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Capa do romance Minha Paz Para Além do Pesar Dele

Minha Paz Para Além do Pesar Dele

Cecília deu um ultimato, mas Daniel escolheu viajar com o amigo tóxico, Bruno. Após uma crise de ansiedade severa causada pelo abandono, ela descobre Daniel debochando de sua dor nas redes sociais. Quando ele retorna esperando perdão, encontra seus pertences encaixotados. Diante do choque e da fúria dele, Cecília mantém a frieza. Cansada de ser chamada de dramática, ela encerra o ciclo, questionando se ele levará suas coisas para a casa de Bruno.
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Capítulo 1

Meu namorado, Daniel, preferiu uma viagem para Florianópolis com seu melhor amigo tóxico, Bruno, em vez do nosso relacionamento, ignorando meu ultimato de que se ele saísse por aquela porta, tudo estaria acabado. Ele saiu.

Uma semana depois, ele estava de volta, balançando uma bolsa de grife como uma oferta de paz. Mas enquanto ele festejava, eu estava na emergência com uma crise de ansiedade severa, induzida por estresse.

O golpe final veio quando vi que Daniel tinha 'curtido' a postagem de Bruno nas redes sociais, zombando da minha dor.

Ele estava parado do lado de fora do meu apartamento, rindo com Bruno, me chamando de "dramática" e "grudenta", completamente inconsciente de que eu já tinha embalado a vida inteira dele em caixas.

"O que... o que é tudo isso, Cecília?" ele gaguejou, seu rosto passando de choque para fúria ao ver seus pertences prontos para a transportadora. "O que você fez?"

Eu o encarei diretamente nos olhos, minha voz fria e firme. "Acabou, Daniel. E então, essas caixas vão para a sua casa ou para a do Bruno?"

Capítulo 1

Meu celular vibrou no balcão, um som que antes trazia um frio na barriga. Agora, parecia apenas uma batida surda nos meus tímpanos. Era ele, claro. Daniel. Mal fazia uma semana desde que ele escolheu uma viagem para Florianópolis com Bruno em vez do nosso relacionamento. Mal fazia uma semana desde que eu disse a ele que, se ele saísse por aquela porta, tudo estaria acabado. Ele saiu.

A mensagem era simples, quase desdenhosa.

Daniel: Ei, tô de volta. Adivinha quem tem uma surpresa pra você?

Uma surpresa. Eu bufei, um som seco e sem humor que arranhou minha garganta. Ele sempre achava que podia consertar as coisas com uma bugiganga, um gesto grandioso que custava dinheiro, mas não esforço.

Outra mensagem apareceu, uma imagem desta vez. Era a foto de uma bolsa de grife preta e elegante, exatamente a que eu tinha admirado na vitrine de uma loja meses atrás. Lembro de ter apontado para ele, dando a dica para o meu aniversário, que ele prontamente esqueceu. Ele apenas riu na época, disse que era cara demais. Agora, era sua oferta de paz. Um suborno.

Meu celular tocou, uma chamada de vídeo. Deixei tocar. Ele tentou de novo. E de novo. Finalmente, uma notificação de correio de voz. Toquei para abrir, me preparando para o inevitável.

"Cecília? Atende a porra do celular," a voz de Daniel explodiu, já carregada de irritação. Ele parecia cansado, talvez de ressaca, mas definitivamente irritado. "Onde você tá? Tô te ligando. Ainda tá fazendo drama por causa daquela viagem idiota?"

Ele suspirou dramaticamente, um som que eu conhecia muito bem. Era o jeito dele de insinuar que eu era a irracional, o fardo.

"Olha, eu comprei uma coisa especial pra você," ele continuou, sua voz mudando, tentando um tom afetuoso que soava completamente oco. "Aquela bolsa que você queria. A cara. Viu? Eu penso em você. Tô esperando aqui fora. O Bruno tá comigo, acabamos de pousar. Ele vai me deixar aí. A gente tava pensando em comer alguma coisa depois que eu te ver."

Sua voz cortou abruptamente, seguida pelo clique da desconexão. Ele nem se deu ao trabalho de terminar a mensagem direito. Apenas desligou quando terminou de falar. Como sempre.

Olhei ao redor da sala. Tudo estava empilhado de forma organizada: sua coleção de vinis antigos, sua cadeira gamer gigante, a pilha de livros que ele nunca leu. Tudo embalado em caixas, meticulosamente etiquetadas. Minhas mãos se moveram com uma precisão metódica, quase cirúrgica, enquanto eu separava nossa vida compartilhada. Cada item uma pequena memória, agora apenas um objeto a ser realocado.

Uma calma estranha se instalou sobre mim. Não era felicidade, não exatamente. Era mais como a quietude depois de uma tempestade, quando o estrago está feito, mas o ar parece limpo, respirável novamente. Voltei para a imagem dele, a bolsa de grife. Tirei um print.

Então, abri meu WhatsApp, encontrei o contato dele e enviei o print. Abaixo, digitei uma única pergunta direta.

Cecília: Você realmente acha que é isso que vai resolver?

Esperei. Nenhuma resposta imediata. Claro que não. Ele provavelmente ainda estava lá fora, esperando que eu descesse correndo, chorosamente grata por seu grande gesto.

Cecília: Daniel, acabou. Enviei. Só para garantir.

Ainda nada. Ótimo. Deixe-o remoer. Fui até a pilha de caixas, pegando um rolo de fita adesiva. Ainda havia algumas coisas no quarto. Eu precisava terminar antes que a transportadora chegasse amanhã.

O último raio de sol mergulhou abaixo do horizonte, pintando o céu em tons de roxo e laranja machucados. A luz suave das lâmpadas do apartamento piscou, iluminando as partículas de poeira dançando no ar. O silêncio era profundo, quebrado apenas pelo rasgar rítmico da fita.

Então, eu ouvi. Uma porta de carro batendo. Risadas, altas e espalhafatosas, flutuando da rua abaixo. Duas vozes familiares. Uma, grave e ressonante – Daniel. A outra, aguda e irritante – Bruno. Não era uma simples carona. Era uma chegada comemorativa.

"Cara, você realmente comprou aquela bolsa pra ela?" a voz de Bruno chegou claramente, carregada de uma zombaria familiar. "Ela vai se derreter. Você sempre sabe como trazê-la de volta, não é?"

Ouvi Daniel rir, um som que costumava me aquecer, mas que agora apenas me irritava. "Ela vai ficar bem. Só um pouco dramática. Ela fica assim. Precisa de um pouco de atenção."

Espiei pelas persianas. Eles estavam parados na calçada, Bruno passando um braço pelo ombro de Daniel, puxando-o para um abraço de lado. Daniel se inclinou, a cabeça jogada para trás em risadas. Pareciam dois playboys que tinham acabado de escapar de uma palestra chata.

"Só não deixe ela ficar toda grudenta de novo, cara," disse Bruno, sua voz baixando conspiratoriamente, mas ainda alta o suficiente para ecoar. "Você sabe como ela fica. Sempre tentando controlar sua vida. A gente se divertiu pra caramba, não foi?"

Daniel se afastou, balançando a cabeça. Ele deu um empurrão brincalhão em Bruno. "Ei, ela não é tão ruim. Só precisa aprender a relaxar. Sabe, me dar um pouco de espaço." Ele piscou para Bruno.

Eles estavam fazendo aquilo de novo, aquela brincadeira casual e íntima, inclinando-se um para o outro, quase se tocando. Eles estavam praticamente flertando. Era uma dança familiar, uma que eu assisti inúmeras vezes, sempre com um nó de pavor se apertando no meu estômago. No passado, eu teria recuado, magoada, me perguntando o que havia de errado comigo para não conseguir esse tipo de afeto fácil de Daniel. Eu teria me esforçado mais para ser "menos grudenta", para dar a ele "mais espaço".

Mas não esta noite. Esta noite era diferente.

Um som pequeno, quase imperceptível, escapou dos meus lábios - uma pequena tosse, um pigarro. Foi o suficiente.

"Daniel?" chamei, minha voz firme, cortando suas risadas fáceis. "Você recebeu minhas mensagens?"

Eles congelaram. Suas cabeças se viraram para cima, os olhos percorrendo as janelas do nosso apartamento. Eles nem tinham percebido que eu estava em casa, muito menos os observando.

O sorriso de Daniel vacilou, substituído por um olhar de surpresa perplexa. Então, seus olhos pousaram nas caixas empilhadas perto da janela da sala. Seu queixo caiu. Seu rosto, geralmente tão expressivo, ficou completamente em branco, depois lentamente corou de um vermelho raivoso.

Ele apontou um dedo trêmulo para as caixas. "O que... o que é tudo isso, Cecília?" Sua voz era um sussurro áspero, cheio de incredulidade. "O que você fez?"

Ele passou por Bruno, praticamente correu para a porta do apartamento, atrapalhando-se com as chaves. Eu não me movi da janela. Observei-o entrar furioso, seus olhos percorrendo o caos organizado de seus pertences embalados.

Ele entrou na cozinha, seu olhar varrendo as bancadas brilhantemente limpas, o escorredor de pratos vazio. "Cadê o jantar?" ele exigiu, sua voz subindo. "Eu te disse que voltaria hoje à noite."

Ele abriu a porta da geladeira com um puxão. Estava quase vazia, exceto por uma caixa de leite e algumas sobras de comida do meu jantar da noite anterior. "Cecília, que porra tá acontecendo?" ele praticamente rugiu.

"Ela provavelmente ainda tá brava por causa de Floripa, cara," disse Bruno, entrando atrás de Daniel, um sorriso forçado e apaziguador no rosto. Ele ergueu a bolsa de grife como uma oferta de paz. "Olha, querida, ele comprou a bolsa pra você! Ele estava me dizendo no caminho o quanto sentiu sua falta, como estava planejando te compensar." Bruno virou-se para Daniel, cutucando-o. "Sabe, todo aquele discurso que você me fez sobre a Cecília ser a única pra você, a mulher com quem você ia se casar? Conta pra ela, cara."

Observei a pequena performance deles, um sorriso sombrio brincando em meus lábios. Bruno, sempre o mestre das marionetes, sempre puxando as cordas de Daniel. Daniel, sempre tão facilmente manipulado, sempre precisando de alguém para validar suas ações. Era patético. Era uma farsa. E uma vez, eu estive presa no meio disso.

Deixei o rolo de fita adesiva cair no chão com um baque seco. O som cortou o silêncio tenso.

"Acabou, Daniel," afirmei novamente, minha voz plana, desprovida de emoção. Caminhei em direção a eles, parando a apenas alguns metros de distância. Meu olhar oscilou do rosto atordoado de Daniel para o presunçoso de Bruno. "Não há 'me compensar'. Não há 'me trazer de volta'." Pontuei minhas palavras com um aceno lento e deliberado da minha mão, abrangendo as caixas, a geladeira vazia, o vazio emocional entre nós. "E certamente não há 'casamento'."

Olhei para Daniel, meus olhos fixos nos dele. "Então, essas caixas," eu disse, gesticulando para sua vida embalada. "Você vai mandá-las para a sua casa ou para a do Bruno?"

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