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Capa do romance Meu vizinho de 40 anos

Meu vizinho de 40 anos

Emma se vê em um dilema constrangedor ao cumprir uma tarefa para sua mãe. Ao dar as boas-vindas ao novo vizinho, ela é confrontada por um rosto do passado. O homem, agora com quarenta anos, não economiza no sarcasmo ao reencontrá-la. Ele a provoca cruelmente, relembrando o desejo que ela sentia por ele nos tempos de faculdade. Entre o choque e a humilhação, Emma precisa encarar que seu antigo alvo de obsessão agora vive bem ao seu lado.
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Capítulo 3

Emma Stone

Olhei pela janela do meu quarto e vi um caminhão de mudança na enorme casa da família Wotyson, o que está acontecendo? Eles se mudaram há tanto tempo, lembro-me de brincar com os filhos deles quando era menor. Desci as escadas correndo e fui até a minha mãe, que estava preparando o café da manhã.

- Mãe, os Wotyson voltaram?

- Que eu saiba, não, mas parece que eles estavam vendendo a casa, será que alguém comprou? - Ela colocou a geleia em cima da mesa.

Eu fui para fora, olhando dois jovens que pareciam ter a mesma idade que eu, pegando caixas e levando para dentro. Os dois têm cabelos pretos e são muito parecidos. Resolvi me aproximar para saber o que de fato estava acontecendo.

- Bom dia - acenei para o menino.

- Bom dia, somos seus novos vizinhos - ele se aproximou.

- Não sabia que essa casa tinha sido vendida, eu adorava os antigos donos - falei. - Qual o nome de vocês? - perguntei.

- Eu sou Bray Daniel e aquela é minha irmã gêmea, Kely Daniel - ele apontou para a irmã que estava carregando uma enorme caixa.

Agora está explicado o porquê deles se parecerem tanto. Esse sobrenome é o mesmo que o do professor Jack, não é como se outras pessoas não pudessem ter o mesmo sobrenome que ele. A menina pegou na minha mão, me levando para dentro da casa que estava completamente diferente de como era a casa do Wotyson.

- Quantos anos vocês têm? - Perguntei para a garota.

- Vinte e um, e você?

- Vinte e dois - ele me levou até a cozinha.

Ela pegou um pedaço de bolo na geladeira e me ofereceu, eu peguei sem nem pensar duas vezes, adoro comer. Tudo aqui ainda está muito estranho, onde estão os pais deles? Será que eles moram sozinhos?

A casa é escura, os móveis em tons de preto e cinza e até eles dois são estranhos para mim. Kely pegou a faca que passou na pasta de amendoim, colocou-a deitada na língua e deslizou.

- Onde estão os pais de vocês? - Me atrevi a perguntar.

- Nosso pai só trabalha, não se importa com a gente e minha mãe sumiu há uns dez anos - ela enfiou a faca que tirou da boca e enfiou dentro do pote de pasta de amendoim de novo. - Se eu fosse você, não se aproximava muito da gente, essa família não bate bem da cabeça - passou a faca na língua de novo, deixando-a limpa.

Ele empurrou o pote para mim e esticou a mão, me dando a faca. Meu estômago embrulhou, imaginando quantas vezes ela já babou isso aí.

- Eu dispenso, obrigada - falei, saindo da cozinha.

Fui para a sala que estava me assustando um pouco, todas as luzes estavam apagadas. Por que eles não ligam a porcaria da luz nessa casa? Bray saiu do nada, de uma sombra escura no canto da sala, me assustando. Quando ele se aproximou, percebi o quanto era alto e como me lembrava o professor. Acho que estou pensando muito nesse homem.

- Vamos sair juntos, Emma? - Ele foi para detrás de mim. - Gostei de ter você como vizinha - ele soltou uma risada.

- Acho que é muito cedo para você me chamar para sair - respondi.

- Estou brincando, mas se quiser, te mostro o caminho do meu quarto - seus olhos me olharam com profundidade.

Algo me diz que agora ele não está brincando, ele é bonito, tem olhos escuros e cabelo preto liso, tem quase a mesma idade que eu.

- Eu preciso ir agora - falei, me distanciando dele.

Andei rápido até a porta, saindo depressa. Eu achava a minha família louca, mas essa? É pior que a minha certeza. Voltei para a minha casa, entrei e senti cheiro de cookies, parece que minha mãe está fazendo biscoito, eles ainda estão no forno.

Subi para o meu quarto e fiquei pensando naqueles dois. Eu tenho uma mãe que está sempre cuidando de mim e ela disse que a mãe deles sumiu, isso deve ser tão triste.

Deitei-me na cama e acabei adormecendo. Depois de algumas horas, eu acordei sentindo o cheiro forte do cookie, finalmente estava pronto, desci entusiasmada para comer. A bandeja estava em cima da mesa, quando fui pegar um, minha mãe deu um tapa na minha mão.

- Poxa, mãe, eu queria só um - reclamei.

- Não é para você e para o vizinho, acabei de conhecer o dono, ele é um pouco frio, mas quero ser uma boa vizinha - ela pegou a bandeja que já estava fria. - Leve para ele.

- Por que não leva você?

- Porque preciso terminar a janta, anda, faça o que eu te mandei e não me responda desse jeito, garota - ela empurrou a bandeja nos meus braços. - Temos que mostrar simpatia, diga que nossa família está grata pela presença dele na vizinhança.

A casa dos Wotyson é linda, eu posso vir aqui mil vezes que eu sempre vou admirá-la. Eu sempre amei cada detalhe dessa casa toda amadeirada, pelo menos eles não mudaram o lado de fora da casa. Consegui olhar um pouco pela janela da sala, estava tudo escuro, eles ainda não ligaram a luz?

Minha mãe só me ferra mesmo e, se essa família louca me sequestrar? Parece que ela nunca viu filmes de terror, como alguém vive em um lugar tão escuro assim? Bati na enorme porta de madeira, meu coração estava acelerado, minha respiração ofegante de tanto medo que eu estava sentindo naquele momento, a porta se abriu lentamente, mostrando para mim a imagem do professor Jack com camisa preta e calça de alfaiataria, estava confortável e lindo.

- Que porra - acabei pensando em voz alta. - Nossa família está grata pela sua presença em nossa vizinhança - engoli em seco, recitando a frase que a minha mãe mandou.

Meus olhos estavam arregalados, não acredito que o professor Jack agora é meu vizinho, estou pagando pelos meus pecados, não existe nada pior do que isso.

- O que você está fazendo aqui, Emma? Não bastou suplicar pelo meu pau na faculdade e agora veio suplicar por ele na porta da minha casa? - Ele perguntou em um tom de deboche.

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