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Capa do romance Minha Coroa, Seu Fim: Coração Vingativo

Minha Coroa, Seu Fim: Coração Vingativo

Após um teste de lealdade cruel forjado pelo meu noivo, perdi nosso bebê e descobri sua traição. Ele não apenas protegeu a amante, como profanou os restos do nosso filho, zombando da minha devoção e afirmando que apenas a morte nos separaria. Ele subestimou quem eu sou. Como a verdadeira rainha que comanda suas forças, transformarei sua profecia em realidade. O destino dele está selado pelas minhas mãos e o seu exército agora serve à minha vingança.
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Capítulo 2

Gisela me encarou, seu rosto uma máscara de indignação chocada. Heitor se recuperou primeiro, seu choque se transformando em uma fúria fria.

"Que porra você pensa que está fazendo?", ele rosnou, dando um passo protetor na frente de Gisela. "A operação é minha. Recue, Adriana."

"Sua operação acabou de demonstrar uma falha de segurança catastrófica para nosso parceiro em potencial", respondi, minha voz perigosamente baixa. Eu não olhei para ele. Meus olhos permaneceram fixos em Gisela. "Minha equipe está simplesmente seguindo o protocolo para incompetência grosseira em campo. Levem-na", ordenei aos meus homens.

Dois membros da Equipe Alfa se moveram em direção a Gisela. Eles não sacaram seus cassetetes; não precisavam. A presença deles era suficiente — uma promessa silenciosa e avassaladora de força. Gisela recuou, seus olhos arregalados com pânico genuíno agora.

"Heitor!", ela gritou, sua voz falhando. "Heitor, diga a eles! Mande-a parar!"

Foi então que Heitor finalmente se moveu. Ele avançou, empurrando meus homens para o lado com um rugido. Ele se colocou diretamente entre eles e Gisela, seu corpo um escudo humano. Seu rosto era uma tempestade de fúria dirigida inteiramente a mim.

"Eu disse, recue!", ele gritou, sua voz ecoando pelas paredes de metal. "Isso foi um teste para o Almeida! Acabou! Você está fazendo uma cena!"

Eu quase ri. Apenas minutos atrás, ele estava apostando na minha chegada, descartando cruelmente o risco para nosso filho. Agora ele estava protegendo sua amante, sua principal preocupação era a interrupção de seu joguinho doentio. A hipocrisia era de tirar o fôlego.

"Uma cena?", repeti, as palavras com gosto de cinzas. "Você forja o próprio sequestro, usa nosso filho como isca numa disputa de ego corporativa, e está preocupado comigo fazendo uma cena?"

Seus olhos piscaram em direção a Almeida, depois de volta para mim, o pânico de um animal encurralado em suas profundezas. "Você está grávida, pelo amor de Deus! Você nem deveria estar aqui!"

Aí estava. Ele não estava usando minha gravidez como motivo de preocupação, mas como uma arma para me pintar como instável. Como irracional.

"Você está certo", eu disse, minha voz pingando uma ironia tão amarga que queimou minha garganta. "Que falta de consideração da minha parte." Dei um passo à frente, meu olhar inabalável. "Saia da frente, Heitor."

"Não", ele disse, o maxilar cerrado. Ele nem olhou para mim. Ele estava olhando para Gisela, sua expressão se suavizando em uma de segurança. Ele a estava protegendo. Não de dano físico, mas de humilhação. De mim.

E naquele momento, observando-o protegê-la, o último pilar de sustentação do meu mundo cedeu. Ele havia feito sua escolha.

Uma pontada aguda e nauseante no fundo do meu útero me fez ofegar. Não era uma cãibra; era uma sensação de rasgo. Minha mão instintivamente foi para a minha barriga, o colete tático de repente parecendo uma jaula. O mundo inclinou-se ligeiramente.

Não. Oh, Deus, não.

Marcos viu. Seu rosto, geralmente uma máscara estoica, se desfez em alarme. "Senhora?"

Heitor seguiu seu olhar. Ele viu a mancha escura se espalhando na minha calça tática. Ele viu meu rosto, drenado de toda a cor. Por uma fração de segundo, algo além da raiva piscou em seus olhos — uma compreensão horrível e crescente. "Adriana...?"

Mas era tarde demais. Ele havia hesitado. Ele havia escolhido.

A dor era uma maré branca e quente, me puxando para baixo. Caí de joelhos, um soluço sufocado escapando dos meus lábios. Meus homens correram para frente, formando um círculo protetor ao meu redor, de costas para Heitor e seu mundo em ruínas.

"Médico!", Marcos rugiu em seu rádio. "Temos uma emergência! Preciso de evacuação, agora!"

Através de uma névoa de dor, vi Heitor parado, congelado, seu rosto uma tela de descrença e horror crescente. Gisela estava olhando, a mão sobre a boca. Almeida já estava ao telefone, afastando-se silenciosamente do desastre.

Heitor havia dito que uma vida era suficiente.

"Você está errado", sussurrei para o chão de concreto sujo enquanto a escuridão me tomava. "Eram duas."

Passei os sete dias seguintes em um quarto de hospital estéril. O aborto foi brutal, uma manifestação física e dilacerante da minha agonia emocional. Heitor e Gisela desapareceram. Sumiram. Sem ligações, sem mensagens. Apenas um silêncio ensurdecedor que era, em si, uma resposta.

No oitavo dia, quando o sangramento parou e o vazio em meu útero só era igualado pelo vazio em minha alma, peguei meu telefone. Disquei o número que não ligava há dez anos, o do homem que eu nunca mais queria ver.

Ricardo Salles. Meu pai.

Sua voz era rude, impaciente, exatamente como eu me lembrava. "O quê?"

"Sou eu", eu disse, minha própria voz rouca e desconhecida. Houve uma inspiração aguda do outro lado da linha.

"Estou pronta", eu disse, as palavras com gosto de ferro e cinzas. "Eu quero todos eles. Cada ativo que você plantou dentro da minha empresa. Cada lealista. Eu quero toda a rede dele. Eu quero queimar o mundo dele até as cinzas."

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