando em seu escritório mais cedo naquele dia.

"Fé", ele dissera, seus olhos velhos, afiados e perspicazes, "eu respeitarei sua escolha, não importa quem seja. Mas esta família... é um ninho de cobras. Quando você fizer seu anúncio, não o faça com raiva ou pressa. Deixe a poeira baixar. Quando for a hora certa, todos saberão."

Eu hesitei. Olhei para Caio, tão quieto e silencioso em sua cadeira, e vi um lampejo de algo em seus olhos quando eles encontraram os meus brevemente. Parecia... decepção.

Fernando estava certo. Este era um jogo de poder, e Breno acabara de jogar sua carta. Uma declaração pública agora seria vista como um ato desesperado e rancoroso. Isso me faria parecer fraca e colocaria Caio em uma posição ainda mais vulnerável. O clã Monteiro era vasto, e cada um deles estava faminto por um pedaço do império. Um confronto direto não era o caminho.

Então, fechei a boca. Não discuti. Não me defendi.

Eu os deixei rir.

Então, virei as costas e fui embora.

A viagem para casa foi uma guerra silenciosa. Juliana sentou-se ao meu lado no banco de trás do carro, se exibindo. Ela continuava a inclinar o pulso, deixando os diamantes de sua nova pulseira capturarem as luzes dos postes que passavam. Os flashes de luz eram nítidos, quase dolorosos, me fazendo apertar os olhos.

"Sabe", disse ela, sua voz um sussurro doce e venenoso, "mesmo que você se case com ele, você nunca terá o coração dele."

Para o mundo, Juliana era o epítome da doçura e inocência. Uma queridinha das redes sociais com uma vida perfeitamente curada. Mas em particular, quando éramos apenas nós duas, a máscara caía.

Olhei para ela, para a garota com quem cresci, e o passado voltou com força. A memória da minha vida anterior era tão clara quanto o diamante em seu pulso. Lembro de entrar no meu quarto e encontrá-la enrolada nos lençóis com Breno. Meu marido.

Ela se encolheu nos braços dele, tremendo como uma criança assustada, e ele a protegeu, me encarando como se eu fosse o monstro. O choque foi tão imenso, tão esmagador, que desmaiei ali mesmo.

Depois disso, meus pais a enviaram para estudar no exterior. Ela acabou se casando com algum herdeiro estrangeiro, sua vida uma história de sucesso brilhante enquanto a minha mergulhava em um fim solitário e prematuro.

Desta vez, pensei, um pequeno sorriso secreto brincando em meus lábios, você pode ficar com ele. Eu estava quase curiosa para ver como seria para ela quando fosse ela a acorrentada a ele.

"Você está certa", eu disse, minha voz calma. A admissão pareceu surpreendê-la.

Virei-me para encará-la completamente. "Qual é o sentido de ter o homem se você não pode ter o coração dele?"

Estendi a mão e dei um tapinha gentil na mão dela. "Espero que você amadureça rápido, Juliana. Então você poderá se casar com o Breno."

Dei a ela meu sorriso mais sincero. "Desejo a vocês dois uma vida inteira de felicidade."

Ela ficou sem palavras por um momento, seus lábios perfeitamente pintados entreabertos de surpresa. Então, ela se recuperou, uma sobrancelha cética erguida.

"Você pode fingir o quanto quiser, Fé", disse ela com uma risada desdenhosa. "Mas eu sei que você só está dizendo isso. Não importa. O Breno me ama."

Alguns meses se passaram. O Dia de Ação de Graças chegou, um dia para a família e gentilezas forçadas. Meu pai, alheio como sempre, me pediu para entregar um presente a Fernando.

No momento em que entrei na mansão Monteiro, eu a vi. Juliana. Ela não ia para casa há dias. Ela estava no hall de entrada, vestida com um vestido de grife e coberta de joias que eu sabia que estavam muito além de sua mesada. Ela parecia elegante, equilibrada e totalmente triunfante.

Ela me viu e um sorriso lento e presunçoso se espalhou por seu rosto.

"Gostou da minha roupa?" ela perguntou, dando uma pequena pirueta. "O Breno comprou tudo para mim. Ele insistiu. Disse que eu era a única que merecia usar coisas tão bonitas."

Uma irritação antiga e familiar me picou. Eu só queria entregar o presente e ir embora. Tentei contorná-la, mas ela se moveu para bloquear meu caminho.

"Eu só queria compartilhar minha felicidade com você, irmã", disse ela, sua voz açucarada. "Por que você está sendo tão fria? Eu sei que você está com ciúmes, mas o amor não é algo que se pode controlar."

Enquanto falava, seus olhos se encheram de lágrimas de crocodilo. Foi uma performance magistral.

Eu já estava farta. Empurrei-a para o lado, não com força, apenas o suficiente para passar.

Ela desabou no chão com um suspiro teatral, as lágrimas agora fluindo livremente.

"Fé, você me bateu!" ela lamentou, sua voz ecoando no hall de mármore. "Como você pôde? Somos irmãs!"

E bem na hora, como se convocado por seu grito de donzela em perigo, Breno invadiu a sala.

"Que diabos você está fazendo?" ele rugiu, seu rosto contorcido de raiva.

Ele apontou um dedo trêmulo para mim, seus olhos ardendo. "Você está agredindo sua própria irmã, Fé? Você não tem coração?"

Olhei do rosto furioso de Breno para a figura soluçante de Juliana no chão, um quadro perfeitamente orquestrado de traição e engano.

Uma pequena risada sem humor escapou dos meus lábios. "É incrível", eu disse, balançando a cabeça. "Ela é tão jovem e já tão habilidosa em se fazer de vítima."

As palavras mal saíram da minha boca quando uma ardência aguda explodiu na minha bochecha.

Ele tinha me dado um tapa.

"Não se atreva a falar dela desse jeito", ele rosnou, sua mão ainda levantada.

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