
Minha Ex-Esposa Sem Piedade: Consequências Inesperadas
Capítulo 3
Dois dias depois, tive alta do hospital.
O meu irmão mais novo, Leo, veio buscar-me. Ele olhou para o meu rosto pálido e para os meus olhos vazios, e os seus próprios olhos encheram-se de lágrimas.
"Mana..." ele começou, mas não conseguiu continuar. Ele apenas me abraçou com força.
"Estou bem, Leo," eu disse, afagando-lhe as costas. "Estou melhor do que nunca."
Quando chegámos ao apartamento que eu partilhava com o Miguel, a porta estava destrancada.
Lá dentro, encontrei o caos. Roupas espalhadas, pratos sujos na cozinha. E no nosso quarto, na minha cama, um vestido de mulher que não era meu.
Era um vestido caro, do estilo que a Clara gostava.
Ao lado, na mesinha de cabeceira, um frasco de comprimidos para a dor com o nome dela.
Ele trouxe-a para a nossa casa. Para a nossa cama.
O Leo viu o meu olhar e o seu rosto ficou vermelho de raiva. "Aquele desgraçado! Eu vou matá-lo!"
"Não," eu disse, a minha voz firme. "Não vamos sujar as nossas mãos. Vamos fazer isto da maneira certa."
Passei a tarde seguinte a fazer as malas. Não as minhas coisas, mas as dele.
Coloquei todas as roupas, sapatos, livros e objetos pessoais do Miguel em sacos de lixo pretos. Cada item era uma memória, uma promessa quebrada. Esvaziei o apartamento de qualquer vestígio dele.
Quando terminei, havia uma pilha de sacos de lixo junto à porta.
O Leo observou-me em silêncio, a sua preocupação a transformar-se em admiração.
"O que vais fazer agora, Sofia?"
"Vou contratar um advogado," eu disse, pegando no meu telemóvel. "O melhor advogado de divórcios da cidade."
O nome que me veio à mente foi Rafael Costa. Uma lenda nos tribunais, conhecido pela sua abordagem implacável e pela sua taxa de sucesso de cem por cento.
Diziam que ele era caro, mas eu não me importava. O meu pai tinha-me deixado uma herança considerável, um fundo que eu nunca tinha tocado, pensando que o guardaria para o futuro da minha família.
Bem, o futuro tinha mudado.
Consegui uma consulta com o Rafael para a manhã seguinte.
Quando o Miguel finalmente chegou a casa, já era noite. Ele abriu a porta e parou, olhando para os sacos de lixo.
"O que é isto?" ele perguntou, confuso.
"São as tuas coisas," eu disse, sentada no sofá, com uma chávena de chá nas mãos. "Podes levá-las quando saíres."
Ele olhou para mim, a confusão a dar lugar à raiva. "Sofia, já chega desta estupidez. Eu disse-te, a Clara precisava de mim."
"E eu disse-te," respondi, olhando-o diretamente nos olhos, "que quero o divórcio. O meu advogado entrará em contacto contigo amanhã."
Ele riu, uma risada amarga e desdenhosa. "Advogado? Tu não tens dinheiro para um advogado decente. Vais voltar a rastejar para mim dentro de uma semana, a implorar para te aceitar de volta."
"Veremos," eu disse calmamente.
A arrogância dele era espantosa. Ele realmente acreditava que eu não era nada sem ele, que a sua família era o meu único apoio.
"Sai da minha casa, Miguel."
"Tua casa?" ele zombou. "Esta casa é nossa!"
"O apartamento está em meu nome. Foi comprado com o dinheiro do meu pai. Legalmente, é meu. Agora, sai."
A expressão dele mudou. Pela primeira vez, vi um vislumbre de incerteza nos seus olhos. Ele não esperava isto.
Ele pegou num dos sacos, resmungando maldições, e saiu, batendo a porta com força.
Fiquei sozinha no silêncio do apartamento. Não senti tristeza. Não senti perda.
Senti apenas o começo de algo novo. Uma batalha. E eu ia ganhá-la.
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