
MINHA PEQUENA REDENÇÃO: O AMOR PODE MUDAR VOCÊ, BASTA QUERER! E-BOOK 1.
Capítulo 3
CAPÍTULO DOIS: A LUTA CONTRA O LEGADO.
DUAS SEMANAS ANTES...
A cena se passava no imponente escritório do Kaleb, um espaço dominado por madeiras escuras e a aura de poder.
- Já disse que não irei me casar, tia! Eu já tomei minha decisão. Quando a senhora vai entender isso? Quando esta ideia sairá da sua cabeça? - Kaleb tentava se manter calmo, usava toda a sua força de vontade, mas falar de casamento era algo que o tirava do sério, o levava ao limite, ainda mais, seu próprio casamento. Era uma afronta à sua natureza solitária.
- Não vou entender nunca! Eu nunca vou desistir. Você sabe que merece ser feliz, Kaleb. Você tem direito à felicidade. - Daiana falou atenciosa, a voz carregada de amor, não se importando pela malcriação do seu sobrinho. Ela o amava incondicionalmente. - Estou velha e não estarei aqui para sempre, cuidando de você. Preciso saber que você terá alguém ao seu lado.
Suas palavras fizeram o Kaleb se manter mais calmo, pois tocavam em um ponto sensível do seu coração. Ele pode ser desalmado, sem coração, como todos diziam, mas sua tia é muito importante para ele. Ela era o último vestígio de calor em sua vida. Então ele se sentou em sua cadeira do escritório, respirando fundo, com um gesto de resignação, pronto para ouvi-la com atenção forçada.
- Sei que não quer se casar pelo que aconteceu a nossa família. Sei que o passado pesa sobre você. Sei que lembra de como sua mãe sofreu, as mágoas que ela carregou, mas você é diferente do seu pai. Você tem sua própria alma. - Disse ela, tentando convencê-lo com a lógica do afeto.
- E se eu não for, tia? E se eu for exatamente igual? - Kaleb perguntou, com peso em sua voz, uma angústia profunda, olhando para sua tia, sentada à sua frente.
Ele não conseguia se convencer. Ele não acreditava ser diferente do seu pai, pensava ser a cópia exata, era o mesmo desalmado e sem coração que seu pai sempre foi. Afinal, ele mesmo quem o ensinou ser daquela maneira!
- Você não é Kaleb! E isso basta. Sei que meu irmão fez de você alguém que sua mãe não queria. Ela tinha sonhos diferentes para você. Ela queria te criar com todo amor e carinho, cercado de afeto, mas seu pai fez de você o seguidor dele em seus negócios sombrios e desde pequeno você só conhece tortura e morte. É a única vida que meu irmão te mostrou. Você Aprendeu com seu pai a ser alguém sem sentimentos. - Daiana falou emotiva, a memória do sofrimento voltando, lembrando de como seu irmão era um homem desumano e cruel.
- Esse sou eu, tia Daiana! A verdade nua e crua. - Admitiu ele, aceitando a própria escuridão.
- Mas você é muito mais, Kaleb. Eu sei disso. - Disse ela atenciosa, com um carinho maternal, se levantando, chegando a frente do seu sobrinho. Ela estendeu a mão. - Não posso nem imaginar o que você carrega aqui. - Falou, colocando a mão na cabeça dele com carinho. - Mas aqui dentro... sei que pode deixar alguém entrar. - Ela Colocou a mão no peito dele, sobre a camisa do Kaleb, onde seu coração estava. - Você só precisa se deixar amar e ser amado e amar com a mesma intensidade. Você merece isso. Você precisa ser feliz, sua mãe queria muito isso! - Disse ela, batendo no ponto fraco, usando a memória mais dolorosa do Kaleb.
Kaleb não tinha muita recordação de sua mãe, apenas fragmentos. Ela morreu quando ele tinha dez anos. E o pouco que se lembrava, era das brigas constantes com seu pai, discussões violentas. Às vezes ele até batia nela, quando ela tentava impedir ele de levar o Kaleb, de tirá-lo dela, para aprender tudo o que aprendeu sobre o mundo do crime, mas ainda se recordava do quão amorosa ela era.
Ele lembrava do toque. Quando sua mãe ia até o quarto dele dar um beijo de boa noite escondido, murmurando o quanto o amava.
Na época, Kaleb não ligou muito aos fatos, não entendia a gravidade, mas hoje, ele acreditava que sua mãe morreu de desgosto pelo o homem que ele se tornou. A dor a consumiu. Ela não suportou viver sabendo do monstro que seu marido iria criar.
- Eu não sei como, tia! Não me ensinaram isso. - Disse ele, cabisbaixo, sua voz denotando a impotência.
E Kaleb não sabia mesmo! Sua vida foi um treinamento brutal. Foi criado por seu pai. Aprendeu como torturar, até mesmo matar, como ferir sem remorso, mas nunca como amar. As mulheres com quem andava, eram apenas distração, sexo sem afeto.
Ele nunca foi carinhoso, sempre bruto e frio, e ele não sabia como ser diferente. E uma esposa, ele não queria que tivesse a mesma vida que sua falecida mãe.
Kaleb não queria ser um monstro com sua esposa, nem com a mãe dos seus filhos. Não queria que outra pessoa sofresse tudo o que sua mãe sofreu. Esse medo era seu maior bloqueio.
- Você vai aprender, filho. O amor é um instinto. Só precisa encontrar a pessoa certa no momento certo e você vai ver. A mudança virá. Vai aprender a amar e será mais forte o amor do que todo o resto que aprendeu. A bondade prevalecerá. Só se permita viver. - Disse ela, abraçando-o com ternura, carinho puro e genuíno.
Kaleb não era muito afetuoso, a rigidez era sua segunda pele, mas permitiu o abraço da sua tia, sentindo-se estranhamente em paz, abraçando-a, meio sem jeito.
Não era acostumado a fazer aquilo, a expressar sentimentos, mas, de certa forma, gostava de como ela não se afetava pela maneira, em como ele sempre a tratava, com sua frieza, sem muito sentimento.
(...)
O tempo se arrastava. De volta à realidade, no quarto luxuoso, Kaleb se mantinha sentado na cadeira à horas, uma vigilância incansável, esperando a garota acordar.
Seu novo objetivo. Ele não se importava em ficar olhando para ela, pelo contrário, a observação era fascinante!
Ela chamava sua atenção, como ninguém nunca o fez. Era um ímã irresistível. Passou a noite toda ali e nem se importou, por estar no mesmo lugar quando o sol nasceu.
- Bom dia. - Kaleb falou, tentando ser simpático, suavizando a voz, ao ver que a garota abriu os olhos lentamente.
Ela se moveu, se levantou, sentando-se, assustada, os olhos arregalados, por ver aquele homem ao lado da cama.
- Por favor, fique calma. Está tudo bem. Não vou te machucar. Eu sou seu protetor. - Kaleb se levantou, caminhando até ela com lentidão, tentando acalmá-la.
Ela o observou, seu corpo inteiro em alerta, e se encolheu, abraçando as pernas, escondendo a cabeça no meio dos joelhos.
Celina ficou apavorada ao ver aquele homem enorme, a memória do padrasto ainda fresca.
- Por favor, não me machuque. Eu imploro. - Disse ela, em um sussurro de medo, aterrorizada pelo que aquele homem poderia fazer a ela.
- Não vou te machucar. De forma alguma. - Disse ele, triste, uma dor que o surpreendeu, por ela pensar aquilo. Pela primeira vez, Kaleb se sentiu mal, em ver alguém com medo dele.
Causar medo, pânico, pavor, era algo que sempre o deixou bem, que definia seu poder, mas agora, ele não queria que ela tivesse medo dele. Queria confiança.
- Eu te ajudei ontem, se lembra? Eu estava lá. Eu protegi você. - Falou, tentando acalmá-la com a lembrança da noite anterior.
Ela ergueu seu rosto calmamente, lentamente, olhando para o Kaleb parado a sua frente. Parecia que finalmente ela tinha se recordado dele, o vulto da salvação.
- Você não vai me machucar? - Perguntou ela, um pouco receosa, a dúvida ainda presente, olhando timidamente para ele.
- Não! Eu prometo. - Confirmou ele, com firmeza.
Kaleb percebeu os ombros dela relaxarem, uma pequena rendição ao alívio.
Celina o encarava, agora com mais atenção, se recordando da noite passada, e de como ele lhe ajudou.
Continua...
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