
Minha Ex-Esposa Sem Piedade: Consequências Inesperadas
Capítulo 2
Quando o meu carro foi atingido e capotou, a última coisa que vi foi o rosto ansioso do meu marido, Miguel, correndo na minha direção.
Depois, tudo ficou escuro.
Quando acordei, a primeira coisa que senti foi uma dor aguda no abdómen, seguida por um vazio assustador.
O médico, com uma expressão de pena, disse-me que, devido ao grave impacto, o bebé de oito meses que eu carregava não sobreviveu.
Fizeram uma cirurgia de emergência para o retirar.
Eu olhei para a minha barriga, agora achatada, e depois para o meu telemóvel no criado-mudo. Havia dezenas de chamadas não atendidas e mensagens do meu irmão mais novo, Leo.
Ignorei-as e liguei para o Miguel.
A chamada demorou a ser atendida. Finalmente, a voz dele soou, impaciente e irritada.
"O que foi? Acabei de sair da sala de cirurgia, estou exausto. A Clara está bem, mas o braço dela partiu-se e ela está muito assustada."
A voz dele baixou, tornando-se mais suave, como se estivesse a falar com outra pessoa. "Não te preocupes, Clara, estou aqui. Vou cuidar de ti."
Senti o meu sangue gelar.
Clara. A ex-namorada dele.
"Miguel," a minha voz saiu rouca, quase um sussurro. "O nosso bebé... morreu."
Houve um silêncio do outro lado. Não um silêncio de choque ou de dor, mas um silêncio frio, quase calculista.
"Sofia, eu sei que estás chateada," ele disse finalmente, o tom dele desprovido de qualquer emoção. "Mas não podes ser tão egoísta. A Clara quase morreu. Eu tive de fazer uma escolha."
"Uma escolha?" Repeti, incrédula. "Eu era a tua mulher. Eu estava a carregar o teu filho."
"Ela estava mais perto de mim! O carro dela estava prestes a explodir! O que querias que eu fizesse? Deixá-la morrer?"
A voz dele aumentou de volume, cheia de raiva e justificação. "Além disso, os socorristas já estavam a caminho de ti. Tu não estavas em perigo imediato."
Não estava em perigo imediato? O meu carro capotou. Eu estava grávida.
As lágrimas que eu segurava começaram a escorrer pelo meu rosto.
"Miguel, vamos divorciar-nos."
Desta vez, a resposta dele foi instantânea, um rosnado furioso.
"Divórcio? Estás a brincar comigo? Por causa disto? És inacreditável, Sofia! Sempre soube que eras fria e egoísta. A Clara precisa de mim agora. Pára de fazer birra e pensa no que fizeste!"
Ele desligou.
Olhei para o telemóvel, para a chamada terminada. A raiva dele, a acusação dele, a completa falta de luto pelo nosso filho.
Tudo ficou claro.
Ele não fez uma escolha no calor do momento. Ele tinha feito a sua escolha há muito tempo.
O meu telemóvel vibrou novamente. Era o meu sogro, o Sr. Almeida.
Atendi, a minha mão a tremer.
"Sofia! O que é esta história de divórcio? O Miguel acabou de me ligar! Como te atreves a causar problemas num momento como este? A Clara é como uma filha para nós! O Miguel fez a coisa certa ao salvá-la!"
A voz dele era um trovão nos meus ouvidos.
"Ele salvou-a," eu disse, a minha voz surpreendentemente calma. "E eu perdi o meu filho. O seu neto."
"Um bebé pode ser feito outra vez!" ele gritou. "Mas a vida da Clara é única! Tu devias ter vergonha de ti mesma, por seres tão insensível! A nossa família não precisa de uma mulher como tu!"
Ele também desligou.
Fiquei a olhar para o teto branco do hospital, o cheiro a antissético a encher os meus pulmões.
A família deles. A mulher deles. O filho deles.
Eu era apenas uma incubadora, e agora, uma incubadora avariada.
Uma nova determinação, fria e dura, instalou-se no meu coração. Eles queriam que eu tivesse vergonha? Eles iam aprender o verdadeiro significado dessa palavra.
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