Capa do romance Minha Esposa De Luxo

Minha Esposa De Luxo

9.3 / 10.0
Em Minha Esposa De Luxo, Dayane aceita um contrato inusitado de Anthony Miller. Este romance envolve um casamento de conveniência e segredos perigosos. Descubra como essa união transforma vidas neste envolvente modern novel e explore uma das melhores romance stories disponíveis.
Resumo de Minha Esposa De Luxo
Dayane Johnson leva a vida como garota de programa até que um encontro profissional muda seu destino. Anthony Miller, seu cliente, busca urgentemente uma esposa e acredita que a origem humilde dela é perfeita para seus planos ocultos. Ele propõe um contrato matrimonial inesperado, unindo seus caminhos de forma definitiva. O anúncio do casamento dá início a uma jornada intensa, onde amor, mistério e humor se misturam em uma trama de segredos e paixão.
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Minha Esposa De Luxo Capítulo 1

Os meus saltos ecoavam contra a calçada levemente úmida, provocando um som abafado e incômodo, conforme eu caminhava apressadamente na direção do meu "ponto" de trabalho.

A esquina era ocupada apenas por mim e por minha parceira de trabalho, Suzie. Ela estava parada casualmente contra a parede pichada de uma loja, e jogou seu cigarro fora ao identificar minha silhueta em meio à noite escura. Nosso ponto era o menos iluminado; mais seguro para os clientes, e motivo de medo absoluto para as garotas como nós.

Ruan, nosso cafetão, estava sempre rondando as esquinas com a desculpa esfarrapada de que protegia suas garotas, mas todas nós sabíamos que ele só fazia aquilo para garantir que a coleira em torno do nosso pescoço permanecesse bem apertada.

Muitas garotas aproveitavam estar em pontos menos visíveis da cidade para fugir das dívidas adquiridas ao longo da vida com aquele homem, mas a fuga era apenas mais um motivo para que ele adicionasse mais alguns anos de dívidas em nossa conta; todas pagavam pelo erro de uma, era o que ele dizia, então, foi um acordo entre todas as dezesseis garotas de que Suzie e eu éramos as mais responsáveis para manter naquele ponto.

No momento em que notei o carro preto deslizando suavemente ao meu lado na rua, apressei meu passo, tomando um lugar ao lado de Suzie contra a parede rabiscada pela arte de rua. Ruan acelerou quando percebeu que eu já estava em ativa e muito alerta, então suspirei, sem querer inalando toda a fumaça do cigarro de Suzie.

— Não sei por que é que você continua fodendo seu pulmão com essa coisa, Suzie — reclamei em tom de reprimenda.

Suzie deu uma risada alta que ecoou pela rua parcialmente escura. Os seus cabelos tingidos de vermelho e repicados num corte estranho oscilaram quando ela virou a cabeça para me olhar.   

— Day, se tem uma coisa que eu estou nessa vida, é fodida — disse ela, desembalando um chiclete e me oferecendo outro. — Foder meu pulmão não vai fazer diferença.

Eu masquei o chiclete, permitindo que o sabor de menta preenchesse meu estômago vazio. Apesar de ter um cafetão, isso não significava que eu tinha dinheiro para as coisas mais básicas como comer e ter onde dormir.

De vez em quando eu dormia na casa de Suzie, ou então em algum abrigo para os sem-teto. Até os hostel se tornaram um lar para mim. Eu frequentava qualquer lugar que fosse grátis ou bem barato. E, considerando que o dinheiro não ficava comigo — já que Ruan controlava nossos horários com cada cliente e os ganhos para poder tomar tudo no fim da noite —, nem sempre eu tinha algo para comer ou coragem suficiente para pedir.

Suzie enfrentava uma situação semelhante, embora sempre houvesse algum pão velho em sua casa, mas energia eletrécia em casa era um artigo de luxo que ela nem conhecia. E eu muito menos.    

— Só vai diminuir seus anos de vida — continuei me referindo ao cigarro.

Suzie apenas deu de ombros. Eu olhei para a placa ao lado da lombada, onde uma de nós sempre deveria estar ao notar a aproximação de um cliente.  

— Você conseguiu alguma coisa essa noite?  

— Nada — Suspirou ela, fechando os olhos, conforme encostava a cabeça na parede. — O movimento está tão fraco e nossas dívidas cada vez maiores. Parece que ninguém mais valoriza o trabalho de uma puta. Acho isso uma palhaçada.

Eu dei risada, mas a situação era mais trágica do que cômica. Sem clientes, sem dinheiro, e sem chance alguma de quebrar o acordo que fizemos ao conhecer Ruan.

E a tendência era apenas piorar, porque não era coincidência que as pessoas evitassem certos pontos das esquinas. Toda a cidade sabia que a prostituição tomava as ruas durante o anoitecer, então se algum cliente fosse pego em flagrante por aquelas bandas, ele não teria como se explicar.

Além do mais, tudo o que cobrávamos para fazer, era repetitido de graça ou mais barato ainda pelas mulheres viciadas em drogas. Ainda éramos as escórias da sociedade, e nem ganhávamos bem para aguentar toda a humilhação e sofrimento.

Um carro de polícia passou silenciosamente pela rua, mas não parou. Os policiais eram aqueles que pagavam melhor, sem falar que muito até nos davam alguns pequenos mimos — que fazíamos questão de esconder antes de Ruan encontrar. Só que eles pareciam ocupados demais naquela segunda-feira. Dias de semana eram fraquíssimos.  

— Esse ponto de merda não ajuda em nada — reclamei em tom sussurrado.  

— Quer ficar mais perto da rua? — perguntou Suzie.  

— Pelo menos assim, os clientes podem nos ver melhor — sugeri com um dar de ombros.

O movimento fez com que minha blusa curta subisse ainda mais para cima do umbigo, e eu a ajeitei novamente, dando alguns passos adiante para ficar ao lado da placa que indicava a lombada.

Observei ao longo da rua, procurando algum sinal de carros, enquanto deslizava uma mão sobre a saia de camurça azul para manter tudo no lugar. As minhas botas até os joelhos já estavam tão desgastadas que até faziam o couro preto se soltar ao toque, por isso as arrumei apenas uma vez.  

— O primeiro é seu — disse Suzie, tornando a acender mais um cigarro. Ela deveria estar no seu auge da ansiedade— Já estou esperando há horas.

Eu assenti para ela, e voltei minha atenção para a rua. Os faróis brilhavam sempre, mas os motoristas sempre desviavam, virando uma esquina antes para evitar as garotas de programa. Eu me recostei no poste da placa, de braços cruzados e olhos atentos.

No que se pareceu apenas segundos depois, um carro deslizou suavemente pela rua, tão devagar que até pensei que fosse Ruan retornando, mas não era ele. Notei isso apenas quando percebi que o carro em questão era de primeira linha, não aquela lata-velha que Ruan ostentava com o dinheiro da nossa dura jornada de trabalho.

O carro parou ao meu lado, e o vidro abaixou-se para revelar um homem calvo e relativamente gordo. Ou bem forte, considerando que as roupas dele eram pretas e largas, mas eu não podia enxergar muito bem o interior do veículo.

Eu me aproximei da janela com um sorriso doce, daquele tipo que os homens adoravam. O homem no volante também sorriu.

— Qual a sua idade? — ele perguntou. 

— Posso ter quantos anos você quiser — respondi no tom mais atrevido que pude forçar.

O homem deixou de sorrir.  

— Sua idade verdadeira — ele pediu.

Lancei um olhar para trás, onde Suzie ainda estava, agora boquiaberta e segurando o cigarro com a mão frouxa. Ela acenou com a mão livre para mim, num incentivo mudo, que dizia algo como: "Você não é nem louca de não entrar nesse carro, não é?"

Eu me virei para o homem novamente.   

— Acabei de completar vinte e um.

Legalmente, apenas há pouco tempo eu era uma adulta em meu país, mas já estava fazendo coisas para adultos desde muito antes. Quando a vida me mostrou que nem todos nasciam para brilhar, e que meus sonhos tinham pouco valor, diante do custo que era ter uma vida confortável.

O homem assentiu, então um estalo soou, e a luz dentro do carro se acendeu. De fato, ele era forte, não gordo. Mas era velho. E eu tinha uma certa exigência de não me envolver com homens muito velhos, porque eles tinham fetiches questionáveis e de revirar o estômago.

Mesmo assim, me endireitei e deixei que ele observasse o produto que estava adquirindo pela próxima uma hora.

— Entre no carro – ele pediu, sem sequer reparar no meu corpo.

Tudo bem, eu estava acostumada.

Nem todos os homens gostavam de mulheres com coxas grossas e seios pequenos. Só importava o que existia entre minhas pernas.

Fiz mencão de abrir a porta, mas ele acrescentou: — Lá atrás.

Eu dei de ombros e fui até a porta de trás, abrindo sem fazer muita força por medo de estragar algo na pintura do carro. Entrei depois de acenar para Suzie e me sentei.

O banco era tão macio que parecia um sofá, e o cheiro do carro era de algo novo e bem caro. Porém, ao acostumar minha visão com a luz amarelada do teto, eu notei que havia outro homem ao meu lado.

O segundo homem era bem diferente do primeiro. Os cabelos curtos eram castanhos e os olhos possuíam uma cor que lembrava às folhas em época de outono, marrom claro, dando profundidade para a sua compleição absurdamente linda.

O maxilar forte era contornado por uma barba feita, e as bochechas eram levemente altas. Um perfume maravilhoso estava vindo dele, embora eu não soubesse como descrever sem ter tempo o bastante para inspirar. Ele tinha ombros largos e uma aparência respeitável. Usava um terno branco acima de uma camisa social azul, calças pretas e sapatos lustrosos.

Eu dei um sorriso de cumprimento e ele retribuiu de maneira fria, então me dirigi ao homem no volante:

— Eu cobro a mais por dois.

— Não queremos esse tipo de serviço — disse o homem ao meu lado, num tom de voz baixo e poderoso, cujo sotaque não pude identificar. 

O homem no volante apenas observou pelo espelho retrovisor no centro do carro. Eu não achei estranho ao ponto de sentir medo. Uma das vantagens em acostumar com a brutalidade da vida real, era nunca temer nada antes que minha vida realmente fosse ameaçada.

Os homens pelo menos ainda não tinham me trancado dentro do carro. Eu era descarada o bastante para considerar o joguinho que eles gostariam de fazer. Homens e seus fetiches.

— O que querem então? — indaguei, franzindo o cenho.

— Seu nome — disse o homem misterioso ao meu lado, deixando um pequeno sorriso surgir em seu rosto bonito. — Preciso arranjar uma esposa em menos de doze horas, e você acabou de ser a escolhida, meu amor.

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